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A música

"Uma vez até atingi aquilo de que muitos músicos já me falaram, que é o estado Alfa … é um estado em que já não se sente o próprio corpo. Está-se a fazer, sabe-se o que se está a fazer, mas já não se sente o corpo, perde-se a noção de estar ali."
Foi a única vez na minha vida em que até atingi aquilo de que muitos músicos já me falaram, que é o estado Alfa . Foto de João Bélard

"Tive um projeto que se chamava 'Piano, Espaço e Momento', que foi gravado no Pavilhão de Portugal no ano passado, e tinha uma dinâmica muito engraçada entre a música que eu fazia de improviso, o espaço e as pessoas que por ali passavam. O meu primeiro 'set' foi de três horas e meia sem parar (risos). Portanto imagine. Cheguei ao fim completamente fora de mim. Foi a única vez na minha vida em que até atingi aquilo de que muitos músicos já me falaram, que é o estado Alfa … é um estado em que já não se sente o próprio corpo. Está-se a fazer, sabe-se o que se está a fazer, mas já não se sente o corpo, perde-se a noção de estar ali. A música, o piano e o músico passam a ser apenas um no momento.

… A música para mim também é um sofrimento. Muitas vezes representa um conflito. Entre aquilo que eu gostava de fazer e aquilo que não consigo fazer no momento... não é a técnica que realmente me preocupa, é o resultado final. É olhar para a música e pensar, muito seriamente, o que é que eu estou ali a fazer. Porque é que eu estou em palco a tocar para as pessoas? (...)

Seria desonesto da minha parte se não dissesse que a música me corre nas veias, que é algo que me vem de dentro e que só assim lhe vou achando um sentido. Não há nada a fazer. Começa por ser um gesto com algo de egoísmo... Não há outra forma de ser verdadeiro. Mas a música será sempre uma questão que me vai deixar muitas dúvidas."

Da entrevista a João Pedro Oliveira, Diário Económico

Bernardo Sassetti - Medley "Sonho dos Outros & Promessas" @ rendezvous 08

Bernardo Sassetti - Pavilhão de Portugal (2007)

(...)

Resto dossier

Vamos ouvir Sassetti!

“Ouçam [a minha música], tentem compreender, gostar, partilhar”, disse o pianista e compositor Bernardo Sassetti, numa das suas últimas entrevistas. Falecido prematuramente aos 41 anos, que melhor homenagem fazer-lhe que não seja ouvir a sua música? Neste dossier, procuramos traçar um percurso, baseado nas palavras do próprio Sassetti, acompanhados de links para vídeos de apresentações e músicas. Dossier de Luis Leiria.   

Sassetti tinha uma aura muito forte, uma maturidade impressionante

Carlos Barreto (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria), integrantes do trio de Bernardo Sassetti durante quase 15 anos, evocam o pianista falecido prematuramente e homenageiam a pessoa séria, bem humorada, competente e multifacetada.

Quem é

Um terrestre à procura de qualquer coisa, sobretudo na música, que ainda não sabe muito bem o que é.

Influências: Bill Evans

Em 1983, Sassetti estudava no Passos Manuel, tinha aulas particulares de piano e solfejo e um gosto especial pela música clássica. Um programa da RTP2, Jazz Magazine, que exibiu um concerto do pianista Bill Evans, fê-lo abraçar o Jazz.

A paixão pelo Jazz

Devia ser considerado um adolescente diferente, não especial, mas diferente, já que, em vez de ouvir os sons da época, passava as horas ligado a Duke Ellington e a Thelonius Monk.  

Os primeiros CDs

 

“A música que faço não se dá bem com a lógica de uma multinacional que, onde aposta, tem que ver de imediato garantias de vendas muito rápidas.”

O trio

O Carlos Barretto e o Alexandre Frazão fazem parte da minha vida de uma forma magnífica. Eles são uma inspiração. 

O duo com o Mário Laginha

“A empatia que partilho com o Mário, de concerto a concerto, tem sido muito enriquecedora para mim.”

3 pianos

"O Bernardo é um grande impulsionador de um lado caótico.” Bernardo Sassetti veste uma expressão mais interrogativa que surpreendida, e todos se riem.  

Música para cinema: “Alice”

“A meu ver, o som deste filme representa o silêncio interior de um pai vs. o som agressivo que o rodeia diariamente na cidade de Lisboa.”

A música

"Uma vez até atingi aquilo de que muitos músicos já me falaram, que é o estado Alfa … é um estado em que já não se sente o próprio corpo. Está-se a fazer, sabe-se o que se está a fazer, mas já não se sente o corpo, perde-se a noção de estar ali."