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Fosso salarial entre administradores e trabalhadores continua a crescer

Segundo um estudo da consultora Mercer, os CEO ganham em média dez vezes mais do que os trabalhadores. Só que em empresas como a Galp, EDP, Semapa, Sonae e os CTT, essa média cresce para 50 vezes. E na Jerónimo Martins são 167 vezes.
Pedro Soares dos Santos, presidente do conselho de administração da Jerónimo Martins, a empresa campeã em desigualdade salarial. 14 de novembro 2019. Foto de MANUEL DE ALMEIDA/Lusa.
Pedro Soares dos Santos, presidente do conselho de administração da Jerónimo Martins, a empresa campeã em desigualdade salarial. 14 de novembro 2019. Foto de MANUEL DE ALMEIDA/Lusa.

O estudo da consultora Mercer, "Remuneração de Executivos de Topo", faz um retrato dos vencimentos dos presidentes executivos das maiores empresas portuguesas em 2020 com base em dados de mais de 55 organizações. A Dinheiro Vivo sintetiza algumas das suas conclusões: os CEO nacionais ganham dez vezes mais do que os trabalhadores das suas empresas, os homens continuam a ser a maioria nas administrações e ganham mais 20% em média do que as mulheres.

No caso das empresas cotadas no índice bolsista PSI20, em 2019, registou-se uma subida do fosso salarial entre os presidentes executivos e os restantes trabalhadores. Nesse ano, os CEOs ganharam trinta vezes mais que a média salarial da empresa. No ano anterior tinham sido 25 vezes mais. Os seus vencimentos  aumentaram 20% num ano, enquanto o salário médio dos trabalhadores apenas subiu 1,5%.

Por empresa, como é conhecido, é a Jerónimo Martins que tem a maior diferença. Em 2019, Pedro Soares dos Santos recebeu 1,8 milhões, 167 vezes mais do que o salário médio dos trabalhadores do grupo que detém os supermercados Pingo Doce. Em valor absoluto, quem mais ganhou em 2019 foi António Mexia, ex-presidente executivo da EDP, que ganhou cerca de 2,17 milhões de euros. Soares dos Santos vem a seguir recebendo 1,76 milhões, Manso Neto, ex-chefe da EDP Renováveis, com 1,48 milhões, João Castello Branco, da Semapa, com 1,42 milhões e Carlos Gomes da Silva, da Galp, com 1,39 milhões. Das empresas cotadas no PSI-20 há cinco que pagam 50 vezes mais aos CEO: Galp, EDP, Semapa, Sonae e CTT.

CEO, um estrangeirismo ainda masculinizado

O mesmo estudo dedicou-se a analisar as diferenças de género nos cargos mais elevados das empresas. A conclusão é que "o género feminino continua sub-representado nos papéis de liderança, embora se tenha registado um ligeiro aumento face ao último estudo realizado em 2017".

Há “uma elevada predominância de elementos do sexo masculino - 85% - nos órgãos de administração e de fiscalização em Portugal". E em vários casos de empresas cotadas em bolsa “não existe representação de ambos os sexos nos órgãos de administração".

Isto significa que a legislação em vigor não está a ser aplicada. Segundo esta, a proporção de pessoas de cada sexo designadas para cada órgão de administração e de fiscalização de cada empresa não pode ser inferior a 33,3 %.

Os homens neste tipo de cargos também continuam a ganhar mais do que as mulheres: em média mais 20%.

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