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Índia: Gandhi, a derrota de uma dinastia

Herdeiro político da família Ghandi e secretário-geral do Partido do Congresso empenhou-se a fundo nas eleições de Uttar Pradesh, mas só ficou em 4º lugar.
Rahul Gandhi. Foto wikimedia commons

Os resultados da recente eleição no estado de Uttar Pradesh, na Índia revelaram um surpreendente resultado.

O herdeiro político da dinastia Gandhi, Rahul Gandhi, sofreu uma estrondosa derrota. O seu partido, o Partido do Congresso, do qual é secretário-geral, ficou num lamentável quarto lugar no final da apuração dos votos, na última terça-feira. Uttar Pradesh, com uma população de 200 milhões de habitantes, é o estado de maior população do país.

Rahul Gandhi não era candidato no estado mas empenhou todas as suas forças para levar o partido à vitória. Participou em nada menos que 200 comícios em cidades e vilarejos. Mas todo esse esforço não foi suficiente. E, pelo contrário, demonstrou o nível de descrédito que a família Gandhi goza entre a população do país.

Todos sabem que o Mahatma Gandhi protagonizou a luta da independência contra o império britânico. Desde então, durante décadas, a dinastia Gandhi dominou o cenário político da Índia e foi uma das principais responsáveis pela manutenção da miséria em que se encontra o país.

A Índia de hoje é um pais assolado pela corrupção. Tem 60 milhões de crianças subnutridas. Junto com a China, em termos numéricos, é um dos países com maior número de pobres e miseráveis. As condições de trabalho não chegaram sequer ao século XX, com 50 milhões de trabalhadores temporários. Existe uma guerra civil e conflitos étnicos como o de Caxemira.

O atual primeiro-ministro, Manmohan Singh, é vassalo dessa lamentável dinastia. Até a derrota desta semana, Rahul, neto de Indira Gandhi, era considerado o futuro primeiro-ministro; mas, agora, o seu destino político é incerto, já que as massas de Uttar Pradesh demonstraram, nas urnas, todo o seu repúdio. O seu partido conseguiu apenas aumentar em 6 o número de deputados eleitos.

As eleições ocorreram num momento em que o governo está em pleno descrédito. Basta lembrar que, no ultimo dia 28, milhões participaram da poderosa greve geral que, além das reivindicações pela melhoria das condições de vida e trabalho, representou uma espetacular crítica ao governo.

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