“Há uma campanha organizada para nos convencer que vamos ter uma saída limpa, para nos dizer que o dia 17 de maio vai passar a ser o novo dia 13 de maio, o dia do milagre, o dia em que recuperamos a nossa soberania, mas nós sabemos que isso é mentira”, referiu a cabeça de lista às eleições europeias, Marisa Matias, durante um jantar dos 15 anos do Bloco, que teve lugar esta sexta feira em Loures, e que contou com a presença de cerca de 150 pessoas.
“Se dúvidas nós tivéssemos, vejam o que aconteceu esta semana na Irlanda. A Comissão Europeia (CE) enviou uma comissão de fiscalização para o país para controlar os desequilíbrios macroeconómicos, porque as contas já não estavam assim tão certas como pareciam”, frisou a dirigente bloquista.
Para Marisa Matias, “o Tratado Orçamental é a garantia da troika depois da troika, é a garantia de que o défice e a dívida continuarão a controlar as nossas vidas, mais do que os nossos direitos, mais do que os direitos adquiridos, e é a garantia de que a transferência dos rendimentos do trabalho e das pensões para os mercados financeiros vai manter-se.
“Se as ordens que nos chegam de Bruxelas são incompatíveis com o desenvolvimento do nosso país, com os direitos de quem aqui trabalha, de quem aqui vive, de quem foi obrigado a emigrar, de quem aqui quer continuar a viver, então defender o nosso país é, necessariamente, desobedecer a esta Europa”, defendeu a eurodeputada.
O Governo é uma “máquina de propaganda eleitoral”
Marisa Matias partilhou ainda algumas notas sobre a reunião com o Ministro da Economia, Pires de Lima, a propósito do grupo de trabalho para as infraestruturas de valor acrescentado.
Lembrando que “o Bloco sempre defendeu que só podemos sair da crise com investimento, com crescimento e com criação de emprego”, a candidata bloquista referiu “que quem chega atrasado a este consenso é o Governo”.
“Na realidade este Governo não se está a comprometer com rigorosamente nada em matéria de investimento, a única coisa que está a procurar fazer é um ato de propaganda, vendendo-o ao país, como tem vendido, aliás, a história do milagre económico”, destacou.
“O Governo já não é propriamente um Governo, é uma máquina de propaganda eleitoral que todos os dias usa os meios de comunicação social que tem à sua disposição para nos dizer que a nossa história foi de sucesso, mesmo que seja cravada em sofrimento e em vidas reais que foram destruídas, e que nos diz que, afinal, vamos ter um consenso para o investimento futuro, embora não abdique da política de austeridade”, avançou a dirigente do Bloco de Esquerda.
Governo quer embaratecer os despedimentos ilegais
“Estamos neste momento sob um assalto deste Governo que tem uma sanha persecutória contra todos aqueles que vivem do seu trabalho, que quer impor a humilhação a todo o custo”, acusou a coordenadora nacional do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, durante a sua intervenção.
“Hoje, a luta das nossas vidas é a luta pela dignidade, a luta contra a precarização. A luta por sermos donos da nossa vida”, enfatizou a dirigente bloquista.
Catarina Martins criticou o executivo PSD/CDS-PP por querer embaratecer os despedimentos ilegais, “depois de ter feito tudo para embaratecer o despedimento legal e para introduzir uma série de critérios discricionários para justificar os despedimentos”.
“Esta é uma medida que não pode passar e exige uma grande mobilização em todo país. Nós não precisamos de facilitar mais despedimentos ou de compensar o crime, mas sim de criar emprego em Portugal”, apontou.
Fortuna de Belmiro de Azevedo cresce à custa do roubo dos salários
Referindo-se às declarações proferidas por Belmiro de Azevedo, que, tendo visto a sua fortuna aumentar 138%, afirmou que os salários em Portugal não podem aumentar enquanto não aumentar a produtividade, Catarina Martins questionou “à conta de quem aumenta a fortuna de Belmiro de Azevedo e de Amorim, e de Soares dos Santos”.
“Não é, com toda a certeza, por terem assim tanta produtividade. É sim em nome de uma política que está a embaratecer o trabalho, a roubar salário e a assaltar todos aqueles que vivem do seu trabalho para dar mais e mais a quem vive do capital”, avançou.
Quando nos disserem que não há dinheiro para aumentar o salário mínimo “vamo-nos lembrar da fortuna de Belmiro de Azevedo a crescer”, afirmou a coordenadora nacional do Bloco de Esquerda.