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“Presidente da Altice fala de um país virtual”

Alexandre Fonseca foi ao parlamento queixar-se da iniciativa do Bloco e afirmar que as redes do SIRESP e da TDT têm funcionado a 100%. O deputado Heitor de Sousa pergunta onde esteve o líder da Altice Portugal no último semestre de 2017.
Alexandre Fonseca lidera a Altice Portugal. Foto António José/Lusa

Nos últimos dias, a Altice Portugal tem desenvolvido um ataque cerrado ao projeto de lei do Bloco que propõe “a inclusão no domínio público do Estado da rede básica de Telecomunicações e do Sistema Integrado de Redes de Emergência e de Segurança (SIRESP) e a recuperação pelo Estado da prestação de um Serviço Público Universal de telecomunicações através de um operador público”.

Esta terça-feira foi a vez do presidente da empresa, Alexandre Fonseca, reunir a seu pedido com a presidência da Assembleia da República, que se fez representar pelo deputado Jorge Lacão, vice-presidente da AR. À saída da reunião o gestor da Altice em Portugal disse aos jornalistas ter entregue um documento com “factos” para opor às supostas “inverdades” acerca do incumprimento por parte da empresa que detém as redes das infraestruturas básicas de telecomunicações do país e assume uma posição dominante no mercado.

Indiferente às falhas verificadas durante os dois incêndios que devastaram a região centro do país em junho e outubro, no que respeita às comunicações na rede SIRESP e também da sua rede móvel, ao contrário das dos restantes operadores privados nas mesmas zonas afetadas, Alexandre Fonseca insistiu que "100% dos níveis de serviços daquilo que é a rede SIRESP e a rede TDT estão a ser cumpridos há vários anos a esta parte".

Ler também: “É preciso contrariar o abuso da Altice” nas redes de telecomunicações

Para o deputado bloquista Heitor de Sousa, as declarações de Alexandre Fonseca só podem ter uma explicação: “O presidente da Altice não esteve cá em Portugal com certeza no último semestre do ano passado, porque fala de um país completamente virtual, em que tudo funciona bem e nada acontece”.

“O país real tem uma rede básica de telecomunicações que não funciona, tem um serviço de comunicações móveis que também não funcionou e tem redes de emergência que não funcionaram”, sublinhou o deputado do Bloco em declarações à RTP.

O projeto de lei que tanto incomoda a Altice já foi entregue no parlamento e chama também a atenção para “as responsabilidades da Altice/MEO na baixa cobertura da Televisão Digital Terrestre (TDT)”, que por isso ficou “aquém da sua responsabilidade de promoção de coesão territorial e desenvolvimento social”.

A situação de evidente conflito de interesses já foi assinalada pela Anacom,  uma vez que a Altice é a dona da TDT e da Meo, que concorre com a TDT. Para o Bloco de Esquerda, é “evidente que a Altice trava o desenvolvimento da TDT, ainda mais no momento em que está anunciada uma perigosa operação de concentração na comunicação social por via da compra da Media Capital pela Altice”.

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