Um editorial recente do prestigioso diário financeiro britânico Financial Times advertiu para o risco de a atual disputa tecnológica entre os Estados Unidos e a China provocarem uma divisão tecnológica global, criando duas esferas: uma liderada pelos Estados Unidos e a outra pela China.
O editorial evoca a previsão feita neste sentido pelo ex-presidente da Google Eric Schmidt e cita uma entidade da indústria que advertiu para o risco que correm os padrões da Internet 5G devido à disputa EUA versus China. “Isso poderia significar que os aparelhos produzidos num mercado poderiam ser incompatíveis com os do outro.”
Para o FT, esta situação forçaria países e empresas a escolher lados na guerra de comércio tecnológico. Entre os países que ficariam numa situação difícil, do ponto de vista diplomático, estão aqueles que receberam fundos oriundos de programas como a Iniciativa Um Cinturão, Uma Rota. “O primeiro-ministro da Malásia disse que o país usaria a tecnologia da Huawei o máximo possível.
Pelo menos dois grupos de telecomunicações europeus estariam a avaliar instalar unidades separadas para os hemisférios oriental e ocidental
Poderosos aliados dos EUA, incluindo o Reino Unido e a Alemanha, estão a ser pressionados a banir a Huawei”, observa o editorial.
Como mais uma evidência do risco de ocorrer uma divisão de tecnologias e a rutura dos padrões do 5G, o FT afirma que pelo menos dois grupos de telecomunicações europeus estariam a avaliar instalar unidades separadas para os hemisférios oriental e ocidental.
A Internet diante de uma “bifurcação”?
Em setembro do ano passado, o ex-presidente da Google Eric Schmidt, durante um evento privado em San Francisco, disse acreditar “que o cenário mais provável por enquanto não é uma fragmentação, mas uma bifurcação numa Internet controlada pela China e outra não chinesa, controlada pelos EUA”.
O comentário de Schmidt foi em resposta a uma questão que lhe foi colocada sobre a possibilidade de, nos próximos 10-15 anos, a Internet poder se fragmentar em três ou quatro subredes com regulações diferentes e acesso limitado.
"Se olharmos para a China, e eu estive lá recentemente, a escala das empresas e dos serviços que estão a ser criados, a riqueza que está a ser gerada, é fenomenal. A quota-parte da Internet chinesa no PIB do país, que é um número grande, é maior que nos EUA", disse.
Segundo Schmidt, os chineses não são apenas “bons na Internet”; eles podem vir a ser uma “liderança fantástica” em produção de bens e serviços.
O ex-presidente da Google também citou a iniciativa chinesa Um Cinturão, Uma Rota que envolve 60 países, e considerou muito possível que estes países comecem a usar infraestrutura chinesa. (L.L.)