Catarina Martins participou neste sábado na Assembleia Distrital de Setúbal do Bloco de Esquerda, que se realizou na Moita.
A coordenadora do Bloco começou por fazer o balanço do governo Passos Coelho/Paulo Portas e da aplicação do memorando da troika, salientando que a “dívida pública só aumentou neste período” e sublinhando que “quando disseram que o ajustamento era deixar o país a gastar o que podia e controlar a dívida pública, isso é de facto mentira, a dívida pública só aumentou ao longo deste período, tendo passado de 90 para 130% do PIB”.
A coordenadora do Bloco destacou também o “défice educacional” dos últimos anos, referiu ainda que “o problema estrutural de emprego agravou-se e não se resolveu”, que “o investimento piorou”, concluindo que “em dois anos o nosso PIB recuou uma década, produzimos muito menos, os problemas agravaram-se e o país está muito pior”.
Catarina Martins denunciou também que o governo quer dar "condições fiscais e remuneratórias", para atrair estrangeiros, que nunca deu aos investigadores portugueses.
"O surrealismo tornou-se imagem de marca do Governo e não só por causa dos quadros do Miró. Ao mesmo tempo que Nuno Crato está a cortar na investigação e na ciência, o governo diz que quer criar uns vistos talento para atrair investigadores de outros países para Portugal. O governo que mandou emigrar os investigadores e cientistas de Portugal, diz agora que quer dar condições fiscais e remuneratórias, que nunca deu a quem está no nosso país", afirmou a deputada.
Catarina Martins disse ainda que "não há nenhum universo de investigadores que possa vir para Portugal salvar a ciência ou a investigação, pois a ciência e a investigação não se podem fazer em Portugal".
Sublinhando que “há recursos e há força”, Catarina Martins afirmou: “Estaremos em Portugal como na Europa a dizer que os recursos que são produzidos por quem trabalha têm que ser utilizados para haver capacidade produtiva”.
“Em Portugal como na Europa, sabemos que a capacidade de criar conhecimento, a investigação, a ciência têm de ter lugar aqui e lutaremos para que seja feita aqui, porque só assim é que pode um país resolver os seus problemas estruturais e pode desenvolver-se”, disse.
A terminar Catarina Martins, afirmou ainda: “Na Europa como em Portugal, sabemos que o Estado Social, como o SNS, a Escola Pública, a Segurança Social, é a diferença entre a igualdade e a lei da selva, é a diferença entre a dignidade ou a humilhação de um país”.