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Protestos em Lisboa contra a tentativa de destituição de Dilma

Brasileiros residentes em Portugal manifestaram-se hoje em frente à Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa para protestar contra a tentativa de destituição da Presidente, Dilma Rousseff, que consideram um “golpe de Estado”.
Brasileiros manifestaram-se a favor da democracia.

A manifestação decorreu numa altura em que, dentro da Faculdade, está a decorrer o IV Seminário Luso-Brasileiro de Direito, promovido pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (EDB/IDP) e pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Bruno Araújo, um dos organizadores da manifestação justificou esta ação por haver necessidade de "sair em defesa da democracia" no Brasil, "que está atualmente em risco".

Araújo que está em Portugal a fazer um doutoramento em Media e Política na Universidade Nova de Lisboa, declarou que este é um movimento constituído por brasileiros, entre professores e estudantes, num "ato notável de patriotismo".

"Sem um crime efetivo contra a Presidente, como prevê a Constituição, não há outro nome que ocorre se não o de que está a ocorrer uma tentativa de golpe de Estado contra Dilma", sublinhou o estudante.

Para Bruno Araújo "as pessoas presentes no seminário não têm estatuto moral para defender o «impeachment» da Presidente".

Averiguações “seletivas”

Por seu turno, Milton de Sousa, professor no Brasil, mas a residir em Portugal há cerca de um ano onde está a fazer um doutoramento em Teatro na Universidade Nova de Lisboa, indicou que os brasileiros são a favor das investigações contra a corrupção, mas que existe atualmente um "seletismo" nas averiguações.

"Os participantes no Congresso vêm discutir «Constituição e Democracia», mas no Brasil estão a promover o «impeachment» de uma Presidente democraticamente eleita", avançou.

Os manifestantes empunhavam cartazes com palavras de ordem como "no meu país não tem lugar para golpistas e fascistas", "democracia sim, golpe não" ou "no país de abril, golpismo não passará" ao mesmo tempo que entoavam cânticos, como "a verdade é dura, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) apoiou a ditadura", "não vai ter golpe", "Gilmar fascista não passará", "Serra ladrão respeite a Constituição" ou "o pré-sal é nosso".

 

Chegada de José Serra. #NãoVaiTerGolpe

Publicado por Carlos Guedes em Terça-feira, 29 de Março de 2016

Segundo a imprensa brasileira, a conferência de Lisboa, subordinada ao tema "Constituição e Crise -A Constituição no Contexto das Crises Política e Económica", foi vista por membros do Governo de Dilma Rousseff como um pretexto encontrado para reunir alguns dos principais líderes do movimento pró-destituição para a tentar derrubar.

Na conferência, estão presentes estão os senadores Aécio Neves e José Serra, ambos do Partido da Social Democrata Brasileira (PSDB), além do presidente do Tribunal de Contas da União, Aroldo Cedraz, e do magistrado do STF Dias Toffoli, bem como o juiz Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal brasileiro, que confirmou a suspensão da posse de Lula da Silva como ministro.

Michel Temer, vice-Presidente brasileiro, foi também convidado para o evento na qualidade de "constitucionalista" mas cancelou a participação para estar presente na reunião que se realiza hoje e que decidirá se o Partido do Movimento Democrático Brasileiro, de que é membro permanecerá na base aliada de Dilma Rousseff.

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