Um dos últimos concertos do clarinetista brasileiro que faleceu nesta segunda-feira, no Rio de Janeiro. Compositor e arranjador de choro, samba e jazz, Paulo Moura é um dos maiores nomes da música instrumental brasileira. Aqui fica a nossa homenagem.
Nascido numa família de músicos, Paulo Moura, antes de entrar para a família do sopro, começou por tocar piano aos nove anos de idade, incentivado pelo pai, Pedro Moura, carpinteiro de profissão e clarinetista nas horas vagas.
Aos 18 anos mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde ingressou na Escola Nacional de Música, estudando teoria, harmonia, contraponto, fuga, composição com grandes mestres como Guerra Peixe, Moacir Santos, Paulo Silva e Maestro Cipó.
Tornou-se um dos mais requisitados instrumentistas do Rio de Janeiro, sendo o primeiro clarinetista do Teatro Nacional por dezessete anos e excursiou mundo afora acompanhando músicos como Ary Barroso.
A sua primeira gravação foi ao lado da cantora Dalva de Oliveira, interpretando a canção Palhaço, de Nelson Cavaquinho. E aos 19 estreou como solista tocando a peça de Weber “Concertino para Clarinete e Orquestra” acompanhado da Orquestra Sinfónica Nacional.
A lista de participações é enorme, do erudito ao jazz, passando pelos rítimos brasileiros. Foi contratado para integrar a orquestra da TV Tupi, trabalhou ainda com Dolores Duran, Radamés Gnatalli (dedicando todo um LP à obra do mestre), Severino Araujo, Baden Powell, Edson Machado e Sérgio Mendes, entre muitos outros.
Entre suas principais gravações estão os álbuns: "Paulo Moura e sua Orquestra de Bailes", "Mistura e Manda", seu clássico "Confusão Urbana, Suburbana e Rural", participou também do álbum "ConSertão" ao lado de Heraldo do Monte, Elomar e Arthur Moreira Lima, e no começo dos anos noventa gravou em duo com Raphael Rabello o álbum "Dois Irmãos".