José Manuel Pureza

José Manuel Pureza

Professor Universitário. Coordenador do Bloco de Esquerda

Os afetos ideológicos de Marcelo são os que realmente contam. São esses que importa escrutinar politicamente.

Há dois conceitos que marcaram a identidade do exercício do poder político em Portugal nas últimas quatro décadas. O primeiro deles é o de “arco da governação”. O segundo é do “partido charneira”.

Se a solidariedade virtual com as crianças migrantes lá longe for desacompanhada da solidariedade prática com os adultos migrantes cá dentro, o trumpismo sem Trump terá vencido.

O Governo tem que escolher entre ser coerente com o seu próprio discurso sobre o primado dos direitos de todos ou com o dualismo entre imigrantes pobres e imigrantes ricos que a direita pôs na lei.

A despenalização da morte voluntária não é um retrocesso civilizacional mas um avanço. Porque quando é o respeito pela decisão de cada um que é aumentado, a rampa é ascendente, não descendente.

Na corrupção como no futebol, há os distritais, a primeira liga e a champions league.

Os opositores à despenalização da morte assistida têm trazido para este debate alguns argumentos que mistificam a realidade. São fundamentalmente quatro essas mistificações.

A estabilidade política e a estabilidade das políticas são sempre boas para quem com elas beneficia e sempre indesejáveis para quem por elas é castigado. Por isso, defender “o que está” depende de haver ou não alternativas melhores.

Não é preciso ser especialista na matéria para saber que, no dossiê ‘cultura’ – como em todos os demais dossiês de política pública - se tem avolumado a tensão entre dois modelos de país e que essa tensão, mais dia menos dia, irrompe em protesto social.

Uma Diretora Regional que mostra desconhecer que os apoios públicos às artes e à criação cultural são imprescindíveis é alguém que exibe uma flagrante inadaptação funcional às suas responsabilidades públicas específicas.