"Se houve algum oxigénio [na economia], não foi o seu Governo que o deu. Tem um nome: Tribunal Constitucional. Tem um nome: recuperação dos subsídios", afirmou a coordenadora nacional do Bloco de Esquerda durante o debate quinzenal com Pedro Passos Coelho no parlamento.
“A verdade, Sr. Primeiro-ministro, é que cada vez que o seu Governo é travado, a economia portuguesa recebe um bocadinho de oxigénio”, frisou Catarina Martins.
“O que nos dizem os números é que o buraco que o seu Governo está a cavar está cada vez mais fundo”, referiu a dirigente bloquista, lembrando que "em 2011, o PIB caiu 1,2% e a dívida pública estava em 107% do PIB. Chegamos a 2013 e o PIB caiu 1,4% e a dívida pública está em 130%”
“Mais dívida, menos PIB. O buraco está mais fundo", reforço a coordenadora do Bloco de esquerda.
"Como é que ter afundado o país num buraco ainda maior do que aquele em que estávamos em 2011 pode ser um caso de sucesso?", questionou Catarina Martins.
“O país está a produzir menos, tem mais desemprego, os juros estão mais altos, a economia está mais frágil, a dívida pública está maior. Se tudo correr bem, vamos demorar mais de 7 anos a recuperar aquilo que o seu Governo destruiu em 3 anos. E quando nos diz que fez isto tudo porque não havia dinheiro para salários ou pensões, nós bem sabemos que houve dinheiro para o BPN, para as Swaps e para as PPP em todos estes 3 anos".
Avaliação de desempenho "é o caminho para o despedimento sem justa causa"
Referindo-se aos novos critérios de despedimento aprovados na quinta-feira em Conselho de Ministros, Catarina Martins lembrou que, em cerca de 95% das empresas privadas em Portugal, não existe avaliação de desempenho e que este é “um critério arbitrário, discricionário” que é o “caminho para o despedimento sem justa causa".
Segundo a dirigente bloquista, a avaliação de desempenho e critérios objetivos "é algo que está por provar", embora salientando que, no caso do Governo, "teriam todos de ir para o olho da rua".
A coordenadora nacional do Bloco de Esquerda lamentou ainda que o terceiro critério definido pelo executivo do PSD/CDS-PP estipule que a empresa deve despedir o trabalhador menos oneroso para a empresa, “ou seja, entre o estagiário e o trabalhador que tem 15 anos na empresa, a empresa deve despedir o trabalhador que tem 15 anos na empresa”.
“O que faz o Governo neste programa para os despedimentos é simultaneamente introduzir o despedimento sem justa causa e acabar com a progressão salarial nas empresas”, avançou Catarina Martins.
“Precisamos de um Governo que governe em nome de quem trabalha, e não da finança”
“Sr Primeiro-ministro eu bem sei que agradece à troika ter empobrecido o país e que Ricardo salgado louva os perdões fiscais do Governo. Aquilo que nós sabemos é que este executivo faz tudo para embaratecer o trabalho, dá todos os benefícios sempre aos mesmos”, acusou Catarina Martins.
“Falámos na semana passada dos 1000 milhões em benefícios fiscais a Soares dos Santos, Colégios GPS, offshore da Madeira… Agora sabemos dos perdões fiscais: 500 milhões. Enquanto dá benefícios fiscais corta no Serviço Nacional de Saúde, corta na Escola pública. Enquanto dá perdões fiscais nega abono de família, nega subsídio de desemprego a quem precisa. Sabemos já em nome de quem governa o Governo e não é em nome do país”, afirmou a dirigente bloquista, frisando que “aquilo de que precisamos é de um Governo que governe em nome de quem trabalha, e não da finança”.