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Como a China desafia o Vale do Silício

A ascensão de algumas importantes empresas chinesas de internet coloca sérios desafios às companhias norte-americanas líderes da digitalização nos últimos 20 anos. Estas empresas ocupam lugares chave num capitalismo digital com marca chinesa. Por Florian Butollo e Philipp Staab.
A Alibaba é uma das empresas chinesas que alcançou tecnologicamente os gigantes do Vale do Silício.
A Alibaba é uma das empresas chinesas que alcançou tecnologicamente os gigantes do Vale do Silício.

Este artigo de Florian Butollo e Philipp Staab foi escrito tendo como base a discussão ocorrida no foro Geopolitik des Internets: Globale Machtverschiebung durch digitale Dominanz? [Geopolítica da internet: deslocamento no poder global pelo domínio digital?], no marco do congresso Digitaler Kapitalismus: Revolution oder Hype? [Capitalismo digital: revolução ou mera publicidade?], que ocorreu nos dias 2 e 3 de novembro de 2017 na Fundação Friedrich Ebert (FES), em Berlim.

A internet comercial ocidental tem permanecido nas mãos de uma pequeníssima quantidade de grupos empresariais gigantes há já bastante tempo. As decisivas “empresas líder”1 da digitalização, muitas vezes nomeadas mediante o acrónimo GAFA (Google, Apple, Facebook, Amazon), ampliaram gradualmente o seu poder no mercado a partir da explosão da bolha das ponto com, em fins dos anos 1990, e hoje controlam os mercados da internet comercial em grande parte do mundo.

A geografia do capitalismo digital

No entanto, caso a visão se restrinja à internet comercial ocidental, são negligenciados aqueles lugares onde o complexo GAFA ainda não alcançou o domínio que possui nos Estados Unidos e na Europa. Destacam-se, sobretudo, duas regiões do mundo. Por um lado, na zona de fala russa puderam firmar-se no mercado atores que não pertencem ao complexo GAFA, tais como Yandex (originalmente um motor de busca e hoje um completo ecossistema digital) e grupo Mail.Ru (VKontakte, Odnoklassniki). Por outro lado, na China, desenvolveram-se plenamente grupos empresariais – sobretudo o trio conhecido como BAT, formado por Baidu, Alibaba e Tencent (proprietário da Qzone) –, alcançando tecnologicamente os gigantes do Vale do Silício. No âmbito chinês, estes grupos estão a ofuscar as empresas GAFA em termos de poder de mercado.

O que há por trás do BAT? O êxito destas companhias é o ponto de partida para uma apreciação integral das empresas chinesas?

De um ponto de vista analítico, também possuem algumas características especiais. Na economia digital, no plano geoestratégico, as cartas não parecem estar divididas tão unilateralmente em termos de supremacia económica, como poderia pensar-se a partir de uma perspetiva ocidental. O que há por trás do BAT? O êxito destas companhias é o ponto de partida para uma apreciação integral das empresas chinesas? Isto significa que a economia chinesa, que nas últimas décadas desempenhou um papel importante, mas subordinado como banco de trabalho do mundo e numa uma escala inferior diante das marcas ocidentais, agora está a tornar-se finalmente uma superpotência?

O papel do Estado

Em trabalhos sobre o desenvolvimento da economia digital na costa oeste dos Estados Unidos, a investigação crítica muitas vezes destacou que, diferente do que suporiam as descrições surgidas do próprio campo, no auge da economia digital tiveram um papel crucial não apenas as tecnologias “disruptivas”2 e as personalidades “disruptivas” do empresariado3, mas, sobretudo, o Estado. Por exemplo, Dan Schiller, no seu trabalho pioneiro sobre o capitalismo digital, demonstrou que os programas de investimentos militar keynesianos, em particular, assentaram as bases para o êxito futuro das empresas digitais líderes4. Mariana Mazzucato demonstrou de maneira impactante o papel crucial desempenhado pela investigação financiada com fundos públicos, por exemplo, nas patentes chave do primeiro iPhone5.

Hoje em dia, na China também existe uma estrutura específica de investimento estatal que, no entanto, vai claramente além do que se conhece da história do Vale do Silício. A estratégia chinesa de alta tecnologia baseia-se numa política industrial cujo objetivo é a autonomia tecnológica e económica. É uma expressão do capitalismo de Estado 3.0, que se identificou como uma característica das grandes economias emergentes6, mas vai além na intensidade do planeamento estratégico e na sua articulação com a política de vigilância autoritária.

O plano decenal Made in China 2025 (MIC 2025), adotado em 2015, tem como objetivo fomentar as empresas chinesas mais sólidas numa ampla gama de setores industriais. Ao invés de continuar prestando serviços às funções mais baixas das redes mundiais de produção, surgirão novas estruturas de produção centradas na China, que aproveitarão o crescimento dinâmico do mercado interno. Estas cimentarão a sua fortaleza no seu próprio poder inovador7. Neste sentido, MIC 2025 é mais que uma agenda de digitalização e, de modo algum, é uma cópia ruim da indústria 4.0, apesar deste termo ser amplamente adotado na China.

