PES é um “conjunto de medidas paliativas”

CGTP considera que o Programa de Emergência Social (PES) não passa de um “conjunto de medidas paliativas”. Representantes da Igreja Católica também tecem duras críticas à política do governo.

11 de outubro 2011 - 12:36
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O ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, apresenta o PES, 5 de Agosto de 2011 – Foto de Miguel A. Lopes/Lusa.

Para a CGTP, o PES é um conjunto de medidas paliativas para esconder a realidade. Maria do Carmo Tavares, da comissão executiva da central sindical, alertou que “à semelhança de planos anteriores”, esta proposta “pode ser uma pescadinha de rabo na boca”, que leva a “situações de falência em vez de apoiar verdadeiramente os trabalhadores e a criação de emprego”.

“Eu não admito um Estado assistencialista”

As críticas à política do governo também se fazem ouvir por parte de representantes da Igreja Católica.

D. Manuel Martins critica a “filosofia económica que estamos a viver, que se implantou no mundo como uma verdadeira divindade” e que nos sujeita aos “grandes senhores do dinheiro”.

O ex-Bispo de Setúbal insurge-se contra “esta economia neoliberal e estas leis laborais contra a dignidade e os direitos das pessoas”, alertando para o facto de, mediante a diminuição das “compensações e do tempo de subsídio” de desemprego, a situação ir “piorar”.

“Mete-me uma raiva especial quando vejo o governo a justificar as suas políticas e as suas preocupações de manter e conservar e valorizar o estado social do país”, afirma ainda D. Manuel Martins, adiantando que “se há alguém que esteja a destruir o estado social do país, é o governo, com o que se passa a nível da saúde, a nível da educação, a nível da vida das famílias, dos impostos, dos remédios, mas que tem só atingido as pessoas menos capazes, enfim as pessoas que andam no chão, as pessoas que estão cada vez com mais dificuldades em viverem o dia-a-dia, precisamente por causa destas medidas do governo”.

Este representante da Igreja Católica realça que não admite “um Estado assistencialista”, sublinhando que tal postura equiparia o Estado a um “director de um asilo”. 

Governo tem falta de sensibilidade e é incompetente

Numa entrevista ao jornalista Manuel Vilas Boas, da TSF, o bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, diz, por sua vez, não querer ser cúmplice com “esta multidão de pessoas que já foram desapossadas da sua dignidade, do respeito por elas próprias”, elogia a esquerda e acusa o governo de falta de sensibilidade e de incompetência.

Governo não tem feito nada para colmatar as medidas de austeridade

O presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, considera que perante o agudizar da crise económica e social, o governo português não tem feito nada para colmatar as medidas de austeridade, sendo que “até agora tem sido a sociedade civil a suportar o apoio às situações de emergência”.

 Algumas medidas introduzidas merecem a crítica de Eugénio Fonseca. Segundo este, as alterações ao Rendimento Social de Inserção implicaram a perda da prestação para muitas “pessoas que não eram fraudulentas”.

 A não comparticipação das despesas com as crianças enquadradas nas creches também merece um reparo do presidente da Cáritas. “O risco é as instituições optarem só por aqueles que podem pagar, pervertendo a identidade” das instituições de solidariedade social, alerta.

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