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"A resistência deve ser a nossa escolha estratégica"

Depois desta guerra, a divisão já não é entre a Fatah e o Hamas, mas adquire outro significado: será a divisão entre a escolha de resistir contra a ocupação e uma aceitação passiva das condições políticas de Israel e dos EUA.

Entrevista com Nassar Ibrahum, Director Político do Centro de Informação Alternativa. Tradução de Joana Valdez para o Esquerda.net

O que é que se passa na Cisjordânia em relação ao ataque israelita a Gaza? Porque é que a reacção não é assim tão forte?

A reacção na Cisjordânia é fortemente afectada pela divisão interna da Palestina: o poder na Cisjordânia é actualmente detido pela Fatah e pelas Autoridades Palestinianas. Pouco depois da eleição de 2006, nas quais o Hamas venceu, o antagonismo entre o anterior governo da Fatah e o novo governo Hamas veio ao de cima. Esta oposição pode ser vista como a diferença entre duas escolhas estratégicas: aquela representada pela liderança da Fatah e apoiada por muitos regimes árabes leais ao poder dos EUA, que vê negociações de paz e o envolvimento de instituições internacionais como a única forma para resolver o conflito Israelo-Palestiniano. A outra estratégia é o movimento de resistência, recorrentemente conduzido pelo Hamas com a participação de grupos esquerdistas (PFLP, DFLP), as brigadas da Fatah al Aqsa, a Jihad Islâmica, etc.

Quando Israel atacou Gaza, há 20 dias atrás, a posição política da Autoridade Palestiniana na Cisjordânia foi clara: "não fazemos parte deste ataque". Como tal, estão a utilizar todo o poder para manter a Cisjordânia o mais calma possível, empregando polícias palestinianos, de forma a prevenir quaisquer confrontos entre manifestantes palestinianos e soldados israelitas. Como resultado desta política, as reacções na Cisjordânia não são suficientemente fortes.

Tal como anunciou a própria Livni por diversas vezes, o ataque a Gaza, que é um massacre, um genocídio, não está a ser levado a cabo para derrubar o Hamas ou para parar o lançamento de rockets: estão a atacar Gaza para destruir qualquer grupo ou qualquer movimento palestiniano que veja a resistência como a principal forma de fazer face à ocupação Israelita. Apenas livrando-se do movimento de resistência palestiniana é que Israel vai conseguir impor as suas condições sobre a mesa.

A liderança da Fatah na Cisjordânia devia tomar medidas concretas contra a ocupação e não deve fornecer qualquer cobertura política para a agressão de Israel a Gaza. Pelo contrário, a Autoridade Palestiniana actua como mediador, como o Egipto e outros regimes árabes, em vez de pressionar directamente Israel enquanto a resistência luta para impedir que Israel atinja sucessos reais. Manter a Cisjordânia calma é uma grande ajuda para Israel, tal como para outros regimes Árabes que não tomam fortes posições contra o ataque. Esta situação confere a Israel mais tempo para reverter a seu favor a situação de Gaza, primeiro militarmente e depois politicamente.

...nesta perspectiva, o papel da Autoridade Palestiniana já não é apenas uma "posição moderada" mas de conivência real com o ataque Israelita...

Claro que não é uma posição moderada, mas uma escolha política, e a Autoridade Palestiniana irá pagar um preço por isso: para os palestinianos, a guerra de Israel em Gaza é contra o direito a escolher resisitir para acabar com a ocupação.

A guerra demonstra claramente que estamos divididos em duas frentes, a frente da resistência e a frente que apoia o ataque de Israel. Qual é a posição da Autoridade Palestiniana e em que frente se encontram? E a dos regimes árabes? Quanto à última guerra no Líbano, na qual alguns regimes árabes culparam o Hezbollah, na actual guerra eles tomam o Hamas como responsável pelo ataque, apoiando assim Israel. Culpam o Hamas por lançar rockets nas fronteiras do Sul de Israel, mas isto não está correcto: durante o sexto mês do cessar-fogo, o Hamas parou com os bombardeamentos, mas o cerco continuou, e o cerco é parte de uma acção militar. Deverá permitir-se que Israel nos mate devagarinho sem qualquer tipo de reacção?

...parece outro passo na política de longo-prazo israelita de limpeza étnica dos palestinianos...

Sim, é, diz Israel que tem o direito de defender os seus civis dos bombardeamentos, mas a questão real é "porque é que estão a ocupar estes povos?" O primeiro problema é a ocupação. E também a ajuda da comunidade internacional a Israel, que em anda contribui para resolver a questão da ocupação. Com o actual ataque, Israel está a tentar esquecer a sua derrota no Líbano, mostrando ao mundo as suas armas de alta-tecnologia, utilizando-as contra cidades e pessoas desprovidas de qualquer possibilidade de fuga. Israel quer, primeiro, derrubar o Hamas, em segundo lugar pretende impedir que entrem armas nas fronteiras de Gaza, e em terceiro lugar, pretende impor uma alteração radical na situação política. Israel está a utilizar todo o seu sistema de propaganda de forma a apresentar isto como sendo uma guerra entre dois exércitos, mas de facto existe um confronto entre uma resistência palestiniana praticamente desarmada e o super poder de Israel.

