João Ricardo Vasconcelos

João Ricardo Vasconcelos

Politólogo, autor do blogue Ativismo de Sofá

Rapidamente se tenta passar para a opinião pública que a privatização é a melhor forma de por termo ao regabofe que tomou conta da empresa em questão.

Numa espécie de auto de fé, que bem podia ser apelidado como “efeito Manta Rota”, ou "Mente Rota" melhor dizendo, o primeiro-ministro apresentou-se otimista e cheio de força para o que aí vem.

O Bloco tem a importante responsabilidade de ganhar o descontentamento de uma série de setores da população. Nomeadamente, a jovem classe média urbana açoriana que, longe de ver na candidata do PSD Berta Cabral uma alternativa, também se sente pouco satisfeita com uma pura mudança de rosto na liderança socialista.

O Congresso Democrático das Alternativas conta com a participação de pessoas e não de organizações. De cada uma dessas pessoas, já envolvidas ou a envolver, está dependente a sua chegada a bom porto.

Vindos diretamente das business schools e similares que surgiram nos quatro cantos do país, muitos membros desta geração ocupam depois cargos de gestão pública. A missão de um organismo transforma-se então no seu negócio, os cidadãos nos seus clientes e os seus projetos e iniciativas nos seus produtos.

As reações oficiais ao resultado grego são coerentes com aquela que tem sido sempre a solução encontrada desde que a crise rebentou: intensificar a receita. Ou seja, se a austeridade não está a resultar, nada como termos ainda mais austeridade.

Por cá, este ano representou precisamente o contrário do que é professado pelo calendário chinês. O Coelho português caraterizou-se sobretudo por insensibilidade, irresponsabilidade, obstinação e pobreza de espírito até.

Não estando preocupada em ser o bom aluno que tudo consente na esperança de que reconheçam a sua humildade, a Grécia está sim empenhada em recusar e denunciar a forma perfeitamente míope como a Europa reagiu à presente crise.

Como seria de esperar, pouco ou nada se esmiuçou sobre o programa da perigosa e radicalmente radical esquerda de Alexis Tsipras.

O cumprimento ou não de uma promessa ou compromisso político passou a ser um detalhe no contexto atual. E torna-se particularmente lamentável constatar que os cidadãos já nem esperam outra coisa que não as mentiras.