“Amigos do governo são premiados com salários e prémios generosos”

18 de março 2012 - 0:34

Francisco Louçã defendeu este sábado que “o grande problema do país tem sido aceitar estas rendas excessivas, pagar por elas, poder viver com esta gravíssima desigualdade” que “tem destruído a economia, diminuído a produção, aumentado as vantagens de uns que são desvantagens de todos e permitido tantas ineficiências e tantos abusos”.

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Foto de Nuno André Ferreira, Lusa.

Durante a sessão de encerramento das Jornadas da Interioridade, que tiveram lugar em Viseu, Francisco Louçã frisou que Passos Coelho, “entusiasmado com a ideia de acordar o país de uma espécie de cegueira coletiva” impeditiva de “pensar estrategicamente o problema do crescimento”, aparece neste momento com António Borges, “um velho herói, mas refrescado agora com os seus cargos de administrador de uma empresa privada e, ao mesmo tempo, administrador do serviço do Estado que trata das privatizações”.

“Vem António Borges dizer que, se há coisa que é importante nestas reformas estruturais de Passos Coelho, é que tem sido muito fácil baixar os salários” avançou Louçã, realçando que nem sempre é assim.

 “António Mexia, o presidente da EDP, vai receber este ano um milhão de euros e no final do mandato pode receber, como já recebeu há dois anos, três milhões de euros num mesmo mês”, lembrou o dirigente bloquista, adiantando que, feitas as contas, “por uma hora de trabalho, António Mexia ganha aproximadamente o salário mínimo nacional de um trabalhador por mês inteiro” e, numa semana de trabalho, “aproximadamente dois anos do trabalho dessas centenas de milhares de trabalhadores que trabalham com o salário mínimo nacional, de sol a sol, nas profissões e nos trabalhos mais difíceis”.

 “Aqui está um caso em que não tem sido fácil baixar os salários e, pelo contrário, a generosidade com os salários e os prémios premeiam os amigos do governo”, afirmou Francisco Louçã.

Outros “vão seguindo esta via”, realçou o deputado, entre os quais a Brisa, que “acabou de anunciar que vai exigir ao Estado mil milhões de euros pela baixa de utilização da A17” por parte dos condutores.

“Toda esta gente trata-se bem. Quando se trata de pedir alguma coisa é sempre na ordem dos biliões de euros, para compensar monopólios, rendas excessivas, vantagens extravagantes, abusos sobre a democracia. Tirar o dinheiro dos outros é sempre muito fácil”, reprovou.

Para Francisco Louçã, “o grande problema do país tem sido aceitar estas rendas excessivas, pagar por elas, poder viver com esta gravíssima desigualdade” que “tem destruído a economia, diminuído a produção, aumentado as vantagens de uns que são desvantagens de todos e permitido tantas ineficiências e tantos abusos”.

“Quando Passos Coelho diz que temos estado distraídos, ou António Borges vem dizer que bom que é estarmos a baixar os salários tão depressa e tão intensamente, eles estão a acrescentar ao abuso a mentira, a violência e a ameaça”, rematou.

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