Israel diz que os combatentes se escondem entre os civis, utilizando-os como escudos, mas na realidade não há qualquer distinção entre os combatentes e os restantes palestinianos porque os primeiros são os filhos, os irmãos e os maridos das mesmas pessoas que sofrem com este ataque.

A sua resistência heróica é o reflexo da resistência heróica dos habitantes de Gaza, e Israel sabe-o muito bem, sendo essa a razão pela qual matam civis indistintamente: combate-se a própria resistência, lutando contra os civis. Como consequência, não restam opções para o povo palestiniano além de lutar ou desistir.

Vejamos as consequências do designado processo de paz: Gaza está sob cerco, mas a situação da Cisjordânia, mesmo não disparando morteiros contra Israel, é praticamente a mesma (o muro, os check points, as prisões, os assassinatos). A liderança palestiniana deve parar e considerar os resultados do processo de paz, uma longa negociação com 15 anos que só tornou a situação cada vez pior.

Só a escolha da resistência pode pôr termo à ocupação. Lutando e negociando, em conjunto. Não há exemplos, na História, de um povo sob ocupação acabar com todas as formas de resistência para confiar numa negociação. De forma a atingir um resultado, os palestinianos têm de batalhar e negociar ao mesmo tempo. De outra forma começariam as negociações já derrotados e apenas podiam aceitar passivamente as condições de Israel.

Voltemos à actual divisão entre a Autoridade Palestiniana na Cisjordânia e o Hamas na Faixa de Gaza. Acredita que serão possíveis futuras reconciliações?

Depois desta guerra, a divisão já não é entre a Fatah e o Hamas, mas adquire outro significado: será a divisão entre a escolha de resistir contra a ocupação e uma aceitação passiva das condições políticas de Israel e dos EUA. Por outras palavras, os palestinianos devem desistir. Depois da guerra o mapa político será diferente: as pessoas vão escolher a resistência. Olhem para Gaza, vejam o apoio popular ao Hamas: os palestinianos apoiam a sua resistência em Gaza porque o Hamas é agora visto como um actor poderoso procurando defender os direitos nacionais palestinianos. Por outro lado, a posição política da Autoridade Palestiniana é vista como cúmplice do ataque Israelita a Gaza.

Lembro-me, inclusive, de alguns discursos dos líderes da Autoridade Palestiniana dizendo que os habitantes de Gaza teriam de ser pacientes porque a legitimidade regressaria em breve. Mas como voltarão a Gaza? Conduzindo os tanques Israelitas? Quem é que alguma vez os vai aceitar em Gaza depois de tanto sangue derramado, depois de mais de 1000 mártires e 5000 feridos, depois de toda esta destruição? A legitimidade vem da luta e não da colaboração com o invasor. Se alguma vez os palestinianos tornarem a confiar na actual liderança da Autoridade Palestiniana, será um grande erro histórico.

Qual será o papel da Esquerda Palestiniana no futuro? Poderá ser uma alternativa tanto para a liderança da Fatah como do Hamas?

Depois do colapso da União Soviética, o movimento político islâmico ganhou poder no mundo Árabe e Islâmico. A vitória da política islâmica é o resultado das políticas neo-conservadoras e do sistema de propaganda dos EUA: eles tiveram sucesso na divisão do mundo e colocando o debate entre "Este" e "Oeste". Como resultado, a maior parte das pessoas mobilizaram-se em torno dos movimentos islâmicos, vistos como a alternativa mais forte neste período da história. Isso não significa que ja não haja Esquerda: a liderança do Islão político apenas manter-se-á enquanto os movimentos islâmicos combaterem o imperialismo. Um apoio massivo aos movimentos islâmicos não significa que as pessoas aceitem as suas ideologias ou agenda social: até este ponto a luta tem sido no sentido de ganhar um nível mínimo de direitos para os povos Árabes.

As massas que se juntam nas ruas manifestam-se contra a hegemonia dos EUA no Médio Oriente, e até ao momento o movimento islâmico carrega a bandeira desse protesto. Não se encontram sozinhos, o povo de esquerda é parte desta luta. De novo, este é o ponto decisivo: a escolha entre a resistência contra o imperialismo de Israel e EUA ou a derrota - esta última é a estratégia dos seguidores das políticas de Israel e dos EUA, primeiro e acima de tudo, dos regimes Árabes aliados destes.

