Miguel Portas

Miguel Portas

Eurodeputado, dirigente do Bloco de Esquerda, jornalista.

Passos Coelho deveria saber que a última coisa que os seus convivas desejam é que a imprevisibilidade desembarque em São Bento.

Em contexto de austeridade os governos apresentaram uma proposta [de orçamento europeu] ultra-forreta. Eles não entendem o mal que estão a fazer à ideia europeia. Ou talvez entendam e até demais...

É inadmissível que os parlamentos nacionais sejam expropriados do poder de dizer como querem chegar aos equilíbrios e metas fixadas. Se a meta do défice se cumpre aumentando os impostos, se reduzindo despesas ou através de um mix de ambas.

Há 70 anos, o nazismo enviou os ciganos para o holocausto. Agora, a direita europeia, num gesto magnânimo, apenas os deporta. Melhorámos?

Fazer da Constituição o centro da táctica num contexto de crise não lembra ao diabo.

Os governos não estão apenas a retirar as medidas de excepção. Estão a lançar uma cura de napalm sobre os Orçamentos de Estado e as economias.

Também me intriga pensar como foi possível a Marinha de Israel fazer uma operação desta envergadura nas barbas e sem conhecimento da VI Esquadra norte-americana.

Começam, finalmente, a ser conhecidas as circunstâncias do assalto ao navio principal da frota que levava ajuda humanitária para Gaza.

Porque não se põe fim a um oligopólio que nos trama, mas que foi incapaz de prever a bancarrota do Dubai e da Islândia?

Diz Vital Moreira (VM) no Público que há duas - a dele e a do BE /PCP - e que "o que as separa é mais do que o que as une".