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Cronologia: os principais acontecimentos até ao golpe

A renúncia de Jânio Quadros, a instauração do parlamentarismo, a posse de João Goulart, o comício da Central do Brasil, a marcha da Família com Deus e pela Dignidade: antecedentes do golpe.
João Goulart discursa no comício da Central do Brasil; ao lado, a primeira-dama, Maria Thereza Goulart.

1961

31 de janeiro de 61 – Jânio Quadros toma posse da Presidência da República.

19 de agosto de 61 – Che Guevara é condecorado por Jânio, o que provoca uma crise nas Forças Armadas.

25 agosto de 61 – Jânio renuncia ao cargo de presidente da República. Como o vice, João Goulart, se encontra em visita oficial na China, o presidente da Câmara, Ranieri Mazzili, assume provisoriamente o governo.

2de setembro de 61 – O Congresso aprova emenda constitucional que estabelece o parlamentarismo, medida que visa limitar os poderes de João Goulart, condição para retirada do veto dos ministros militares à sua posse.

7de setembro de 61 – João Goulart toma posse da presidência. Tancredo Neves é o primeiro-ministro.

de novembro de 61 – No 1º Congresso de Lavradores e Trabalhadores Agrícolas, Jango defende a reforma agrária sem indemnização para os proprietários de terra.

23 de novembro de 61 – O Brasil restabelece relações diplomáticas com a União Soviética.

29 de novembro de 61 – É fundado o Ipes (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais).

Dezembro de 61 – Criado o Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE.

1962

4 de fevereiro de 62 – João Pedro Teixeira, presidente da Liga Camponesa na Paraíba, é morto a mando de fazendeiros.

12 de maio de 62 – Carlos Lacerda, governador da Guanabara, acusa Jango de tramar um golpe de Estado.

de junho de 62 – Começa greve organizada pela UNE (União Nacional dos Estudantes) que paralisa 40 universidades no Brasil por três meses.

26 de junho de 62 – Tancredo Neves renuncia ao cargo de primeiro-ministro.

31 de junho de 62 – Militantes estudantis da JUC (Juventude Universitária Católica) e agremiações da esquerda católica fundam a Ação Popular (AP).

5 de julho de 62 – Jango sanciona lei do 13º salário no mesmo dia em que acontece greve nacional com saldo de 700 feridos e 42 mortos no Rio.

25 de setembro de 62 – Criado o Ministério do Planejamento. Celso Furtado assume o posto.

10 de outubro de 62 – É fundado o IEB (Instituto de Estudos Brasileiros), na Universidade de São Paulo, pelo professor Sérgio Buarque de Holanda.

21 de novembro de 62 – Carlos Lira, Tom Jobim e João Gilberto se apresentam no Carnegie Hall, em Nova York.

1963

6 de janeiro de 63 – O presidencialismo vence o plebiscito sobre o regime de governo do Brasil, o que restitui plenos poderes a João Goulart.

2 de março de 63 – Goulart promulga o Estatuto do Trabalhador Rural.

11 de julho de 63 – Projeto de Reforma Agrária apresentado pelo senador Milton Campos (UDN) não passa pela Câmara dos Deputados.

4 de agosto de 63 – Câmara rejeita o Estatuto da Terra.

13 de setembro de 63 – Jango nomeia o marechal Castello Branco chefe do Estado-Maior do Exército.

4 de outubro de 63 – João Goulart solicita quarenta dias de Estado de Sítio, mas o Congresso não aprova.

6 de outubro de 63 – O 4º Exército ocupa Recife para conter manifestação de 30 mil camponeses

31 de dezembro de 63 – Jango adverte ao anunciar plano de reformas que, em 1964, as necessidades da nação serão atendidas a qualquer preço.

1964

13 de março de 64 – O presidente João Goulart anuncia num comício na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, a necessidade das reformas de base.

19 de março de 64 – Cerca de 500 mil pessoas fazem manifestação contra Jango no centro de São Paulo, na Marcha da Família com Deus pela Liberdade.

24 de março de 64 – Começa a Revolta dos Fuzileiros Navais, no Rio, chefiada pelo cabo Anselmo.

30 de março de 64 – Discurso pró-reformas de Jango no Automóvel Clube, no Rio.

31 de março de 64 – O presidente da República, João Goulart, é deposto pelo golpe militar.

de abril de 64 – Prisões e protestos pelo país em consequência do golpe militar. A sede da UNE, no Rio de Janeiro, é incendiada e tomada pelo governo militar, que destrói o acervo do CPC.

2 de abril de 64 – Ranieri Mazilli assume a Presidência interinamente

9 de abril de 64 – Editado o Ato Institucional n.º 1 (AI-1), que permite a cassação de mandatos (perda de mandato) e a suspensão de direitos políticos. São marcadas eleições indiretas para Presidência e vice-presidência da República com mandato válido até 31 de janeiro de 1966.

10 de abril de 64 – É divulgada a primeira lista de cassados pelo AI-1. Entre os 102 nomes estão o de João Goulart, Jânio Quadros, Luís Carlos Prestes, Leonel Brizola e Celso Furtado, assim como 29 líderes sindicais e alguns oficias das Forças Armadas.

11 de abril de 64 – Humberto de Alencar Castelo Branco é “eleito” presidente da República com 361 votos nas eleições indiretas.

13 de abril de 64 – 400 soldados invadem Universidade de Brasília após a autorização pelo presidente Castelo Branco.

14 de abril de 64 – Criação dos Inquéritos Policiais Militares (IPMs).

