Está aqui

Portugal, o país da UE com maior concentração do rendimento nos grupos do topo

Esta manhã teve início o Colóquio Desigualdade e Pobreza, com a intervenção de abertura do deputado municipal do Bloco João Bau e as apresentações de Nuno de Almeida Alves, Renato Miguel do Carmo e Frederico Cantante, investigadores do CIES/ISCTE que abordaram o tema, de diferentes perspetivas. Frederico Cantante referiu que: “Portugal era, em 2010, o país da UE-27 que apresentava uma maior concentração do rendimento nos grupos do topo da distribuição”.

Durante a sessão de abertura do Colóquio "Desigualdade e Pobreza", organizado pela concelhia de Lisboa do Bloco de Esquerda, o deputado municipal João Bau referiu a importância desta iniciativa para a construção de “novas propostas, novas estratégias e novas políticas”que permitam responder à crise social que se vive no nosso país” e que se encontra em permanente evolução.

Na sua intervenção, João Bau lamentou que o executivo camarário não tenha sabido responder, até à data, à verdadeira situação de “emergência social” e tenha evidenciado uma verdadeira “insensibilidade social”, promovendo políticas completamente “desajustadas à realidade que estamos a viver”.

Referindo-se ao facto de a recomendação apresentada pelo Bloco na Assembleia Municipal de Lisboa, em 2009, relativa à elaboração de um relatório de diagnóstico da situação social, à definição de planos de intervenção e à criação de um gabinete de crise, entre outros, e que veio ser aprovada com os votos favoráveis do Bloco, Verdes, PSD e CDS, ter sido manifestamente “ignorada pelo executivo”, o deputado municipal do Bloco de Esquerda salientou que “a ausência de mecanismos de monitorização da situação social na cidade condicionou a elaboração de políticas” que pudessem responder às reais necessidades da população.

João Bau lembrou ainda que, em 2011, não houve execução do orçamento do Fundo de Emergência Social, no valor de 1,5 milhões de euros, e que, em 2012, essa execução não alcançou os dois terços do orçamento.

“Exige-se que a execução do Programa de Emergência Social não siga o exemplo da execução alcançada em 2011 e 2012”, adiantou João Bau, referindo-se ao programa incluído no orçamento camarário para 2013, por proposta da própria Câmara, no valor de 5 milhões de euros.

Durante a sua intervenção, o deputado municipal enumerou ainda algumas das propostas apresentadas pelo Bloco na Assembleia Municipal de Lisboa, que visam criar condições para que a Câmara possa contribuir para o combate à crise social, às situações de pobreza e exclusão que se observam na cidade, e para que possa minimizar os seus efeitos.

Desigualdade: Diversos contextos e abordagens

O primeiro painel do Colóquio Desigualdade e Pobreza contou com a participação de três investigadores do CIES/ISCTE que abordaram, de diferentes perspetivas, a temática da “Desigualdade: Diversos contextos e abordagens”.

Nuno de Almeida Alves debruçou-se sobre o tema “Jovens qualificados e precariedade: dificuldades de conceptualização e mensuração de um fenómeno relevante”. Na sua intervenção, este investigador falou sobre os atuais desafios com que se confrontam os jovens no mercado de trabalho, entre os quais a “desvalorização progressiva do trabalho”, com a “redução muito significativa do salário oferecido”, e a “circunstância de desemprego massivo” que “pode consumir uma geração”.

Nuno Alves abordou ainda a crescente precarização do mercado de trabalho, de difícil mensuração, e a alteração da composição quer da população ativa como da população empregada, assinalando, por exemplo, que, no que respeita à população ativa, se regista um decréscimo de ativos entre os mais jovens, que recorrem cada vez mais à emigração e se sentem cada vez mais desencorajados a procurar trabalho, e um acréscimo de ativos entre os mais velhos, que se veem agora obrigados a fazer face às suas dificuldades e das suas famílias.

Versando sobre “Desigualdades sociais e efeito cidade”, Renato Miguel do Carmo salientou o caráter multi dimensional, sistémico e multi escalar das desigualdades e assinalou a interdependência existente entre desigualdades sociais e desigualdades territoriais, afirmando que existe, inclusive, um efeito cidade/metrópole sobre as desigualdades, quer a nível intra como inter regional.

O doutorado em Sociologia frisou ainda a importância de considerar a composição orgânica dos diversos mercados, como é o caso do mercado de trabalho, na acentuação das desigualdades e apontou as fortes tensões e assimetrias que compõem o espaço.

Renato Miguel do Carmo notou ainda o facto de a Europa ser cada vez mais desigual e de existir um hiato entre os países do Norte e Centro da Europa e os países do Sul e alguns países do Leste.

“O topo da distribuição dos rendimentos em Portugal” foi o título da apresentação de Frederico Cantante, que tem vindo a trabalhar nos últimos anos na área das desigualdades sociais e que, durante a sua intervenção, salientou que “a desigualdade de rendimentos não é um fenómeno neutro, não relacionado com a forma como as sociedades funcionam”.

