Miguel Portas

Miguel Portas

Eurodeputado, dirigente do Bloco de Esquerda, jornalista.

Esta é uma moção táctica de alcance estratégico. Recusa inevitáveis. Se aprovada, trará eleições num tempo que não é o preferido pela direita e onde o socratismo terá reduzida margem para chantagear com o voto útil. Se chumbada, acentua o compromisso do PSD com a decadência do governo.

Merkel e Sarkozy, antevendo as reacções adversas de alguns países, terão metido o plano na gaveta à espera de melhores dias.

Como se vê em relação ao Egipto, para os mercados não têm estados de alma. Para eles, uma ditadura, enquanto dure, é sempre preferível à incerteza democrática.

A vitória de Cavaco Silva tem dois pequenos grandes "senões": por um lado, obtém o mais fraco resultado de uma reeleição; por outro lado, perdeu a sua imagem de imaculado.

Um dos aspectos que recomendam uma segunda volta é o do cabal esclarecimento do “caso BPN”.

Se tivesse que eleger a pior figura nacional de 2010 não optaria por José Sócrates, mas por Angela Merkel.

A irritação mostra aos políticos da austeridade que os pagadores de facturas começaram a perder a paciência.

Julian Assange é um Robin dos bosques dos tempos modernos: rouba segredos aos poderosos para os dar ao cidadão comum.

O Tratado [de Lisboa] precisaria de ser larga e radicalmente revisto. Não para capturar direitos de voto, mas porque o seu articulado económico não resistiu à prova da crise.

Ao recandidatar-se, o actual presidente quis que pensássemos que sem ele estaríamos bem pior.