15 de abril de 64 – O marechal Humberto de Alencar Castelo Branco toma posse como o primeiro presidente militar da República.

9 de maio de 64 – Carlos Marighella, dirigente comunista, é baleado e preso no Rio de Janeiro.

13 de maio de 64 – Brasil rompe relações diplomáticas com Cuba.

8 de junho de 64 – O ex-presidente Juscelino Kubitschek e mais 39 políticos são cassados.

13 de junho de 64 – É criado o SNI (Serviço Nacional de Informações), comandado pelo general Golbery do Couto e Silva.

22 de julho de 64 – A Emenda Constitucional n.º 9 prorroga o mandato de Castelo Branco até 15 de março de 67.

12 de outubro de 64 – O presidente francês Charles De Gaulle chega ao país em visita oficial.

27 de outubro de 64 – O Congresso aprova a extinção da União Nacional dos Estudantes (UNE) e proíbe as organizações estudantis de realizar protestos.

30 de novembro de 64 – Castello Branco assina a lei que cria o Estatuto da Terra.

31 de dezembro de 64 – É criado o Banco Central do Brasil.

(...)

Resto dossier

50 anos do golpe militar no Brasil

O golpe de Estado que derrubou o governo de João Goulart no Brasil faz 50 anos. A ditadura militar instaurada em 1964 e endurecida em 1968 mergulharia o país no período mais sombrio da sua história recente. Dossier coordenado por Luis Leiria.

O golpe de 1964 e a instauração do regime militar

A falta de reação do governo de João Goulart e dos grupos que lhe davam apoio foi notável. Sem conseguir articular os militares legalistas e desistindo do confronto, Jango exilou-se no Uruguai. Por Celso Castro, artigo publicado no site do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas

Cronologia: os principais acontecimentos até ao golpe

A renúncia de Jânio Quadros, a instauração do parlamentarismo, a posse de João Goulart, o comício da Central do Brasil, a marcha da Família com Deus e pela Dignidade: antecedentes do golpe.

O golpe contrarrevolucionário de 1964: ontem como hoje

A discussão sobre o sentido profundo do golpe militar de 1964, quando cumpre meio século, constitui indiscutivelmente caminho seguro para o melhor entendimento dos dias atuais. Por Mário Maestri, Correio da Cidadania.

A verdade e a impunidade

Aos 50 anos do golpe que derrubou o governo de João Goulart, a verdade sobre o que aconteceu no país começa, aos poucos, a se desenterrar. Por Eric Nepomuceno, Página/12

O golpe de 1964 como uma ação de classe: uma polémica com certas tendências da historiografia brasileira

Um grande negócio para o grande capital, é como se pode sintetizar a ditadura de 1964 a partir de sua história. Mas as visões relativizadoras do golpe e da ditadura procuraram deslocar a sua explicação da problemática do capitalismo. Por Demian Melo

“AI-5 foi luz verde para a tortura”

Quatro anos depois do golpe militar, em dezembro de 1968, ocorreu o endurecimento da ditadura para enfrentar a crescente mobilização popular: é editado o Ato Institucional nº 5, que constitui uma espécie de “golpe dentro do golpe”. O jornalista Cid Benjamin, autor do livro “Gracias a la vida: Memórias de um militante”, descreve o contexto e analisa as consequências do AI-5. Por Vivian Virissimo, Brasil de Fato

Repressão e tortura na ditadura militar

Os métodos de tortura utilizados pelo regime militar eram tão cruéis que levavam à morte os torturados ou deixavam-nos loucos. Por Mateus Ramos, Adital

Brasil: Horrores da ditadura militar revelados por torturador

Aos 76 anos e sem mostrar o menor arrependimento, o coronel reformado Paulo Malhães admitiu que torturou, assassinou e desfigurou cadáveres de militantes numa “Casa da Morte” clandestina criada pelos órgãos da repressão em Petrópolis, Rio de Janeiro.

Um promotor brasileiro apresenta indícios do assassinato do presidente João Goulart no exílio

Presidente deposto pelo golpe militar de 1964 morreu em 1976, na Argentina, oficialmente de enfarte; mas suspeita-se que tenha sido vítima de envenenamento praticado no quadro da Operação Condor. Por Alejandro Rebossio, El País

Kennedy discutiu ação militar para derrubar governo brasileiro

“Acha aconselhável que façamos uma intervenção militar?”, perguntou John Kennedy, 46 dias antes de ser assassinado, numa conversa com Lincoln Gordon, o embaixador americano no Brasil.  

Multinacionais alemãs beneficiaram-se do golpe de 1964

Mercedes, Volkswagen, Bayer, Siemens e Mannesman foram algumas das empresas que financiaram e se beneficiaram com a ditadura. Por Américo Gomes, da Comissão de Presos e Perseguidos Políticos da Ex-Convergência Socialista.

Os média que abraçaram a ditadura do Brasil não fazem “mea culpa”, fazem publicidade

A oposição feroz entre os grandes grupos de comunicação e a censura na ditadura militar é só a imagem que os grandes meios de comunicação querem projetar de si mesmos. Por Caio Hornstein, Carta Maior

As esquerdas e a ditadura militar brasileira

Brevíssimas reflexões sobre as esquerdas brasileiras, nos 21 anos de ditadura militar (1964-1985). Por Carlos Vianna.

Documentários e filmes sobre a ditadura brasileira

Veja uma seleção de documentários e filmes de ficção sobre o golpe e a ditadura militar brasileira.