Quando vejo as manifestações em todo o mundo, pergunto-me: "porque é que eles estão a defender Gaza?" Apenas porque os habitantes de Gaza são seres humanos como todos os outros? Não, nós combatemos na mesma batalha, nós estamos a enfrentar as mesmas consequências terríveis das políticas Americanas no mundo: a situação de Gaza é apenas o resultado destas políticas, que estão a falhar em todo o mundo. Os EUA falharam militarmente, tanto no Iraque como no Afeganistão, e falharam economicamente como demonstra o recence colapso do sistema financeiro. Israel também falhou no Líbano, na guerra de 2006, e vai falhar novamente em Gaza. Israel e os EUA estão a pagar o preço de uma estratégia estúpida. Colapsaram moralmente. Nós vamos ensinar-lhes o que significa defender os direitos humanos.

Esta entrevista foi conduzida a 16 de Janeiro de 2009 por Enrico Bartolomei e publicada no site do Centro de Informação Alternativa.

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Resto dossier

Dossier Massacre de Gaza

Desde o início dos bombardeamentos de Israel a Gaza, a 27 de Dezembro, e até 18 de Janeiro morreram 1310 palestinianos.

Em Israel, a norma é um desapego da realidade

Pouco depois de ter visto «Valsa com Bashir», vi na televisão imagens dos corpos dos palestinianos quebrados pelas bombas e os mísseis israelitas em Gaza no 22º dia de bombardeamento. Ao início, pensei que pouca coisa tinha mudado desde Sabra e Chatila. Mais uma vez, dizia-se a mesma desculpa insultante, segundo a qual, de qualquer forma, Israel não tem culpa.

"A resistência deve ser a nossa escolha estratégica"

Depois desta guerra, a divisão já não é entre a Fatah e o Hamas, mas adquire outro significado: será a divisão entre a escolha de resistir contra a ocupação e uma aceitação passiva das condições políticas de Israel e dos EUA.

Uma guerra inútil levou a uma derrota moral para Israel

Em termos históricos, é impossível separar a ofensiva de Israel contra o Hamas em Gaza do longo historial de conflitos e queixumes mútuos na região. Em termos geográficos, a guerra sobre uma minúscula parcela de terra não pode ser desligada do envolvimento mais alargado e dos interesses estratégicos de outros países: Síria, Egipto, EUA, Irão.

Alarme pelo uso de novas armas letais contra Gaza

Médicos locais dizem que vários ferimentos incomuns e expandidos podem indicar que durante a guerra foram usados novos tipos de armas contra a população de Gaza. Os funcionários da saúde estão a constatar ferimentos nunca vistos antes, ou pelo menos numa escala tão maciça.

Barghouti: "Não quero criar ilusões sobre Obama"

Nesta entrevista ao jornal egípcio Al-Ahram, dada antes do início da trégua em Gaza, o secretário-geral da Iniciativa Nacional Palestiniana, Mustafa Barghouti, duvida que Obama rompa com o lóbi judeu e observa que a administração Bush fez tudo para que o novo presidente se veja incapaz de operar mudanças na política americana em relação ao Médio Oriente. Barghouti defende um governo de unidade nacional e a realização de eleições em todos os territórios palestinianos ocupados.

As coisas que se vêem de Haia

Quem é o responsável pelas mortes e pela destruição? O teste público, moral e judicial será aplicado aos três estadistas israelitas que enviaram o exército para a guerra contra uma população indefesa que não tinha sequer um local para se refugiar, uma guerra que é talvez a única na História contra uma faixa de terra encerrada por uma vedação.

Operação Chumbo impune, por Eduardo Galeano

De onde vem a impunidade com que Israel está a executar o massacre de Gaza? O governo espanhol não teria podido bombardear impunemente o País Basco para acabar com a ETA, nem o governo britânico teria podido arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Acaso a tragédia do Holocausto implica uma política de eterna impunidade?

Boicote a Israel para acabar com a violência em Gaza

Chegou o momento. Há muito que chegou. A melhor estratégia para pôr fim à cada vez mais sangrenta ocupação é converter Israel em objectivo do tipo de movimento mundial que ajudou a pôr fim ao regime do apartheid na África do Sul.

Quantas divisões?

Há quase 70 anos, durante a II Guerra Mundial, cometeu-se um crime de ódio em Leninegrado. Por mais de mil dias, um gang de extremistas, chamado "o Exército Vermelho" sequestrou e manteve sob cerco os milhões de habitantes da cidade, o que provocou acção de retaliação pela German Wehrmacht, que teve de agir em áreas superpovoadas. Os alemães só tiveram essa escolha: bombardear e encurralar a população e impor total bloqueio, o que matou centenas de milhares.

