Afinal, falamos de quê, quando usamos a palavra “terrorismo”? Quando é que a violência passa a ser adjectivada dessa forma? Duas respostas necessárias para podermos tentar responder às muitas questões que se colocam à posteriori.
A palavra banalizou-se. A utilização leviana da palavra “terrorismo”, para adjectivar alguns acontecimentos, provoca confusão e em nada contribui para a leitura correcta de realidades muito mais complexas do que alguma ligeireza informativa deixa transparecer. É longa a lista de organizações consideradas “terroristas” que acabaram por ser reconhecidas como legítimas representantes de interesses e povos.
A opção militar poderá ser uma acção intermédia, em circunstâncias muito concretas, mas nunca será a solução para acabar com o “terrorismo”. Os grupos “terroristas” têm surgido invariavelmente em zonas de caos, momentâneo ou prolongado, provocado por decisões políticas e prioridades geoestratégicas, não poucas vezes acompanhadas de intervenções militares. A solução para combater o “terrorismo” terá de ser política. Não há outra, por muita ilusão que as acções de força, militar ou policial, possam alimentar.
Pinhal Novo, 12 de Agosto de 2017
Texto de José Manuel Rosendo, que participará no Debate “Como combater o terrorismo?”, com Marisa Matias, no Fórum Socialismo 2017. O debate será sábado 26 de agosto, às 16.30h na Sala 3.