O MIC 2025 chega acompanhado – isto é particularmente relevante para o tema tratado aqui – pela agenda Internet Plus. O plano está focado principalmente em companhias do setor industrial e as respalda no uso de tecnologias de automatização e redes de dados para uma atualização tecnológica. A agenda Internet Plus vai no sentido inverso, ao promover sistematicamente a exploração do papel económico da internet. Ao combinar os dois enfoques, a China está bem posicionada para se tornar beneficiária da digitalização do capitalismo. O país tem um setor industrial gigantesco, mas ainda pouco tecnologizado e, ao mesmo tempo, possui atores fortes na economia digital. Além disso, diferente da situação noutros países em desenvolvimento, a internet comercial não é dominada por empresas dos EUA.

Interesses políticos na internet comercial

Uma combinação de protecionismo económico e apoio estatal específico para companhias digitais chave, especialmente do complexo BAT, deu lugar a conglomerados nacionais na internet comercial que chegaram aos postos superiores no ranking das companhias mais valiosas do mundo. Por exemplo, Tencent tornou-se a primeira companhia chinesa de internet a se unir ao ilustre clube desses grupos empresariais, com um valor de mercado de mais de 500 mil milhões de dólares8.

O incentivo dado a partir da política às empresas líderes da internet comercial chinesa e a sua conexão com todas as áreas da economia e a vida não segue apenas os cálculos da política económica. Ao contrário, a internet chinesa passou de ser um lugar de possível subversão para se tornar um espaço utilizado especificamente para assegurar o poder político.

O enorme alcance da vigilância e o controle estatal na conexão do Estado de segurança nacional com as empresas líderes da internet comercial foi demonstrado contundentemente pelas revelações de Edward Snowden, há alguns anos. À luz do que existe ou se está a gestar hoje na China, o furor por monopolizar informação por parte das agências de espionagem ocidentais e a disposição a cooperar do complexo GAFA parecem apenas os primeiros ensaios de vigilância estatal-digital no marco da fusão de empresas e aparelhos de controle estatais.

Vigilância do cidadão por um sistema envolvendo o Estado e empresas privadas
Vigilância do cidadão por um sistema envolvendo o Estado e empresas privadas

Isto não se aplica apenas aos mais de dois milhões de censores – muitos deles, empregados diretamente pelas empresas BAT – que contribuem ativamente para o controlo da opinião pública. Ainda mais significativos são dois grandes projetos recentes que reforçam a estreita relação do complexo BAT com os agentes de vigilância e controle estatal. O primeiro deles é a criação de um sistema de pontuação de crédito social. Modelado segundo um sistema de qualificação de crédito privado similar ao da empresa alemã Schufa e desenvolvido pela Alibaba, este sistema de pontuação tem como objetivo reunir todos os traços que as pessoas deixam na internet e mostrar num único índice a qualidade do cidadão e consumidor9. A correspondente pontuação regula o acesso às oportunidades de vida individuais: o comportamento de cada pessoa, refletido na pontuação individual, decide sobre o acesso ao crédito, à educação formal e ao mercado de trabalho e, inclusive, acerca do direito a tomar voos em linha comerciais ou a usar comboios de alta velocidade. O princípio superior deste instrumento disciplinar é: “se a confiança se rompe num lugar, as restrições impõem-se em todas as partes”10.

O princípio superior deste instrumento disciplinar é: “se a confiança se rompe num lugar, as restrições impõem-se em todas as partes”

Se o sistema de pontuação de crédito social é ainda fundamentalmente uma recopilação de dados na internet, o segundo projeto, uma nova cooperação entre as autoridades estatais e a companhia de internet Baidu (muitas vezes denominada “Google chinesa”) também gira em torno do controlo de dados no mundo não virtual. É assim que esta empresa está a equipar sistematicamente pontos nevrálgicos do espaço público com câmaras que não só contam com um sofisticado software de reconhecimento facial11, mas também podem identificar pessoas encapuçadas pela forma como caminham. Não só na rede, mas também no mundo real, todo o indivíduo poderá ser rasteado a qualquer momento.

Modelo de crescimento: digitalização do mercado interno

O rosto ameaçador do controlo estatal obviamente não muda o facto de que a economia digital pode se tornar um importante impulsionador da revalorização industrial. No entanto, isto não é responsabilidade do complexo BAT em si, mas da combinação dos gigantes da internet com uma política industrial estratégica e um mercado interno em rápido crescimento. Assim, a digitalização torna-se a correia de transmissão para o desenvolvimento de empresas de marcas chinesas, que adaptam os seus produtos às necessidades específicas dos consumidores locais.

