Jorge Costa

Jorge Costa

Dirigente do Bloco de Esquerda. Jornalista.

As manifestações de sábado colocaram Portugal em frente ao espelho. O que vimos? O que faremos?

A situação em França tem um aspeto pouco sublinhado entre nós, porque é excecional na União Europeia e incómodo para ela. O crescendo de lutas fez aumentar o número de sindicalizados e remeteu o Partido Socialista local à insignificância. O país tem hoje a esquerda mais forte da Europa.

Principal corrente do movimento operário português por mais de três décadas, o anarquismo procurou formar sujeitos transformadores da sociedade. No seu livro, Diogo Duarte explora a visão libertária do mundo e como, há cem anos, os anarquistas se propunham governar a vida (a começar pela deles). Por Jorge Costa.

A decisão de reduzir a remuneração dos certificados de aforro é o último desaforo lançado pelo governo às pessoas que trabalham.

Este governo faz girar a porta entre política e negócios, alimenta o nepotismo e o facilitismo, bloqueia a fiscalização do governo pelo parlamento, festeja estatísticas que contrastam com a realidade da vida, chama os serviços secretos. É o deslumbramento do poder absoluto.

O governo sabe o que é necessário fazer, mas - tal como noutras áreas - a sua proximidade aos interesses privados afasta-o de soluções à altura das dificuldades. Só a força de uma ampla mobilização cidadã pode responder à última chamada de um SNS em estado grave.

Em vez de cortar nos lucros especulativos, o governo oferece 410 milhões de IVA aos supermercados e pede-lhes o favor de os descontarem nos preços. Sempre que Costa assina um acordo, sai uma borla nos impostos para o capital.

Quinze anos depois, os professores voltam a ser tratados como inimigos. De novo por uma maioria absoluta do PS, que agora apela à PGR contra a greve. No tempo de Maria de Lurdes Rodrigues, ouviu-se a voz de Manuel Alegre. E agora?

Um protesto de vendedeiras contra impostos abusivos desencadeou a revolta. Em março de 1903, durante uma semana, Coimbra esteve em estado de sítio. Os detratores chamaram-lhe “a Revolta do Grelo”. Mas também houve quem a compreendesse como uma greve geral, ensaio para maiores feitos futuros. Por Jorge Costa.

Se não saíssem, por alturas do natal, tantos artigos cheios de grandes lições do ano que termina, é provável que o novo ano se recusasse a entrar. A questão jamais se colocou, pois sábios balanços nunca faltam. Vou recordar apenas alguns.