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A agenda Moussavi

Economia

Políticas:

- Transparência dos contratos petrolíferos e dos rendimentos para combater a extorsão e a corrupção;

- Expansão do sector privado e criação de sindicatos de trabalhadores;

- Afastar-se de uma economia baseada no petróleo.

Programas:

- Transformação da indústria petrolífera num motor do desenvolvimento económico;

- Redução da pobreza, de acordo com o artigo 33 da Constituição;

- Revisão orçamentária para minimizar o desperdício de gastos governamentais;

- Modificação dos modelos de consumo de energia;

- Combate à hiperinflação e à excessiva liquidez.

O texto desenvolve a sua política diplomática externa e programas em outras áreas, incluindo o sistema educativo, transporte e logística, segurança social, serviços de saúde, conservação ambiental, arte e cultura, e direitos das mulheres.

Uma parte do programa que Moussavi ardentemente defendeu em cada discurso é o "e-governo", explicado da seguinte forma:

- Fornecer acesso telefónico à Internet em todo o país;

- Aumentar a largura de banda da Internet banda-larga para os utilizadores privados;

- Revisão da política de filtragem para preservar as liberdades de expressão e de imprensa;

- Expansão da economia baseada no conhecimento, apoiando negócios tecnológicos e iniciativas sociais;

- Desenvolvimento dos serviços governamentais online para aumentar a eficiência e a comodidade.

Num apêndice, o candidato reformista incluiu uma carta de direitos civis, uma declaração sobre os direitos das minorias étnicas e religiosas, e um programa "ponte" para a diáspora iraniana - todas iniciativas inéditas no discurso político de qualquer candidato presidencial nos 30 anos de história da República Islâmica.

A "onda verde" nascida na base da campanha de Moussavi, nas palavras de um analista, tornou-se numa "enchente verde" - graças às campanhas de rua e da ciberesfera, orquestrada por uma base enérgica, jovem e hábil nas novas tecnologias e pelos esforços que atravessam todo o espectro demográfico: urbano e rural, privilegiado e pobre, grupos étnicos, mulheres - estendendo-se até à brigada jovem pró-linha-dura basij.

10/6/2009

(...)

Resto dossier

A revolta iraniana

O Irão vive o maior momento de agitação desde a revolução islâmica de 1979. Com milhões de pessoas nas ruas contestando o resultado das eleições presidenciais, supostamente ganhas pelo actual presidente Ahmadinejad, os protestos já dividiram o regime e os resultados são imprevisíveis. Neste dossier, coordenado  por Luis Leiria, o Esquerda.net procura analisar e contextualizar a revolta.

Será que o gato sobre o precipício vai cair?

Qualquer que seja o desenlace, é decisivo ter em conta que estamos a testemunhar no Irão um grande evento emancipatório que não cabe no enquadramento da luta entre liberais pró-ocidentais e fundamentalistas anti-ocidentais.
Por Slavoj Zizek, publicado em Support for the Iranian People 2009

Irão: Os símbolos não são suficientes para ganhar esta batalha

Não obstante os seus objectivos difíceis, o que rebentou no Irão é de facto uma "intifada". Mas não se derrubam revoluções islâmicas com as luzes do carro. E muito menos com velas. Os protestos pacíficos até podem ter servido a Gandhi, mas o Líder Supremo do Irão não vai preocupar-se com alguns milhares de manifestantes nas ruas mesmo que cantem "Allahu Akbar" nos seus telhados todas as noites.
Por Robert Fisk, The Independent, 23/6/2009

A esquerda e a revolta no Irão

Sectores de esquerda, inspirados por acontecimentos recentes no Médio Oriente e na Europa de Leste, interpretaram os protestos no Irão como mais uma versão das recentemente inventadas revoluções com nomes de cores, neoliberais, apoiadas pelos EUA. Mas é esse o caso no Irão? Este artigo, escrito pelos tradutores e filósofos iranianos Morad Farhadpour e Omid Mehrgan, tenta clarificar essa questão.

Siemens e Nokia ajudam Irão a censurar a Internet

Uma joint-venture entre a alemã Siemens e a finlandesa Nokia ajudou o regime iraniano a instalar um dos mais sofisticados mecanismos de censura da Internet do mundo, permitindo examinar de forma maciça o conteúdo dos pacotes de dados circulando na rede, sejam eles e-mails, fotos, vídeos ou até chamadas telefónicas pela rede. A notícia é avançada pelo Wall Street Journal.

Choram-se os mortos do Irão - mas a luta continua

Apesar da intimidação, a vontade de derrubar Ahmadinejad continua forte, afirma o jornalista Robert Fisk neste artigo publicado originalmente no The Indepedent de Londres. O "presidente" Ahmadinejad é cada vez mais um homem muito solitário, afirma o famoso jornalista

Quem é quem na política iraniana

O líder supremo, ayatollah Ali Khamenei O líder supremo, ayatollah Ali Khamenei

O grande ayatollah Sayyid Ali Hoseyni Khamenei é o Líder Supremo do Irão desde 1989, sucedendo ao ayatollah Khomeini depois da morte deste. O cargo de Líder Supremo, criado pela Constituição da República Islâmica, é o mais alto cargo político e a mais alta autoridade religiosa da Nação, superior, portanto, ao de Presidente da República. Aliás, é ele que nomeia seis dos 12 juristas que compõem o Conselho dos Guardiães, que decide quem pode se candidatar à Presidência.

A agenda Moussavi

Um resumo do programa apresentado por Mir Hussein Moussavi durante a campanha eleitoral. Artigo de Tara Mahtafar, do Tehran Bureau.
Mir Hussein Moussavi apelidou a sua futura administração de "Governo da esperança" (dolat-e omid). Numa entrevista de televisão, ele convidou os eleitores a estudar a brochura de cem páginas que detalha as suas políticas, em formato impresso ou electrónico. Eis alguns destaques programáticos da agenda Moussavi:

O Irão em ebulição

Lee Sustar, do Socialist Worker, analisa a dinâmica dos protestos populares e da repressão no Irão, na sequência das eleições presidenciais fraudulentas.

Irão: As desigualdades fragilizam a República islâmica

Trinta anos depois da Revolução islâmica, o país reduziu as disparidades entre cidades e campos. Mas as províncias habitadas por minorias étnicas continuam marginalizadas.
O Irão é hoje um país complexo que conheceu uma verdadeira revolução das mentalidades no decurso das últimas três décadas. Nasceram grandes centros urbanos. A família iraniana aproximou-se, na sua forma, das famílias dos países industrializados e o nível médio de educação progrediu fortemente.
Artigo de Thierry Coville

Ataques pessoais e acusações de corrupção no debate televisivo

Entre 2 e 8 de Junho, a TV estatal IRIB promoveu debates entre os candidatos presidenciais, sempre envolvendo dois deles. Foi a primeira vez que houve debates televisivos nas eleições iranianas. O mais aceso foi o que opôs Moussavi a Ahmadinejad, que envolveu ataques pessoais e acusações de corrupção. Artigo do Guardian resumindo o debate.