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As privatizações que fazem mal ao défice

Já ontem aqui falei das privatizações invisíveis . Invisíveis porque foram anunciadas pelo ministro das Finanças à agência de informação financeira Bloomberg mas parecem não merecer a atenção de analistas e jornalistas. Ontem escrevi sobre os efeitos sociais e para a coesão territorial desta medida. Mas uma questão poderia ser levanta: no estado em que estão as nossas finanças públicas, seis mil milhões de euros, que é quanto os cofres públicos poderão arrecadar com estas privatizações, não é coisa pouca.

Não deve ser o único critério - porque este país vai continuar a existir depois e para além do défice e porque o património que se vende nunca mais regressa -, mas pode ser legitimo pensar o que fazer com as empresas que dão prejuízo. E com as que dão lucro? Não é dinheiro que se perde? Façamos então as contas.

Quanto vamos poupar em juros da dívida pública com a venda das participações do Estado? Segundo o governo, 170 milhões de euros anuais - 0,1 por cento do PIB. Ora, só os CTT e a EDP (a última é detida em vinte por cento pelo Estado) garantiram, em 2009, mais coisa menos coisa, exactamente o mesmo aos cofres públicos em dividendos. Se a isto juntarmos a seguradora da Caixa Geral de Depósitos e a Galp, percebemos que com a venda das suas participações nestas empresas o Estado perde mais do que o que poupa com o todo o pacote de privatizações.

Ou seja, o que se poupa em juros está longe de compensar o que Estado vai perder todos os anos em receitas só com estas empresas. Conclusão: pelo menos a privatização dos CTT, da Fidelidade e das participações do Estado na Galp e na EDP aumenta o défice. Se o problema fosse mesmo o défice, estas empresas teriam seguramente de ficar de fora do pacote de vendas.

Os portugueses não ganham nada com a privatização destas empresas. Nem na economia, nem nas finanças públicas. Resta a outra possibilidade: alguém, que não nós, lucrará com esta decisão. Já sabíamos e confirmamos: a crise orçamental é sempre uma excelente oportunidade para bons negócios.

Sobre o/a autor(a)

Jornalista, Expresso, SIC Notícias
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Resto dossier

PEC 2010

A actualização do Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) revelou a estratégia para a economia e os resultados que o governo espera alcançar nos próximos anos. Este dossier debate as medidas do PEC 2010.

Declaração sobre o PEC

No final da reunião de Concertação Social onde o governo apresentou o resumo do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), o Secretário-geral da CGTP-IN, Manuel Carvalho da Silva, fez uma declaração onde destacou o prosseguimento e possível aprofundamento da crise, uma perigosa fragilização das políticas sociais e desvalorização dos salários dos trabalhadores e a ameça das privatizações. Publicado em CGTP

Privatização dos CTT: mais Estado em mãos privadas

A ideia de que, também no sector postal, só a liberalização e a privatização permitiriam aumentar a qualidade, satisfazer as necessidades da economia e das pessoas, diminuindo ao mesmo tempo o preço dos serviços, já vem sendo defendida há pelo menos 20 anos pela gente do costume.

As privatizações que fazem mal ao défice

As privatizações vão fazer o Estado poupar, todos os anos, 170 milhões de euros em juros da dívida. Só a EDP e os CTT dão isso em dividendos. Junte-se a Galp e a Fidelidade.

Contra o ajustamento “inevitável”

O Governo de Zapatero parece um piloto desnorteado. Não é capaz de apresentar uma linha de actuação vigorosa. E quando anuncia medidas acaba por desdizer-se no dia seguinte.

Uma odisseia de sonhos

Toda a gente tem uma teoria sobre a crise financeira. Estas teorias vão desde o absurdo até ao plausível – desde afirmações de que Democratas liberais de alguma forma forçaram os bancos a emprestar a pobres sem valor (embora os Republicanos controlassem o Congresso) até à crença de que instrumentos financeiros invulgares alimentaram a confusão e a fraude. Mas o que sabemos realmente?

Salários e competitividade

Recorrentemente, alguns economistas estrangeiros e portugueses vêm sugerir uma descida de salários nominais como forma da nossa economia ganhar, ou melhor, recuperar a competitividade externa que tem perdido desde meados dos anos noventa.

O fim do jogo para a Europa: o corte salarial e a batalha pelas exportações

Afirmei que os esforços da Letónia para a redução de custos são evidentes comparados com uma amostra significativa dos países da União Europeia. Os esforços da Letónia, ainda que louváveis, foram em larga medida o resultado do plano de emergência de empréstimo do FMI, em Dezembro de 2008, e a consequente recessão em 2009.