Uma variante deste enfoque está a ser testada por empresas tecnologicamente avançadas na indústria de bens de consumo. Os principais fabricantes de eletrodomésticos, por exemplo, anunciam as suas fábricas “em rede” altamente automatizadas, que fazem produtos personalizados seguindo o modelo “indústria 4.0”. Ainda que esta forma de individualização se limite a algumas características externas não essenciais dos produtos, as empresas também podem estabelecer a lealdade do cliente vinculando-se aos consumidores através de plataformas de utilizadores mediante as quais se compartilham, por exemplo, receitas de cozinha. Os clientes compram mais que um refrigerador, uma máquina de lavar roupas ou um aparelho de ar condicionado. As empresas industriais tiram maior proveito dos dados pessoais de seus clientes através dos seus unique selling points (argumentos diferenciadores de vendas).

Uma variante completamente diferente da personalização do produto também se baseia nas vantagens das plataformas digitais. A força dos grupos empresariais chineses da internet deveu-se em parte ao rápido crescimento do comércio online, em particular da plataforma Taobao, da Alibaba, e o aplicativo WeChat, de Tencent, assim como muitas pequenas plataformas especializadas. Uma chave do êxito do Alibaba foi o papel da companhia como plataforma business-to-business (b2b) que vinculava compradores estrangeiros a empresas fornecedoras chinesas (muitas vezes, escritórios clandestinos). Portanto, também era possível encontrar fornecedores para os requisitos mais específicos das empresas estrangeiras: outro tipo de produção on demand.

A divisão business-to-consumer (b2c) de Alibaba baseia-se nestas virtudes e torna-as utilizáveis para o mercado interno. A plataforma oferece inclusive a empresas de um nível tecnológico moderado a possibilidade de receber pedidos. Os chamados povos de Taobao encontraram um amplo eco: trata-se frequentemente, em termos económicos, de aglomerados atrasados cujos microprodutores e pequenos produtores são sistematicamente conectados à economia digital12. Portanto, o nível tecnológico dos fornecedores individuais não é crucial para fazer parte da economia on demand das empresas de plataforma. A diversificada rede cumpre com a flexibilidade necessária e o matching entre empresas e clientes assumido pelas companhias da plataforma, e aqui é precisamente onde radica sua importância para uma gradual valorização tecnológica.

O crescimento do enorme mercado interno oferece as condições prévias essenciais para isso, não só devido aos efeitos de escala que acarreta, mas sobretudo à estrutura de consumidores específica. O mais concorrido é o segmento de qualidade média do mercado, onde as empresas chinesas podem competir com as empresas ocidentais porque oferecem uma qualidade comparável a um preço inferior. A corrida por estes mercados identificou-se como o motor da revalorização industrial13. Com as ferramentas digitais, as empresas chinesas podem agora ampliar ainda mais as suas vantagens principais: acesso direto ao mercado e capacidade de entregar de acordo com as necessidades específicas dos consumidores locais.

No entanto, estes impressionantes avanços não devem ocultar os problemas subjacentes da economia chinesa. A fragilidade do sistema de inovação e o atraso tecnológico frente ao Ocidente continuam a ser uma realidade; sem mencionar os crescentes conflitos laborais devido às más condições de trabalho e os desequilíbrios macroeconómicos ocasionados por uma procura interna ainda (relativamente) muito frágil. Mas, a economia digital é um catalisador com o qual o plano do governo chinês de alcançar o mesmo nível tecnológico dos Estados Unidos e Europa para o ano 2049 não parece ser um sonho sem fundamento.

A próxima expansão?

Para além da integração progressiva e essencialmente digital do mercado interno, surge neste contexto a questão da expansão transnacional das empresas BAT. Especialmente a Alibaba e a Tencent estão a fazer importantes obras de infraestrutura para o mercado interno chinês e constituem-se em pontos nodais decisivos de um modelo digitalizado de consumo interno. No entanto, na área da integração global das empresas chinesas, há um segundo aspeto importante da política económica chinesa, que se dá no marco de um modelo de crescimento impulsionado pelas exportações. Por exemplo, com a Iniciativa da Faixa e a Rota – o desenvolvimento de rotas terrestres e marítimas transcontinentais –, acaba-se de lançar um grande programa de investimentos com o objetivo de que os produtores chineses estejam integrados diretamente ao mercado mundial.

Ao mesmo tempo, é possível observar como algumas partes do complexo BAT se transnacionalizaram. As três empresas não só listam na Bolsa de Nova York, como também a Alibaba e a Tencent estão a ponto de se expandir para além de seu mercado nacional. O objetivo dos esforços de expansão é, em particular, os mercados neutros restantes, sobretudo nos países do Sudeste asiático, que possuem semelhanças com a China em relação ao surgimento de novas classes médias com um poder de consumo relativamente elevado. Na Índia, por exemplo, há algum tempo, Alibaba e Amazon travam uma feroz guerra de preços, com a finalidade de conseguir uma porção crucial do crescente mercado de comércio eletrónico.

