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Será demasiado querer saber porque morreu, e como morreu, o meu irmão?

Depoimento de Maria da Conceição Coelho – irmã de Rui Coelho, um dos desaparecidos no período de repressão que se seguiu ao 27 de Maio em Angola – na audição pública promovida pelo Bloco de Esquerda.
Rui Coelho
Quando foi preso no início de junho de 1977, Rui Coelho chefiava o gabinete do primeiro ministro angolano, Lopo de Nascimento.

No dia 27 de maio completam-se 40 anos sobre os trágicos acontecimentos em Angola.

Para que não caiam no esquecimento, estou aqui, para vos trazer a memória, a recordação e a saudade do meu irmão, Rui Coelho.

Cobardemente assassinado, o Rui foi uma, dos milhares de vítimas, desta tragédia.

Tinha 25 anos. Da sua execução não se sabem local, data ou circunstâncias. Não teve direito a qualquer tipo de julgamento ou defesa. Qualquer tipo de pseudo confissão, a existir, foi arrancada sob coacção e tortura.

Rui Coelho nem sequer estava em Angola por alturas do 27 de Maio de 1977. O seu assassinato aconteceu porquê? Para quê?

Violência? Terror? Ameaça? Atentado à vida e aos Direitos Humanos? Ou tudo isso junto?

Nascido na Catumbela, Rui Coelho, familiarmente conhecido por Zeca, era o terceiro de seis filhos de um casal de cidadãos portugueses.

Apesar de nascido na Catumbela, a maior parte da infância e adolescência viveu-a no Lobito.

A inteligência, o sentido de humor, a teimosia, a necessidade de autonomia e de independência, a curiosidade natural, o jeito para as línguas e o gosto pela leitura, pelo cinema, pela filatelia e pelo xadrez, eram alguns dos seus traços de personalidade.

Desde cedo evidenciou, também, capacidades de liderança à mistura com uma personalidade forte

No ano lectivo de 69/70, vem para Lisboa fazer o curso de Direito. Os primeiros tempos são de adaptação: à faculdade, ao lar universitário (no Lumiar), aos almoços e jantares nas cantinas universitárias e ao clima. Estranhou, sobretudo, o frio.

Em Lisboa reencontra antigos amigos de Angola, faz novos conhecimentos e trava novas amizades.

Os movimentos estudantis em Coimbra e Lisboa transportavam ventos de mudança e renovação, vivia-se em plena fase de lutas académicas. Com tudo isso tomou contacto.

No final dos anos 70, passou a viver com os irmãos mais velhos no Campo Grande. Numa casa situada num ponto estratégico: mesmo ao lado da Residência das Estudantes Ultramarinas, das Faculdades de Letras e de Direito e a uma centena de metros da Gôndola - um café de longas conversas, de encontros de muita gente ligada a África e local de refúgio de estudantes em debandada, à frente dos cavalos da Guarda Nacional Republicana, aquando das cargas na Cidade Universitária.

Em finais de 1973, decide regressar a Angola. Era então finalista: Faltava-lhe uma ou duas cadeiras para terminar Direito.

Instala-se em Luanda e inicia uma carreira de professor na Escola Comercial Vicente Ferreira. Entretanto, acontece o 25 de abril de 1974.

O Zeca casa-se, no Lobito, em abril de 1975. Continua a sua actividade docente na mesma escola, agora com a denominação de Escola 1º de Maio. E aí se mantém até ao final de 1975.

Sempre que se realizavam reuniões de professores era escolhido para as dirigir. Quando intervinha era muito seguro e inspirava autoridade. Integrava o Comité de Ação dos Professores do MPLA.

Em meados de Outubro de 1975, a mãe e os irmãos mais novos vêm para Portugal. O Rui fica em Angola. Só o voltaríamos a ver em Junho de 1976. Nessa altura, já cidadão angolano, ao serviço do Gabinete de Estudos do Ministério da Administração Interna de Angola, que integrara no início daquele ano. Vinha bastante magro, reuniu-se à família na casa do Campo Grande. Foi a última vez que esteve com a mãe e os irmãos. Foi a última vez que o vimos!

