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Greve dos revisores da CP sem serviços mínimos

Sem revisores nos comboios nem funcionários nas bilheteiras, a greve agendada para os dias 2 e 6 de abril vai provocar “fortes perturbações na circulação de comboios” na Páscoa, admite a CP.
Foto Paulete Matos

O Tribunal Arbitral do Conselho Económico e Social não viu razão para estabelecer serviços mínimos de circulação de comboios para a greve agendada para a próxima quinta-feira e na segunda-feira a seguir à Páscoa. Apenas os comboios de socorro serão assegurados, decidiu o Tribunal Arbitral, após ouvir os representantes da CP e do Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI).

“Preveem-se também atrasos e supressões na noite do dia 1 e na manhã do dia 7 de abril”, informa a CP no seu site acrescentando que “não serão disponibilizados transportes alternativos”.

Estes trabalhadores reclamam o pagamento dos complementos que lhes foram retirados há 9 anos e já valeram a condenação da CP em tribunal, sem direito a recurso. Ao todo, o SFRCI estima que a dívida ascenda a 10 milhões de euros. Em vez de pagar o que retirou ilegalmente aos trabalhadores durante quase uma década, a administração da CP reuniu este mês com os sindicatos, propondo-se começar a pagar esses abonos variáveis e negociar o pagamento gradual e o próprio valor da dívida. Mas a proposta da empresa não tem nenhuma consequência, já que depende do acordo do Governo, o que faz os trabalhadores temerem que o início da “negociação” se arraste até daqui a seis meses, quando acaba o mandato, quer da administração quer do Governo.

Em vez de pagar o que retirou ilegalmente aos trabalhadores durante quase uma década, a administração da CP reuniu este mês com os sindicatos, propondo-se começar a pagar esses abonos variáveis e negociar o pagamento gradual e o próprio valor da dívida. Mas a proposta da empresa não tem nenhuma consequência, já que depende do acordo do Governo, o que faz os trabalhadores temerem que o início da “negociação” se arraste até daqui a seis meses, quando acaba o mandato, quer da administração quer do Governo.

"Nesse mesmo dia, decidimos quebrar a paz social, no período da Páscoa, com dois dias de greve, porque nestes nove meses de negociação, a administração criou a legítima expectativa de que os trabalhadores iriam ser ressarcidos e pensávamos que a empresa estava a proceder de boa-fé", explicou à agência Lusa Luís Bravo, presidente da SFRCI.

Também o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário (SNTSF) tem agendada uma paralisação em relação ao trabalho extrardinário, que poderá afetar ainda mais a circulação de comboios nos dias de Páscoa.

Vários sindicatos e Comissões de Trabalhadores do setor ferroviário vão assinalar no próximo dia 16 de abril o 40º aniversário da publicação do Decreto de lei de Nacionalização da CP. Trata-se de um “dia de ação e de luta” para combater “a liquidação da EMEF e da CP Carga, a entrega das partes rentáveis da CP aos privados e a destruição da REFER por fusão com a Estradas de Portugal”, bem como para defender a “reposição das concessões de transportes aos ferroviários do activo e reformados”.

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