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Angola: agentes da polícia agridem secretário do Bloco Democrático

Bloco Democrático de Angola denuncia e “repudia veementemente” as agressões de que foi vítima o seu Secretário Provincial do Cuanza Sul, António Correia.
O Secretário Provincial do Cuanza Sul do Bloco Democrático de Angola, António Correia, foi agredido por agentes da Polícia Nacional em Gabela, no dia 29 de abril
O Secretário Provincial do Cuanza Sul do Bloco Democrático de Angola, António Correia, foi agredido por agentes da Polícia Nacional em Gabela, no dia 29 de abril

Em comunicado divulgado esta terça-feira, 5 de maio de 2020, e noticiado em Club K, o Bloco Democrático de Angola (BDA) denuncia que o seu Secretário Provincial do Cuanza Sul, professor António Correia, foi vítima de agressões verbais e físicas por parte de agentes da Polícia Nacional angolana em Gabela, município de Amboim, no dia 29 de abril.

Segundo o comunicado, nesse dia a Polícia Nacional colocou-se, a partir das 16h, em vários pontos da Vila (Gabela), procurando impedir a circulação da população, “não importando se usa a máscara protectora, ou qual seja o destino dos transeuntes, corre com eles e bate sem dó em crianças, jovens, adultos e até os dementes”.

De acordo com o documento, o professor António Correia dirigiu-se à varanda da residência onde se encontrava, quando se apercebeu do “pânico gerado”. Dois agentes da polícia, acompanhados de dois bombeiros e de um militar, “invadiram” a residência, acusaram o professor de estar a tirar fotos do que se passava no local e intimaram-no a descer à rua. "E tão logo cheguei de baixo do prédio começaram a me agredir com porretes e frases pesadas do tipo, 'albino de merda, pensas que és superior a nós por teres a cor diferente?'", denuncia o dirigente provincial do BDA. António Ferreira foi obrigado a entrar no carro da polícia, mas 15 minutos depois teve autorização de voltar a casa, após os agentes terem verificado que o dirigente político não tinha fotos no seu telemóvel.

O BDA repudia a violência da polícia, salientando que ela aconteceu “ante os olhares atentos e serenos”, do Administrador Adjunto da Gabela, João Armando Bordal da Silva, do chefe do SIC (serviço de investigação criminal), conhecido por Joãozinho, e do chefe das operações, Tony Ana”.

“Este comportamento atentatório das regras de conduta num Estado democrático e de direito, salvaguardando e protegendo quem pensa diferente e professe uma linha ideológica partidária, configura um acto claro de abuso de poder e intimidação de dirigentes políticos, encapotada numa suposta tentativa de evitar a transmissão comunitária da covid-19”, acusa o BDA.

Bloco Democrático alerta para ações que visam inibir a intervenção pública dos actores não alinhados com o regime vigente e com influência no espaço social

O Bloco Democrático sublinha também que “o estatuto de um dirigente político permite estar atento às acções das entidades públicas sobre os cidadãos, o que pode requerer a recolha de dados escritos ou fotográficos”, considerando que a “brutalidade” policial não se justifica, mesmo que António Correia estivesse a captar imagens. O partido anuncia que enviará, nos próximos dias, queixa crime às autoridades de direito contra os autores morais e materiais do seu dirigente provincial.

O BDA alerta os cidadãos e a sociedade para que estejam atentos, face a “ tentativas de regresso às práticas antidemocráticas, intimidatórias e persecutórias que visam inibir a intervenção pública dos actores não alinhados com o regime vigente e com influência no espaço social, tal é o nervosismo face ao fracasso das suas opções socioeconómicas”.

A concluir, embora reconheça “a pertinência constitucional de algumas acções do Executivo em tempos de emergência”, apela aos cidadãos, aos partidos, à sociedade civil e aos ativistas cívicos a que mantenham “uma vigilância e escrutínio activos e permanentes, como salvaguarda do devir democrático, do bem comum e da vida de todos, conclamando ao exercício da solidariedade social”.

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