Quando se dá o 27 de Maio, ficámos alarmados com as notícias que vinham de Angola. E mais alarmados ainda quando começámos a ver a fotografia do Rui nos jornais. Não queríamos acreditar no que se estava a passar, nem nas calúnias de que era alvo. O Zeca, que tinha querido ficar em Angola porque a amava.

Nesse tempo, as comunicações entre Lisboa e Angola eram muito complicadas, frequentemente quase impossíveis: não conseguíamos falar para o Lobito onde estava o nosso pai, não conseguíamos falar para Luanda com a nossa cunhada, a mulher do Zeca.

Quando, finalmente, foi possível contactar uma pessoa amiga que vivia na capital angolana… ela não nos queria dizer nada, sentia-se-lhe o medo na voz, percebia-se que não podia falar.

Foram tempos difíceis, de ansiedade, de angústia, de desespero, de medo, aqui e ali pontuados com alguma réstia de esperança, entre boatos e indicações contraditórias...

A nossa mãe, sozinha em Portugal com os filhos, decide começar a escrever cartas. Uma à mulher do então Presidente da República Portuguesa com o objectivo de ela interceder junto do marido para conseguir informações e apoiar, se possível, uma actuação em defesa dos Direitos Humanos. Escreve também à Cruz Vermelha Portuguesa – e a outras instâncias - solicitando ajuda na obtenção de informações.

Até nós, só chegavam boatos dizendo que ele estava na prisão A, tinha sido visto na prisão B ou já fora transferido para um campo de reeducação. A minha irmã mais velha escreve também ao Presidente da República Popular de Angola, Agostinho Neto.

Após meses e meses de pedidos, apelos e insistências várias, a única informação oficial que obtivemos, até hoje, veio através de um frio telegrama da Cruz Vermelha Portuguesa (Junho de 1978): Informava, de forma crua, citando o MNE, que ele estava morto: Tinha sido executado.

Recusávamo-nos a acreditar e a aceitar. Até que recebemos a notícia de que se tinha conseguido uma Certidão de Óbito que referia a sua morte. Ironia do destino, neste capítulo, até fomos privilegiados: muitos dos familiares dos desaparecidos no 27 de Maio nunca obtiveram qualquer documento que comprovasse as execuções!!! Nós, até conseguimos duas certidões de óbito. As datas são diferentes: Uma refere-a como tendo ocorrido a 2 de Junho de 1977, outra indica a data de 2 de Julho. Não sabemos se alguma delas será verdadeira ou se serão ambas forjadas para esconder data, local, e circunstâncias do seu assassinato.

Durante algum tempo não fomos capazes sequer de dar estas notícias à nossa mãe. Foi a irmã mais velha, que teve de o fazer. Imaginam o sofrimento e a dor de um filho que tem de dar esta notícia à própria mãe? Jamais poderei esquecer gritos, lágrimas e palavras de dor da nossa mãe quando recebeu a notícia de que o filho tinha sido assassinado. Sem que nada (ou ninguém!) o pudesse explicar e, muito menos, justificar.

A minha mãe não se conformou. Recusou-se a aceitar a notícia do assassínio do filho…Durante muitos anos (vá-se lá saber com que base…) manteve a esperança de que ele pudesse estar vivo.

No meio de toda aquela dor, de todo aquele desespero, apenas a boa notícia, a alegria de sabermos que o nosso pai, iria trazer o Ruca, (Rui Tukayana, filho do Zeca, já então com seis meses de vida), para Portugal, para a segurança e o carinho da restante família.

Todos estes anos volvidos, continuamos sem vislumbrar motivos ou até razões irracionais que ajudem a perceber o seu assassinato.

