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Novo Aeroporto Internacional de Lisboa

No momento actual de debate público sobre a "solução" que está no terreno, levantam-se algumas questões a cuja resposta se admite que possam servir de orientação para as escolhas a fazer.
A primeira, porventura básica, é a de saber se é justificável um Novo Aeroporto Internacional de Lisboa (NAIL) e para um prazo de dez anos, que se anuncia como absolutamente necessário.
Os dados da movimentação global do aeroporto da Portela, comparativamente com outros aeroportos (ver caixa), permitem concluir que:

1º. A manter-se o ritmo de crescimento, observado na Portela, nos últimos seis anos (2000-2006), medido em nº de movimentos de aeronaves comerciais (aterragens+descolagens), poderemos esperar em 2016 um total de cerca de 185.000 (+39% dos que se registaram em 2006), valor esse que deve situar-se próximo do limite da capacidade do actual aeroporto;

2º. Em termos de passageiros, se o crescimento for o mesmo do registado nos últimos 6 anos (+4,6%, em média anual), isso deverá equivaler em 2016 a cerca de 19 milhões de passageiros/ano, valor esse que, mesmo considerando as obras de aumento de capacidade da placa que estão em curso, deve significar o limite de capacidade do aeroporto da Portela;

3º. Em resultado dos pontos anteriores, parece, portanto, que o volume de passageiros é um ponto crítico para avaliar o momento em que a Portela atinge o seu limite de capacidade (argumenta-se que, com as obras de alargamento em curso, esse limite deverá passar a ser de 18 milhões de passageiros/ano), o qual, considerando uma hipótese de crescimento de +3%/ano (1), à medida que o movimento global for aumentando e admitindo algum impacto da entrada em funcionamento da AV Lisboa-Madrid, o limite dos 18 milhões de passageiros/ano só deverá ser atingido por volta do ano de 2019-2020 (ver caixa).

Embora possa suscitar alguma controvérsia o volume de passageiros que parece corresponder ao limite de capacidade da Portela renovada e aumentada, a conclusão a tirar é que, não se vislumbrando uma redução do tráfego aéreo de passageiros nos anos mais próximos (pelo menos, no que se refere ao aeroporto de Lisboa), a verdade é que mais ano, menos ano, a capacidade da Portela vai-se esgotar e um novo aeroporto torna-se inevitável.

A questão seguinte, será então: um novo aeroporto, com ou sem Portela? Isto é: a melhor alternativa será Portela+1 ou NAIL, com encerramento da Portela?

A resposta a esta questão é crucial. Mas, do ponto de vista das vantagens que o actual aeroporto encerra (situar-se muito próximo do centro da cidade, o que lhe aumenta enormemente a sua acessibilidade, embora apresente muitas questões de segurança que importa considerar), parece aconselhável que o futuro NAIL possa ser construído de tal forma que a sua entrada em funcionamento seja compatível com a manutenção da Portela renovada, de tal forma que seja possível gerir os dois aeroportos numa perspectiva complementar e não mutuamente exclusiva (como é a actual perspectiva que se perfila para o aeroporto da OTA, ou seja, apenas OTA, com encerramento da Portela). Avaliar esta alternativa é condição para a decisão do futuro da Portela, até porque os investimentos previstos para o aumento da capacidade da Portela representam muitos milhões de euros que, à luz da teoria económica, deverão ser rentabilizados num período relativamente alargado de funcionamento.

(1) A taxa de crescimento em passageiros na Portela, observada nos últimos 6 anos (2000-2006), foi de +4,6%/ano.

(...)

Resto dossier

OTA em debate

"Ota em debate" é o dossier desta semana, que está aberto à participação dos nossos leitores e leitoras. Assim, apelamos a que nos enviem opiniões, apresentações, comentários (para o e-mail: otaemdebate@esquerda.net) que publicaremos (1), numa área específica do portal esquerda.net, a partir de terça-feira desta semana.

Novo aeroporto e TGV

Uma questão importante sobre o novo aeroporto, diz respeito à articulação que deve ter com a linha de Alta Velocidade (AV) prevista para a ligação Lisboa-Madrid.  A "solução OTA" é, deste ponto de vista, a que menos vantagem colhe numa perspectiva de ligação ao futuro hinterland do NAIL.

Novo Aeroporto Internacional de Lisboa

No momento actual de debate público sobre a "solução" que está no terreno, levantam-se algumas questões a cuja resposta se admite que possam servir de orientação para as escolhas a fazer.
A primeira, porventura básica, é a de saber se é justificável um Novo Aeroporto Internacional de Lisboa (NAIL) e para um prazo de dez anos, que se anuncia como absolutamente necessário.

OTA a perder velocidade

O entusiasmo em defesa da solução OTA para o Novo Aeroporto Internacional de Lisboa está em perda acentuada de velocidade. Enquanto que o ministro Mário Lino se fez ouvir no actual debate afirmando que "só um milagre" o faria mudar de posição, o Secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos, já veio dizer que o Governo "não é autista" em relação às vozes que têm argumentado contra a solução-OTA. O "unanimismo" de outrora, que uniu PSD e PS na solução OTA, e que o actual governo PS adoptou como sua, parece começar a ceder face aos argumentos que têm surgido em favor da necessidade de se estudar a sério todas as soluções para um Novo Aeroporto Internacional de Lisboa (NAIL), antes de se tomar a decisão definitiva.

Links

Existem muitos sites e blogues com informação e comentários sobre o novo aeroporto, nomeadamente os seguintes:
O site oficial do novo aeroporto (naer.pt), que tem uma área de estudos do NAER
O site da organização ambiental de Alenquer, Alambi
O site maquinistas.org
A secção transportes do site da Sociedade de geografia de Lisboa

Ota: PS rejeita estudo de alternativas

O Partido Socialista recusou as propostas do Bloco de Esquerda e do PSD, que visavam a constituição de uma comissão para avaliar alternativas à localização e financiamento do novo aeroporto de Lisboa. Helena Pinto referiu-se às alternativas na margem sul, criticou a intenção de privatizar a ANA e questionou directamente o governo e o Partido Socialista: "Qual é o medo de debater esta questão abertamente? Qual é o medo que a Assembleia da República acompanhe o desenvolvimento daquela que será a maior obra pública dos próximos anos?"

OTA, um Aeroporto para quê?

Comunicado conjunto das associações ambientalistas Quercus e Alambi, divulgado a 12 de Março de 2004.
Desde o início que os movimentos ligados à defesa do ambiente se têm mostrado bastante reticentes em relação à construção de um Novo Aeroporto Internacional de Lisboa na Ota. Os estudos de incidência ambiental determinam claramente a impossibilidade de uma decisão ponderada sem estudos complementares e sem que se houvesse realizado um Estudo de Impacte Ambiental. E que a limitação de conhecimento do projecto impeditiva de qualquer tomada de posição definitiva, indicava que nada seria assumido sem a intervenção séria e abalizada dos agentes interessados.

Dor antes das dez semanas é invenção do Não

No último programa Prós e Contras o país foi surpreendido por uma novidade absoluta: afinal, «o feto sente dor antes das dez semanas». Na manhã seguinte os Médicos Pela Escolha desmentiram essa afirmação, que vai contra todas as evidência da ciência. Jorge Sequeiros, Presidente do Colégio de Genética Médica e Membro do Conselho Nacional de Ética e Ciências da Vida, explica neste artigo a falácia (mais uma) dos defensores do Não.