O fim do jogo para a Europa: o corte salarial e a batalha pelas exportações

14 de março 2010 - 0:00
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Depois de uma troca de e-mail com Marshall Auerback, e pensando mais acerca dessa amostra da Europa, vejo agora uma tendência bastante assustadora a emergir por toda a Europa: a batalha pela exportação.



Sem dúvida, os esforços da Letónia são assinaláveis, já que aceleração no aumento dos custos do trabalho por hora caiu a um ritmo vertiginoso de 22% em 2007-2008 para apenas 2,8% no primeiro trimestre de 2009 comparativamente ao mesmo período de 2008 (os dados do Eurostat estão truncados no terceiro trimestre 2009).



Mas olhemos para o comportamento semelhante de cortes salariais por toda a União Europeia, especialmente nos que almejam fazer parte da Zona Euro (a Letónia, Lituânia e a Estónia estão a preparar-se para adoptar o euro nos próximos anos).



A batalha pela exportação começou. Comparativamente ao mesmo período em 2008, os três primeiros trimestres de 2009 tiveram um decréscimo nos custos anuais do trabalho por hora de: 4,9% na Lituânia, 0,8% no Reino Unido, e 0,5% na Estónia. Na verdade, todos os países da lista de 26 países, com excepção de Bélgica, Alemanha, Grécia e Espanha, viram a taxa de crescimento salarial por hora baixar desde 2008. A taxa de câmbio é fixa, portanto o único mecanismo para aumentar a competitividade externa é através da descida dos preços (salários). É óbvio que este modelo de crescimento não pode funcionar para a Zona Euro como um todo.



O modelo da Letónia: reduzir os salários para aumentar exportações. Da Grécia: reduzir os salários para aumentar exportações. Da França, Alemanha, Espanha, Portugal etc., etc. É impossível que toda a Zona Euro reduza os salários para aumentar as receitas das exportações. É particularmente negativo para países como a Letónia ou a Hungria, onde a maior parte do comércio ocorre dentro das fronteiras da Europa.



E o que acontece quando as receitas das exportações não propiciarem o estímulo para o aumento da procura agregada? Bom, não resta muito mais a fazer. Não é possível desvalorizar a moeda (através da impressão do dinheiro), e as receitas dos impostos irão cair mais rapidamente que alguma vez foi visto: aumentando o défice; aumentando a despesa; aumentando o serviço de dívida (por via do aumento de spreads). O incumprimento por parte das nações parece ser uma certeza eminente algures na Zona Euro!



Traduzido por: Sara Vicente

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