Os média em Israel tocam as trombetas da guerra

Um historiador do futuro que algum dia examine os arquivos dos jornais de Israel verá com clareza absoluta: para Israel, 200, 300 e, depois, 400 palestinianos assassinados 'não é' manchete. Os média em Israel são "poupados" de ter de exibir imagens "fortes". Israel abraça e sempre abraçará qualquer guerra, qualquer barbárie. Israel crê-se tão poderoso que se brutalizou, que já não sente. A análise é do jornalista israelita Gideon Levy.

O objectivo de Israel não é a paz, mas o domínio militar

Um estado pária é aquele que viola a lei internacional, possui armas de destruição em massa e pratica o terrorismo - o uso da violência contra civis com objectivos políticos. Israel cumpre os três critérios, conclui Avi Shlaim, professor de Relações Internacionais na Universidade de Oxford, que serviu no exército israelita e nunca questionou a legitimidade deste Estado. Mas a impiedosa agressão a Gaza conduziu-o a esta e a outras conclusões devastadoras.

Depois do massacre, mentiras repetem-se

Em artigo publicado no The Independent, o jornalista Robert Fisk acusa o governo israelita de contar mentiras para tentar justificar as atrocidades cometidas em Gaza. "O que surpreende é que tantos líderes ocidentais, tantos presidentes e primeiros-ministros e, temo, tantos editores e jornalistas tenham acreditado na mesma velha mentira: que os israelitas algum dia se tenham preocupado em poupar civis", escreve.

Porque é que Israel bombardearia uma Universidade?

Sou bolseiro da Fundação Fulbright e professor de literatura norte-americana na Universidade Islâmica de Gaza (UIG). Nessa condição, preferi sempre não falar sobre o conflito Israel-Palestina. Sempre entendi que o meu dever era ensinar os valores da paz e da coexistência pacífica. No entanto, o ataque massivo de Israel contra a Faixa de Gaza obrigou-me a falar.

Operação chumbo fundido

Esta guerra é como um graffiti no muro: Israel está a perder a oportunidade histórica de fazer a paz com o nacionalismo árabe secular. Amanhã talvez seja obrigado a enfrentar um mundo uniformemente árabe fundamentalista, o Hamas multiplicado por mil.

Cronologia dos acontecimentos

Nesta cronologia, procuramos relembrar os principais antecedentes do ataque israelita a Gaza: a imposição do bloqueio económico, o cessar-fogo entre Israel e o Hamas, e os factos que levaram ao seu rompimento.

Se Gaza cair...

O que está a acontecer em Gaza, ante os nossos olhos, é a destruição de toda uma sociedade e nenhum clamor se ouve, além dos avisos da Organização das Nações Unidas (ONU), que são ignorados pela comunidade internacional. Com o bloqueio praticado por Israel, a população da região (cerca da metade é composta por crianças) está sem alimentos e remédios.

Israel não aprende!

Quando George Bush, presidente dos EUA, pisou pela primeira vez a Casa Branca como comandante-em-chefe, em 2001, os palestinianos estavam a ser mortos na Intifada de al-Aqsa. Oito anos depois, quando Bush se prepara para sair de lá, Israel realiza um dos maiores massacres dos seus 60 anos como potência ocupante, na Palestina. Antes, como hoje, os EUA decididamente apoiam a ofensiva israelita, e dizem, até, que seria defensiva.

Carta de Gaza: “ Viver sob os bombardeamentos”

Caros Amigos, estou a escrever-vos dois dias depois devido à falta de electricidade.
Quero chorar porque o Dr. Nizar Rayan, professor na Universidade Islâmica foi morto, bombardeado com toda a sua família dentro da sua própria casa. Era um homem corajoso , que se recusou a deixar a sua casa apesar de todas as ameaças israelitas.

Das cinzas de Gaza

Perante o último ataque de Israel, a única opção para o nacionalismo palestiniano é abraçar a solução de um só Estado, a exigência de que o país e os seus recursos sejam divididos equitativamente, na proporção de duas populações que são iguais em tamanho - não 80% uma e 20% a outra, uma desapropriação de tal forma iníqua que nenhum povo que tenha auto-estima jamais se vai submeter a ela a longo prazo.

Tentar 'dar uma lição ao Hamas' é errado

O ataque a Gaza exige, em primeiro lugar, algumas recordações históricas. As justificações dadas e os alvos escolhidos são uma repetição das mesmas concepções básicas que se provaram erradas dia após dia. Ainda assim, os israelitas continuam a tirá-las da cartola vezes sem conta, numa guerra depois da outra.

Última hora antes de Obama e das eleições israelitas

Há uma dimensão obscena no ataque a Gaza: as centenas de vítimas dos bombardeamentos israelitas sobre Gaza são vítimas colaterais da campanha eleitoral israelita; para aumentar o seu apoio popular antes das eleições, todos os líderes israelitas estão a competir para ver quem é o mais duro e quem está disposto a matar mais.