José Manuel Pureza

José Manuel Pureza

Professor Universitário. Coordenador do Bloco de Esquerda

A marca das lições aprendidas dos dois lados do Mediterrâneo em 2011 sobre a democracia foi a da simetria.

Nos gráficos a que rezam e nas curvas que os enlevam, os liberais conseguem vislumbrar uma racionalidade segundo a qual os indivíduos, como o gado, estão condenados a um deslocamento sazonal para locais que oferecem melhores condições.

“Melhor negócio que a saúde só mesmo a indústria de armamento!” Estas são palavras claras proferidas em 2008 por alguém com responsabilidades de chefia da área negocial de saúde de um grupo económico privado...

A questão central deste momento constituinte é, como em momentos anteriores, a da democracia.

E, no fim de tudo, deveremos mais 30 mil milhões de euros. Passos Coelho diz que é pouco. O PS abstém-se.

Não sendo a crise em que nos estão a afundar uma crise portuguesa, é aqui que a podemos e devemos combater nos seus fundamentos.

A gestão irresponsável desta crise está a levar à destruição dos fundamentos da democracia nos Estados europeus.

A tentativa de mascarar de coragem e de músculo o que não é mais do que uma mostra de fragilidade só veio sublinhar a natureza caricatural que tem hoje a oposição do PS ao programa extremista da direita.

Em Praga em 1968 como em Atenas hoje, o povo soberano foi deposto e ao seu lugar guindou-se o seu algoz reclamando a superior legitimidade dos compromissos internacionais.

A contraposição entre “o povo” e “os políticos” é errada. Mais que nunca o que o nosso tempo exige é uma análise de classe da realidade social.