Em 1977, ele, quase advogado e defensor de causas, foi preso. Sem culpa formada, torturado e executado por uma qualquer instância de poder, tão anónima como cobarde. Ele, que nem se encontrava em Angola aquando do 27 de maio…!

À data dos trágicos acontecimentos, o meu irmão era chefe de gabinete do primeiro ministro da RPA, Lopo de Nascimento.

Integrado na comitiva oficial, acompanhou a visita do 1º ministro à Argélia. Como comprovam os carimbos do seu passaporte, saiu de Luanda a 23 de Maio (data em que aterrou no aeroporto Dar El Beida, de Argel). Lá permaneceu até 1 de Junho, tendo aterrado em Luanda nesse mesmo dia.

Socorro-me aqui das palavras da minha cunhada Mª Emília Ferreira Coelho:

Quando regressou a 01 de Junho, a tragédia de 27 de Maio ainda estava na ordem do dia. A marcar a situação política. Eu sabia que era impossível ir buscá-lo ao aeroporto, por isso, aguardava-o com ansiedade, em casa. Quando chegou trazia o rosto carregado pelos acontecimentos. Disse-me que lhe tinham roubado a carteira à chegada ao aeroporto.

(…)

No dia seguinte (2 de Junho) vieram buscar-nos a casa. Dois soldados armados de metralhadora exigiram que fossemos com eles, conforme estávamos.

(…)

Levaram-nos para o Ministério da Administração Interna. Permanecemos lá durante toda a tarde, sentados num banco. Era um corredor em jeito de varanda que dava para um pátio interior. Ali permanecemos. Nas horas que ali estivemos falámos pouco.

Estávamos horrivelmente destroçados. Tentávamos dissipar a nossa tristeza fazendo projectos a curto prazo. Assim, combinámos que o bebé se fosse menino se chamaria Rui. Não chegámos a acordo se fosse menina.

Pediu-me que eu voltasse para Portugal logo que pudesse. Pediu-me, também, que lhe levasse as sebentas da Faculdade para ir estudando, para poder, então, acabar o curso.

(…)

Era já noite quando nos foram buscar. Meterem-nos num cubículo escuro. Apercebemo-nos que mais alguém coabitava aquele espaço, mas não ousámos saber quem era. Pela madrugada levaram-nos para a cadeia de S. Paulo.

A separação de homens para um lado, mulheres para o outro afastou-nos definitivamente um do outro e nunca mais nos vimos.

Já depois de sair da prisão, uma noite estava a minha cunhada em casa quando lhe bateu à porta um “amigo”. Era também do Lobito. Cumprimentou-o com alegria, pensando que lhe trazia notícias do marido.

Afinal o tal amigo era da DISA. E trazia a carteira desaparecida no aeroporto aquando da chegada da Argélia de Rui Coelho.

Pediu-lhe para conferir o conteúdo da carteira. Tinha os documentos, as canetas e pequenos objectos de escritório do meu irmão. Sobre o Rui e o seu paradeiro nada lhe disse.

Tal como nós, a minha cunhada nunca obteve notícias de fonte fidedigna. Não estava na Cadeia de S. Paulo! Estaria na Fortaleza? Em qualquer outro sítio?

Na verdade, ela nunca conseguiu saber se o meu irmão soubera ao menos que no dia 15 de Agosto de 1977 tinha sido pai de um rapaz.

Os dias continuavam a passar e a minha cunhada decide tentar obter notícias sobre o Zeca junto do Ministério da Administração Interna. Pede uma audiência ao Ministro ou a alguém que o substituísse. Não conseguiu à primeira, mas, conseguiu à segunda!

Cito de novo as suas palavras:

Foi então que, recebi a notícia que eu nunca queria ter ouvido. Ouvi- a lá num gabinete, quando me sentei à frente de uma secretária onde estava sentado alguém que se fingia muito educado, muito sentido, e lamentando-se por me estar a confirmar o falecimento do meu marido.

