Debate completo: Catarina Martins e André Ventura

28 de novembro 2025
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Num debate preenchido por inúmeros apartes e interrupções, Catarina acusou o adversário de “odiar Portugal”.

Catarina Martins e André Ventura estiveram frente a frente na TVI esta sexta à noite, num debate que “não teve nada a ver com presidenciais”, como concluiu Catarina.

O tema inicial foi o da operação policial de combate à exploração de imigrantes no Alentejo, com André Ventura a admitir a custo que os responsáveis têm de ser punidos, não sem antes exibir uma fotografia de imigrantes sem documentos na Amadora, tentando equiparar as duas situações.

Em seguida tentou responsabilizar Catarina pela existência deste tipo de crimes por ter aprovado as leis de imigração em vigor. A candidata respondeu-lhe que se estas situações são ilegais é porque as leis as proíbem e apontou os dois deputados que se sentam ao lado de Ventura na bancada do Chega que foram imigrantes ilegais. Por outro lado, lembrou que a criminalidade imigrante é de 1%, segundo a Polícia Judiciária, enquanto “na bancada de Ventura, 40% já estiveram a braços com a justiça”.

Aos ataques de Ventura contra a lei da nacionalidade que vigorou até agora, Catarina lembrou que o herói da final desta semana do Mundial de futebol de sub-17, Anísio Cabral, é filho de imigrantes e nasceu em Portugal, pelo que “pela lei do Dr, Ventura ele nunca poderia ser português”.

“O Dr. Ventura odeia Portugal” foi uma das frases mais repetidas por Catarina, inclusive quando Ventura por diversas vezes a tentava apoucar por ter sido atriz. “Quem ama Portugal tem de amar cultura e arte, porque sem cultura e arte não há país” respondeu Catarina.

“Precisamos de uma Presidente da República que em vez de ir a Espanha gritar ‘Viva España’ esteja aqui em Portugal a defender quem trabalha”, afirmou Catarina, lembrando o fervor de Ventura quando interveio num comício do Vox espanhol.

Ventura continuou a debitar os habituais argumentos para associar imigração e criminalidade, a par do discurso xenófobo contra imigrantes e à habitual tentativa de colar a adversária a regimes como o da Venezuela ou Irão. Para Catarina, a utilização destes temas no debate político ajudam Ventura a esconder de quem trabalha “que está ao lado do Governo que quer baixar salários quando deixar de pagar horas extraordinárias” ou que “dá benefícios fiscais aos estrangeiros muito ricos para depois quem trabalha ter esta vida dura”.

“As notícias falsas estão a dominar a política portuguesa há tempo demais e a fazer com que estes debates se transformem neste festival que viram”, afirmou Catarina no final do debate, apelando às pessoas para que “não deixem que a democracia seja contaminada por este exército de mentiras”.

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