O investigador lembrou ainda que “vários estudos têm vindo a chamar a atenção para o aumento das desigualdades económicas verificadas nas últimas décadas no conjunto dos países da União Europeia e da OCDE” e que “um dos fenómenos que motiva essa tendência prende-se com o avolumar da concentração do rendimento nos grupos do topo da distribuição, nomeadamente nos 1% mais ricos”.

“Portugal era, em 2010, o país da UE-27 que apresentava uma maior concentração do rendimento nos grupos do topo da distribuição”, lembrou Frederico Cantante.

(...)

Resto dossier

Desigualdade e Pobreza em Portugal

Neste dossier, divulgamos os materiais apresentados no colóquio “Desigualdade e Pobreza”, promovido pelo Bloco de Esquerda e que teve lugar no passado dia 16 de março em Lisboa. Incluímos também as notícias e vídeos que já tinham sido publicados pelo esquerda.net

Portugal apresenta níveis de desigualdade muito superiores à média da União Europeia

Em entrevista ao esquerda.net, o professor Farinha Rodrigues salienta que o nosso país é um dos mais desiguais da UE, realçando que houve uma ligeira redução das desigualdades até 2009, devido às políticas sociais de combate à pobreza, nomeadamente o RSI ou o complemento social para os idosos. Sublinhando que o sistema fiscal podia ser mais redistributivo, alerta que medidas do OE para 2013, como a redução dos escalões do IRS, reduzem a capacidade redistributiva, agravando assim as desigualdades.

Jovens qualificados e precariedade: dificuldades de concetualização e mensuração de um fenómeno relevante

A precariedade laboral é um conceito equívoco mas de utilização progressivamente alargada para caracterizar uma parcela significativa das relações laborais em Portugal e na Europa. Por Nuno de Almeida Alves

Desigualdades sociais e efeito cidade

Esta comunicação pretende demonstrar que, no contexto da globalização e da atual crise económica, não é possível entender plenamente a forma como as desigualdades se constituem e se reproduzem sem contemplar uma análise pertinente sobre os territórios e as cidades. Por Renato Miguel do Carmo

O topo da distribuição dos rendimentos em Portugal

Portugal era, em 2010, o país da UE-27 que apresentava uma maior concentração do rendimento nos grupos do topo da distribuição. Por Frederico Cantante

Pobreza e vulnerabilidades sociais na cidade de Lisboa

A comunicação apresentada pelo Observatório de Luta contra a Pobreza na cidade de Lisboa (OLCPL) visa contribuir para a reflexão e debate em torno de alguns temas que se consideram centrais na luta contra a exclusão social no Concelho. Por Catarina Cruz e Paulo Costa Santos

Porque falham os planos de combate à pobreza?

Alfredo Bruto da Costa, Presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, apresentou esta comunicação no colóquio “Desigualdade e Pobreza em Portugal”, afirmando que é necessário assegurar um “ataque múltiplo e simultâneo às carências das famílias, dado que as mesmas estão interligadas e se reforçam”.

Quão desiguais e pobres somos nós? A desigualdade e a pobreza na sociedade portuguesa contemporânea

Neste texto, Nuno Alves alerta: “Num país tão desigual e injusto como é o nosso, a diminuição substancial da provisão pública de bens e a falência dos mecanismos de suporte social poderão condenar à miséria eterna uma parte muito significativa da população”.

“O essencial é a dignidade, e é isso que deve ser protegido”

Na sessão de encerramento do Colóquio “Desigualdade e Pobreza”, a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, afirmou que "Vítor Gaspar, o ministro que fala devagar mas erra depressa", é o rosto da “proposta criminosa da ditadura do empobrecimento”.

“Se as políticas atuais se mantiverem, todos os ganhos sociais conquistados nos últimos anos serão perdidos”

Esta tarde, o Colóquio “Desigualdade e Pobreza” contou com a participação do economista Carlos Farinha Rodrigues, dos representantes do Observatório Luta contra a Pobreza na Cidade de Lisboa Catarina Cruz e Paulo Costa Santos e do Presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz Alfredo Bruto da Costa. Durante a sua intervenção, Carlos Farinha defendeu que “se as políticas atuais se mantiverem, todos os ganhos sociais conquistados nos últimos anos serão perdidos”.

Portugal, o país da UE com maior concentração do rendimento nos grupos do topo

Esta manhã teve início o Colóquio Desigualdade e Pobreza, com a intervenção de abertura do deputado municipal do Bloco João Bau e as apresentações de Nuno de Almeida Alves, Renato Miguel do Carmo e Frederico Cantante, investigadores do CIES/ISCTE que abordaram o tema, de diferentes perspetivas. Frederico Cantante referiu que: “Portugal era, em 2010, o país da UE-27 que apresentava uma maior concentração do rendimento nos grupos do topo da distribuição”.

Colóquio desigualdade e pobreza

A deputada Helena Pinto refere que este “colóquio é o início” de um trabalho, e assinala que “percebemos como mudou radicalmente o perfil dos sem-abrigo, como o desemprego destrói as vidas, como perder a casa é a angústia de velhos e de novos”.

"Querem destruir a democracia no garrote da dívida"

Catarina Martins fez a intervenção de encerramento do colóquio "Desigualdade e Pobreza", organizado pelo Bloco no Fórum Lisboa.