Só no ano seguinte (1978) ela conseguiu a Certidão de Narrativa Completa de Registo de Óbito. Aí consta que Rui José Pinto de Matos Coelho faleceu no dia dois de Junho de mil novecentos e setenta e sete. Ou seja o próprio dia da sua prisão!!!

Obviamente esta certidão não tem qualquer valor e bastaria a data para se perceber que tinha sido forjada. Como já anteriormente disse, viria depois a aparecer uma segunda Certidão com a data de 2 de Julho – ou seja, um mês depois.

O que de violência e tortura se pretendia esconder com esta falsificação de documentos, continua por apurar.

Repito, ao meu irmão nunca foi apontado qualquer crime de sangue ou qualquer ato violento. Apesar de o pretender usar como instrumento de ameça, coação e terror, a máquina de propaganda do MPLA mais não consegue do que uma acusação de colaboração na redacção das chamadas Teses de Nito Alves.

Foi isso que aconteceu com uma pseudo-confissão num programa da Televisão Popular de Angola, onde estavam ainda vários agentes da DISA e Manuel Rui Monteiro, do Ministério da Defesa. Foi isso que aconteceu também com uma pretensa autocrítica (com chamada de 1ª Página e grande desenvolvimento no interior) publicada no Jornal de Angola.

Não sabemos sequer se, no momento em que foi emitido o programa de televisão ou foi feita a publicação no jornal oficial do regime, ele ainda estaria vivo. Ou se já tinha sido assassinado... Recorde-se, uma vez mais, que não conhecemos data e local da sua execução.

Conheço perfeitamente - fui ativista da Amnistia Internacional – o modo como se obtêm estas pretensas confissões! E através dos testemunhos de ex-prisioneiros que com ele contactaram, sabemos que foi sujeito a interrogatórios sob tortura, durante a sua permanência na cadeia de S. Paulo.

E também, que foi levado à denominada Comissão das Lágrimas - constituída por quadros e intelectuais do MPLA (entre outros, Iko Carreira, Onambwé, Pepetela, Luandino Vieira, Diógenes Boavida, etc.).

Do mais… apenas aquelas certidões de óbito. Quem são os responsáveis? Por acção ou omissão?

O desespero, a não-aceitação dos factos, a impossibilidade de se saber em concreto o que se passou, torna ainda hoje extremamente difícil esta narrativa. É difícil falar da dor… mas ainda é mais difícil falar do que não se entende, não se aceita, não se compreende...

Mas estamos num tempo em que é necessário e urgente saber o que se passou. É urgente resgatar a memória dos que foram cobardemente assassinados, sem direito a qualquer tipo de julgamento ou defesa É urgente que as circunstâncias do seu assassinato sejam esclarecidas e identificados os responsáveis. À luz das normas do Direito Internacional.

E nós, os irmãos (porque os pais já faleceram) queremos saber porque foi morto o Rui Coelho que nunca, fosse de que forma fosse, atentou contra a vida de ninguém. Queremos resgatar a sua memória e o seu bom nome.

Queremos ter acesso às suas ossadas para que a família possa cumprir o luto e dar-lhe um enterro digno. A dor, essa, permanecerá para sempre!

Não há vidas sem história. Esta é a história de uma vida: curta, precocemente interrompida, ceifada de forma cruel, cobarde, contrariando todos os princípios de defesa dos Direitos Humanos. Um crime tão absurdo como repugnante que roubou a vida a um jovem de 25 anos que nunca chegou a poder conhecer e acariciar o seu filho.

Quarenta anos depois, este pequeno relato/retrato constitui, sobretudo, uma homenagem ao meu irmão, um cidadão generoso e idealista, que lutou por um mundo mais justo e melhor, defendendo as ideias em que acreditava.

 


Ouça aqui na íntegra a audição promovida pelo Bloco de Esquerda sobre os acontecimentos do 27 de Maio de 1977 em Angola,

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