Marisa Matias

Marisa Matias

Dirigente do Bloco de Esquerda, socióloga.

I am writing from Brussels, where the horrendous terrorist attacks took place. Please forgive my crudeness, but I am writing from Brussels just as I have written from so many other places where victims of terrorism die every day. By Marisa Matias.

Escrevo de Bruxelas, onde hoje ocorreram atentados terroristas hediondos. Perdoem-me a crueza das palavras, mas escrevo de Bruxelas como tenho escrito de tantos lugares onde todos os dias morrem pessoas vítimas do terrorismo.

Hoje despedimo-nos de Cavaco Silva. Foram dez anos que marcaram muito o nosso país. Da minha parte, não escondo o quão negativo é o balanço que faço desses anos.

As notícias sobre refugiados não são de hoje, a crise dos refugiados também não. Mas hoje e amanhã, e depois de amanhã, nas semanas e nos meses que passaram somos levados pela secura atroz do que vamos lendo e vendo.

Esta noite atravessaram-se várias das fronteiras que tinham sido declaradas como intransponíveis. Agradeçam à Sra. Merkel: ontem à noite, começou a morrer a Zona Euro. Paz à sua alma.

A reunião de hoje do Eurogrupo trouxe a lume muitos dados absolutamente imprescindíveis para perceber este mosaico. Uma coisa ficou evidente: o plano do Grexit esteve sempre dentro do Eurogrupo e não foi pela mão da Grécia.

A chantagem das instituições europeias não tem limite. Tudo serve para impedir um povo de decidir livremente. A decisão de manter o programa de liquidez aos bancos gregos mas sem mais liquidez não deixou alternativa ao governo grego senão fechar os bancos por uma semana.

O Líbano tem 10 mil km2 de superfície e 4 milhões de habitantes. Neste momento, tem cerca de 1,3 milhões de refugiados sírios registados. O mundo não pode ser um somatório de tragédias. E nós não podemos ser só gente que lamenta muito tudo isto.

A redução do horário de trabalho dos avós, para que estes tenham mais tempo para ajudar os pais e mães com os seus netos, não tendo nada de mal em si mesmo, sem medidas de fundo associadas, é mais uma forma de o Estado se demitir dos seus deveres sociais.

Se mais não tivesse feito, nos primeiros 100 dias, o governo grego devolveu à UE o debate político.