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Quem é quem na política iraniana

Khamenei foi presidente do Irão entre 1981 e 1989, sendo eleito com mais de 95% dos votos e posteriormente reeleito com 85%. Meses antes, foi vítima de um atentado que terá sido perpetrado pela Organização Mujahedin Khalq, tendo sido ferido no peito e na mão.

A sua presidência foi marcada pela repressão contra os "desvios, o liberalismo e a esquerda" e pela guerra Irão-Iraque (1980-88). Durante quase todo o seu mandato, o primeiro-ministro foi Mir Hussein Moussavi, até que em 1989 esse cargo foi extinto.

Confirmou a validade das últimas eleições e disse que Ahmadinejad é "o presidente de todos os iranianos"

Site oficial: http://www.leader.ir/langs/en/

 

Mahmoud Ahmadinejad

Mahmoud Ahmadinejad

Engenheiro civil formado pela Universidade de Teerão, Mahmoud Ahmadinejad foi fundador da Associação Islâmica de Estudantes da Universidade de Ciência e Tecnologia. Durante a guerra Irão-Iraque, participou das forças voluntárias em diferentes frentes de batalha.

Governou as cidades de Makd e Khoy durante quatro anos e foi conselheiro do governador-geral da província de Curdistão. Tornou-se governador da província de Ardabil, em 1993, sendo destituído em 1997 pelo presidente Mohammad Khatami.

Em Junho de 2005, foi eleito presidente, obtendo cerca de 62% dos votos e derrotando na 2ª volta Hashemi Rafsanjani. Disse na campanha que pretendia criar "um governo exemplar para os povos do mundo" e definiu a sua política dentro dos princípios islâmicos e revolucionários. Um dos seus proclamados objectivos foi "pôr o rendimento do petróleo na mesa das pessoas".

Apesar de ser profundamente religioso, foi um dos primeiros não integrantes do clero a ser eleito presidente do Irão desde 1981.

São conhecidas as suas posições linha-dura, opondo-se às reformas das instituições políticas.

Site oficial: http://www.president.ir/en/

Mir Hussein Moussavi

Mir Hussein Moussavi

Arquitecto formado pela Universidade de Teerão, é especialista em arquitectura islâmica tradicional e preside à Academia Iraniana de Artes. Foi o quinto e último primeiro-ministro do Irão, de 1981 a 1989. O cargo foi extinto, na mudança constitucional de 1989.

Nos primeiros anos da revolução, foi editor do jornal oficial do Partido Republicano Islâmico, o Jomhouri-e Eslami ("República Islâmica").

Manteve-se fora da política depois de 1989, mas voltou para concorrer à Presidência, contando com o apoio dos ex-presidentes Mohammad Khatami e Hashemi Rafsanjani. A sua candidatura despertou uma onda de entusiasmo e desencadeou a revolta quando foi anunciada a vitória de Ahmadinejad, denunciada como fraudulenta. Moussavi pediu a repetição das eleições e chamou a sucessivas manifestações de protesto.

Mohammad Khatami

Mohammad Khatami

Formado em Filosofia ocidental na Universidade de Isfahan, estudou Ciências Islâmicas em Qom, até o mais alto nível, Ijtihad. Foi depois para Alemanha, onde dirigiu o Centro Islâmico de Hamburgo, cargo que ocupou até a Revolução iraniana. Foi deputado de 1980 a 1982 e Ministro de Cultura (de 1982 a 1986, e por um segundo período de 1989 até o 24 de maio de 1992, data em que renunciou).

Em 1997, Khatami foi eleito presidente com cerca de 70% dos votos, e reeleito para um segundo mandato em 2001. O centro da sua campanha foi o império da Lei, a democracia e a inclusão de todos os iranianos no processo de tomada de decisões políticas.

Khatami concorreu inicialmente às eleições de 2009, mas depois retirou-se da disputa e apoiou Hussein Moussavi.

Ali Akbar Hashemi Rafsanjani

Estudou teologia em Qom junto com o ayatollah Khomeini, tornando-se muito próximo deste. Foi presidente do Parlamento de 1980 a 1989. No último ano da guerra com o Iraque, foi nomeado por Khomeini comandante em-chefe das Forças Armadas.

Rafsanjani foi o presidente do Irão entre 1989 e 1997. Em 2005 candidatou-se outra vez, venceu o 1º turno, mas perdeu no segundo turno para Ahmadinejad.

É considerado o homem mais rico do Irão. A sua família possui um vasto império empresarial na área do comércio externo (é o maior exportador de pistácio do país), possui vastas propriedades fundiárias e é dona da maior rede de universidades privadas do país, com 300 campi em todo o país e 3 milhões de estudantes.

Apoiou Moussavi e foi acusado de corrupção por Ahmadinejad. Os seus filhos foram impedidos de sair do país durante a actual crise.

Guarda Revolucionária

Guarda Revolucionária

O Corpo da Guarda da Revolução Islâmica do Irão foi criado logo após a revolução para defender o sistema islâmico do país e para oferecer um contrapeso às Forças Armadas. Desde então, tornou-se uma importante força militar, política e económica no Irão, com fortes vínculos com o Líder Supremo e com o presidente Mahmoud Ahmadinejad, um de seus ex-membros.

Calcula-se que tenha 125 mil tropas activas.

A guarda também tem uma presença poderosa em instituições civis e, acredita-se, controla cerca de um terço da economia do Irão por meio de uma série de subsidiárias.

