Por umas horas, o povo escocês terá o futuro nas suas mãos. Podem escolher manter esse poder ou devolvê-lo a um estado dominado pela classe governante britânica. A independência por si só não resolveria todos os problemas, mas daria à população da Escócia a possibilidade de criar uma sociedade mais justa, mais íntegra e mais sustentável.
Quando os Sandinistas, na Nicarágua, correram com um ditador e começaram a construir hospitais e escolas, e a nacionalizar a indústria, tiveram a oposição dos EUA. Representavam a “ameaça de um bom exemplo”. Se a Escócia deixar o Reino Unido, nós, em Inglaterra, teremos uma maioria conservadora. Mas se uma Escócia independente tiver sucesso, isso será, para nós, a ameaça do bom exemplo, e mostrará que um governo progressista pode melhorar a vida do presente e construir um futuro sustentável.
Um governo escocês que reproduza uma versão pálida das políticas de Westminster será deitar fora uma oportunidade. Um governo escocês que ponha os interesses a longo prazo da população em primeiro lugar poderá deslocar o centro da discussão política para a esquerda e fazer um favor a todos nós.
Tradução de Mariana Vieira