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Mudança política em Espanha

Espanha atravessa uma profunda mudança política. Os Indignados e as múltiplas ações de protesto contra as políticas de austeridade chegaram à vida política, com o fim do bipartidarismo e a emergência de novas forças políticas e da cidadania ativa. As eleições municipais e autonómicas de 24 de maio mostraram o caminho dessa mudança. Dossier organizado por Carlos Santos

Neste dossier, apontam-se traços importantes dos resultados das eleições autonómicas e municipais e apresenta-se uma primeira análise geral dos resultados. Publicamos também um artigo sobre quem é Manuela Carmena e o que quer para Madrid.

Republicamos ainda reflexões de uma jornada histórica de Pablo Iglesias, a perspetiva de Esther Vivas sobre a mudança em Barcelona e um texto sobre a vitória do Bloco Nacionalista Galego em Pontevedra.

A mudança deverá prosseguir nas próximas eleições autonómicas na Catalunha, em setembro de 2015, preparando-se as eleições legislativas, que terão lugar antes do fim do ano, tendo como data limite o dia 20 de dezembro de 2015.

A mudança a caminho na sociedade espanhola tem como pano de fundo a profunda indignação da maioria da população espanhola contra as políticas de austeridade, impostas pelo atual governo do PP, pelo anterior do PSOE e pela troika. A mudança reflete também um profundo mal-estar contra o anquilosado quadro político e constitucional saído da chamada transição, do qual saiu o bipartidarismo. A revolta é simultaneamente contra as políticas de austeridade e contra o regime do bipartidarismo, que nos últimos anos mostrou a corrupção.

O mais importante é, no entanto, a emergência de novas forças políticas – o Podemos – e o surgimento no cenário político de uma cidadania ativa. O poderoso movimento, que em 2011 ocupou as ruas das principais cidades de Espanha, ressurge na cidadania ativa que luta pela mudança política.

E, simultaneamente, a mudança é política e social. A continuidade da mudança está na cidadania ativa, construindo candidaturas políticas de unidade popular. Mas poderá e deverá estar também nas lutas sociais, que prosseguem em toda a Espanha. Do reforço e desenvolvimento dessa luta está dependente a ampliação da adesão popular à mudança e à capacidade de ganhar a maioria para derrotar o PP e abrir o caminho para varrer a política austeritária.

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Resto dossier

Mudança política em Espanha

Espanha atravessa uma profunda mudança política. Os Indignados e as múltiplas ações de protesto contra as políticas de austeridade chegaram à vida política, com o fim do bipartidarismo e a emergência de novas forças políticas e da cidadania ativa. As eleições municipais e autonómicas de 24 de maio mostraram o caminho dessa mudança.
Dossier organizado por Carlos Santos

Candidaturas cidadãs podem governar em sete importantes cidades

Um traço marcante nas eleições municipais de 24M em Espanha foi a emergência e a força que ganharam as candidaturas cidadãs. Poderão vir a governar as cidades de Madrid, Barcelona, Saragoça, Corunha, Oviedo, Cádis e Santiago de Compostela. O bipartidarismo (PP+PSOE), que tem sido absolutamente dominante em quase todos os municípios do Estado espanhol, atinge o seu ponto mais baixo.

Podemos é o terceiro partido nos parlamentos autonómicos

As eleições autonómicas de 24 de maio (24M) concretizaram o fim do bipartidarismo em Espanha. PP e PSOE perderam, em conjunto 160 deputados e mais 2,7 milhões de votos. O Podemos afirma-se como terceiro partido, com representação parlamentar em todas as autonomias onde houve eleições.

Estado espanhol: No 24-M começou a mudança

As urnas emanam uma mensagem inequívoca: fora o PP de todas as instituições, mas o Podemos e as CUP devem ser garantes do aprofundamento da mudança, até conseguir a rutura democrática e evitar que o PSOE articule uma regeneração cosmética dos velhos andaimes. Por Manuel Garí, Viento Sur.

Quem é Manuela Carmena e o que quer para Madrid

A candidata à Câmara de Madrid pela lista “Ahora Madrid”, Manuela Carmena é uma ex-juíza de 71 anos. O seu plano de governo inclui cinco medidas urgentes para os primeiros 100 dias: paralisar os despejos e a privatização de serviços públicos, garantir água e luz a todas as pessoas, garantir os serviços de saúde e desenvolver um plano urgente de emprego. Por Andrés Gil de eldiario.es

Chegou a primavera: reflexões de uma jornada histórica, por Pablo Iglesias

Acabou-se o inverno e chega uma primavera que nos levará a novembro. O terreno é-nos propício e à presença institucional somamos a experiência de combate. Toca a sair das trincheiras; restam poucos meses para a mudança. Artigo de Pablo Iglesias, secretário-geral do Podemos.

Barcelona, epicentro da mudança

Esse “sim, podemos” que durante meses ecoou nas praças e ruas após uma inesquecível Primavera Indignada de 2011 chega agora como um terramoto às instituições, algo inimaginável então. A vitória de Barcelona em Comum em Barcelona, com Ada Colau à frente, fez saltar pelos ares o tabuleiro político.

BNG conquista Pontevedra com resultado histórico

Nacionalistas galegos infligem pesada derrota aos conservadores do PP na cidade natal do primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy. BNG passa de 11 para 12 vereadores eleitos e o PP de 11 para 7.