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Apoio social para ex-trabalhadores da Cofaco continua por implementar

Num abaixo-assinado enviado ao Governo, os ex-trabalhadores da fábrica da Cofaco, na ilha do Pico, exigem o “cumprimento urgente” do apoio social previsto no Orçamento do Estado. António Lima relembra a promessa para uma nova fábrica "em janeiro de 2020".
Antiga fábrica da Cofaco, na ilha do Pico.
Antiga fábrica da Cofaco, na ilha do Pico.

“Os ex-trabalhadores da Cofaco do Pico e as suas famílias estão a passar por momentos difíceis, porque, para além de estarem desempregados, uma parte significativa já perdeu ou vai perder o subsídio de desemprego nos próximos meses”, alertam em comunicado os ex-trabalhadores da empresa.

Uma das principais empregadoras da ilha do Pico, com 3% da força de trabalho da ilha, a fábrica conserveira Cofaco era especializada em conservas de atum. O encerramento da fábrica, em 2018, deixou 162 famílias sem rendimento direto, numa manobra que o coordenador regional do Bloco de Esquerda considerou “lamentável e revoltante”.

Na altura, António Lima acusou o Governo Regional de estar a ser porta-voz da Cofaco em vez de defender os interesses dos trabalhadores e os interesses da Região, não exigindo contrapartidas a uma empresa que recebeu “tantos milhões de subsídios públicos durante tantos anos”. “O apoio público às empresas não pode ser um cheque em branco”, disse o deputado do Bloco, que defende que estes apoios devem obrigar a empresa a “contrapartidas que garantam segurança e qualidade no emprego que criam”. 

No Orçamento do Estado para 2020, foi incluída uma verba específica para apoio social para estes trabalhadores, que ainda não foi implementada.

No comunicado, os ex-trabalhadores afirmam que as medidas “devem ser aplicadas até ao final do mês” e com a “atribuição dos respetivos retroativos ao mês” em que os trabalhadores deixaram de receber o subsídio de desemprego.

Não há sinais de que a Cofaco venha a cumprir a promessa de construir uma nova fábrica no Pico

No fim de uma visita de dois dias à ilha do Pico, esta terça-feira, o coordenador regional do Bloco de Esquerda assinalou também o incumprimento da Cofaco em construir uma nova fábrica de conservas na ilha: “Quando despediu os seus 160 trabalhadores, a Cofaco prometeu que em janeiro de 2020 muitos estariam a trabalhar numa nova fábrica que a empresa iria construir. Mas estamos em agosto de 2020 e as obras ainda nem começaram”.

A licença de construção da nova fábrica foi prorrogada para novembro de 2020, um mês depois das eleições regionais, mas “não vemos sinais de que haja vontade da empresa em construir a fábrica que prometeu quando despediu todos os seus trabalhadores”, recordou o líder regional do Bloco.

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