Milícias Basij

Milícias Basij

A Guarda Revolucionária também controla a Força de Resistência Basij, uma milícia voluntária islâmica com cerca de 90 mil homens e mulheres e capacidade adicional de mobilizar quase um milhão de pessoas.

Em tempos de crise, a Basij, ou Mobilização dos Oprimidos, é chamada com frequência às ruas para acabar com a discórdia por meio da força. Possui núcleos em todas as cidades do país.

(...)

Resto dossier

A revolta iraniana

O Irão vive o maior momento de agitação desde a revolução islâmica de 1979. Com milhões de pessoas nas ruas contestando o resultado das eleições presidenciais, supostamente ganhas pelo actual presidente Ahmadinejad, os protestos já dividiram o regime e os resultados são imprevisíveis. Neste dossier, coordenado  por Luis Leiria, o Esquerda.net procura analisar e contextualizar a revolta.

Será que o gato sobre o precipício vai cair?

Qualquer que seja o desenlace, é decisivo ter em conta que estamos a testemunhar no Irão um grande evento emancipatório que não cabe no enquadramento da luta entre liberais pró-ocidentais e fundamentalistas anti-ocidentais.
Por Slavoj Zizek, publicado em Support for the Iranian People 2009

A esquerda e a revolta no Irão

Sectores de esquerda, inspirados por acontecimentos recentes no Médio Oriente e na Europa de Leste, interpretaram os protestos no Irão como mais uma versão das recentemente inventadas revoluções com nomes de cores, neoliberais, apoiadas pelos EUA. Mas é esse o caso no Irão? Este artigo, escrito pelos tradutores e filósofos iranianos Morad Farhadpour e Omid Mehrgan, tenta clarificar essa questão.

Irão: Os símbolos não são suficientes para ganhar esta batalha

Não obstante os seus objectivos difíceis, o que rebentou no Irão é de facto uma "intifada". Mas não se derrubam revoluções islâmicas com as luzes do carro. E muito menos com velas. Os protestos pacíficos até podem ter servido a Gandhi, mas o Líder Supremo do Irão não vai preocupar-se com alguns milhares de manifestantes nas ruas mesmo que cantem "Allahu Akbar" nos seus telhados todas as noites.
Por Robert Fisk, The Independent, 23/6/2009

Siemens e Nokia ajudam Irão a censurar a Internet

Uma joint-venture entre a alemã Siemens e a finlandesa Nokia ajudou o regime iraniano a instalar um dos mais sofisticados mecanismos de censura da Internet do mundo, permitindo examinar de forma maciça o conteúdo dos pacotes de dados circulando na rede, sejam eles e-mails, fotos, vídeos ou até chamadas telefónicas pela rede. A notícia é avançada pelo Wall Street Journal.

Quem é quem na política iraniana

O líder supremo, ayatollah Ali Khamenei O líder supremo, ayatollah Ali Khamenei

O grande ayatollah Sayyid Ali Hoseyni Khamenei é o Líder Supremo do Irão desde 1989, sucedendo ao ayatollah Khomeini depois da morte deste. O cargo de Líder Supremo, criado pela Constituição da República Islâmica, é o mais alto cargo político e a mais alta autoridade religiosa da Nação, superior, portanto, ao de Presidente da República. Aliás, é ele que nomeia seis dos 12 juristas que compõem o Conselho dos Guardiães, que decide quem pode se candidatar à Presidência.

Choram-se os mortos do Irão - mas a luta continua

Apesar da intimidação, a vontade de derrubar Ahmadinejad continua forte, afirma o jornalista Robert Fisk neste artigo publicado originalmente no The Indepedent de Londres. O "presidente" Ahmadinejad é cada vez mais um homem muito solitário, afirma o famoso jornalista

O Irão em ebulição

Lee Sustar, do Socialist Worker, analisa a dinâmica dos protestos populares e da repressão no Irão, na sequência das eleições presidenciais fraudulentas.

Irão: As desigualdades fragilizam a República islâmica

Trinta anos depois da Revolução islâmica, o país reduziu as disparidades entre cidades e campos. Mas as províncias habitadas por minorias étnicas continuam marginalizadas.
O Irão é hoje um país complexo que conheceu uma verdadeira revolução das mentalidades no decurso das últimas três décadas. Nasceram grandes centros urbanos. A família iraniana aproximou-se, na sua forma, das famílias dos países industrializados e o nível médio de educação progrediu fortemente.
Artigo de Thierry Coville

Ataques pessoais e acusações de corrupção no debate televisivo

Entre 2 e 8 de Junho, a TV estatal IRIB promoveu debates entre os candidatos presidenciais, sempre envolvendo dois deles. Foi a primeira vez que houve debates televisivos nas eleições iranianas. O mais aceso foi o que opôs Moussavi a Ahmadinejad, que envolveu ataques pessoais e acusações de corrupção. Artigo do Guardian resumindo o debate.

A agenda Moussavi

Um resumo do programa apresentado por Mir Hussein Moussavi durante a campanha eleitoral. Artigo de Tara Mahtafar, do Tehran Bureau.
Mir Hussein Moussavi apelidou a sua futura administração de "Governo da esperança" (dolat-e omid). Numa entrevista de televisão, ele convidou os eleitores a estudar a brochura de cem páginas que detalha as suas políticas, em formato impresso ou electrónico. Eis alguns destaques programáticos da agenda Moussavi: