Joana Mortágua

Joana Mortágua

Dirigente do Bloco de Esquerda, licenciada em relações internacionais.

A responsabilidade por impor bom senso no ensino à distância é do Ministério da Educação. E, aí, o ministro Tiago Brandão Rodrigues falhou.

A resposta do Governo à crise provocada pelo Covid-19 ficou aquém na necessidade de proteger os mais vulneráveis.

Negar a existência de coisas que estão perante os nossos olhos, sejam as alterações climáticas ou uma pandemia viral, pode parecer simples loucura mas é uma escolha deliberada, consciente e política.

Quando uma única sala de aula se divide em 30 salas de 30 casas diferentes, o contexto socioeconómico dos alunos passa a ser o principal facilitador ou obstáculo das aprendizagens.

A UNESCO estima que 82,5% dos estudantes do mundo estejam sem aulas, o que representa desafios inimagináveis para os países. A médio prazo, o agravamento das desigualdades sociais; a curto prazo, a dúvida sobre a conclusão do ano letivo.

Não dispensaremos nenhuma das responsabilidades constitucionais na fiscalização da sua aplicação e da ação do Governo nesta crise. Nos momentos difíceis, a democracia tem de estar à altura das exigências.

A nova direita gosta de se chamar liberal, mas acaba por cair nos termos e nos debates dos “populistas”, como se tivessem mel.

Há quem não goste que se fale em negócio, mas de que se trata, afinal, quando a União Europeia determina que o problema da crise dos refugiados é apenas uma questão de pagar o preço certo à Turquia?

É em nome de Portugal que continuaremos a dizer que há alternativas melhores para o país, para o ambiente e para as populações do que o aeroporto do Montijo.

Podemos questionar se a legalização do aborto alguma vez deveria ter sido submetida a referendo, se valeu a pena esperar tantos anos, roubando a dignidade, a saúde e a vida a tantas mulheres.