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Vale sempre a pena

O Congresso Democrático das Alternativas conta com a participação de pessoas e não de organizações. De cada uma dessas pessoas, já envolvidas ou a envolver, está dependente a sua chegada a bom porto.

Vale sempre a pena juntar esforços. Vale sempre a pena dialogar, discutir, procurar visões semelhantes e melhor perceber divergências. Vale sempre a pena procurar pontos onde as opiniões se encontram, onde se fazem diagnósticos semelhantes e identificam possibilidades de ação relativamente consensuais. Vale sempre a pena procurar convergências e entendimentos, fazer pontes e aumentar relações de confiança entre partes bastante diferentes. E tudo isto faz ainda mais sentido nos momentos em que os entendimentos são não apenas uma oportunidade, mas uma necessidade perante um contexto político muito adverso.

A iniciativa em torno do Congresso Democrático das Alternativas apresentou-se de uma forma semelhante a uma série de outras: um texto subscrito por um conjunto de pessoas. O modelo não é novo e, com certeza por isso, não fez parar o trânsito. Pelo contrário, rapidamente foi encarado por alguns como mais uma proclamação, mais uma declaração de intenções que depois acaba por se materializar em algo muito pouco palpável. E um movimento cujo resultado que se propõe atingir é um congresso a realizar a 5 de Outubro consegue com certeza gerar expetativas muito diferentes.

Cada um dos subscritores do texto terá certamente a sua própria visão quanto ao que será e surgirá do referido congresso. O Vasco Lourenço tem com certeza uma ideia diferente da do António Pedro Vasconcelos, o mesmo se deverá passar entre o Carvalho da Silva e a Ana Catarina Mendes e sinceramente não sei quais os pontos de vista convergentes e divergentes entre a Pilar del Rio e o José Reis. Mas, não querendo embarcar em romantismos infantis, é essa diversidade de visões e expectativas que reflete a beleza da coisa. Não foi aliás por acaso que se fala em “alternativas”, prescindindo-se assim de uma solução singular.

O Congresso Democrático das Alternativas conta com a participação de pessoas e não de organizações. Essa é aliás uma das suas características mais vincadas. De cada uma dessas pessoas, já envolvidas ou a envolver, está dependente a sua chegada a bom porto. Do congresso pode resultar muito ou muito pouco. Pode ser uma grande iniciativa ou apenas mais uma. Mas estou certo do seguinte: já está a valer a pena.

Sobre o/a autor(a)

Politólogo, autor do blogue Ativismo de Sofá
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