Caso se leve em conta as características específicas do capitalismo digital chinês, fica claro que as plataformas de internet também desempenham um papel estratégico importante na expansão e integração do modelo de exportação do país asiático. Assim, os clientes alemães dispostos a ele já podem solicitar hardware chinês através de AliExpress, mas é preciso aguardar cerca de duas semanas para a entrega. A combinação de investimento público em infraestrutura e o papel internacional cada vez mais gravitante das plataformas chinesas de internet poderão encurtar esse prazo para apenas poucos dias e expandir globalmente o modelo de consumo interno digital da China, por meio de suas empresas digitais líderes. Isto atingiria os interesses económicos do complexo GAFA e o capital de risco que suporta estas companhias. Até agora, as plataformas da costa oeste dos Estados Unidos foram as interfaces decisivas dos processos de consumo digital em grande parte do mundo14 (14).

É iminente uma guerra de redes?

No caso da penetração dos grupos empresariais chineses de internet em territórios do GAFA, surgem algumas perguntas: sob que condições, por exemplo, GAFA e BAT cooperarão nos mercados de outros países? Como se avaliam as respetivas relações de forças em caso de conflitos abertos pelo domínio do mercado? Por um lado, o caso do Uber na China demonstrou que a cooperação liderada por esse país é perfeitamente factível: ali, a startup norte-americana avaliada em 70 mil milhões de dólares abandonou o campo após uma fase de ruinosa concorrência e de lhe ser oferecida uma enorme participação na sua competidora, Didi15. Por outro lado, no conflito já mencionado entre a Alibaba e a Amazon pelo mercado indiano se vê que são possíveis longas guerras de preços. Para a duração e o resultado dessas lutas pelo domínio do mercado será igualmente importante a questão do poder de fogo financeiro das empresas chinesas, estreitamente vinculadas ao Estado e aos seus gigantescos fundos soberanos. Por último, surge a não menos relevante pergunta de se a expansão das plataformas chinesas implicará também que o controlo dos dados dos utentes da internet de todo o mundo, politicamente sensível, seja transferido da costa oeste dos Estados Unidos à costa leste da China.

Publicado na versão espanhola pela revista latino-americana de ciências sociais Nueva Sociedad, Maio/Junho/ 2018. Reproduzido da Revista IHU On-line.Tradução do Cepat.

1 Ulrich Dolata: «Volatile Monopole: Konzentration, Konkurrenz und Innovationsstrategien der Internetkonzerne» em Berliner Journal für Soziologie vol. 24 No 4, 2015.

2 Clayton M. Christensen: The Innovator’s Dilemma: When New Technologies Cause Great Firms to Fail, Harvard Business School Press, Boston, 1997.

3 Peter Thiel: Zero to One: Wie Innovation unsere Gesellschaft rettet, Campus, Fráncfort del Meno, 2014.

4 D. Schiller: Digital Depression: Information Technology and Economic Crisis, University of Illinois Press, Champaign, 2014.

5 M. Mazzucato: Das Kapital des Staates. Eine andere Geschichte von Innovation und Wachstum, Kunstmann, Múnich, 2014.

6 Tobias Brink: «Blinde Flecken. Zur Makrosoziologischen Analyse icht-Liberaler Kapitalismen im Globalen Süden» en Heinz Bude y P. Staab (eds.): Kapitalismus und Ungleichheit. Die Neuen Verwerfungen, Campus, Fráncfort del Meno, 2016.

7 F. Butollo y Boy Lüthje: «‘Made in China 2025’: Intelligent Manufacturing and Work» in Kendra Briken, Shiona Chillas,Martin Krzywdzinski y Abigail Marks (eds.): The New Digital Workplace: How New Technologies Revolutionise Work, Palgrave, Londres, 2017.

8 Bien Perez: «Tencent Poised to Rub Shoulders with Apple and Facebook as China’s First Entrant to Elite us$500 Billion Tech Club» en South China Morning Post, 14/11/2017.

9 Steffen Mau: Das Metrische Wir: Über die Quantifizierung des Sozialen, Suhrkamp, Berlín, 2017.

10 Simon Denyer: «China’s Plan to Organize Its Society Relies on ‘Big Data’ to Rate Everyone» em The Washington Post, 22/10/2016.

11 Stephen Chen: «China to Build Giant Facial Recognition Database to Identify Any Citizen within Seconds» em South China Morning Post, 12/10/2017.

12 Andreas Rüesch: «Alibaba und die Zwanzig Dörfer» em Neuen Zürcher Zeitung, 17/9/2014.

13 Loren Brand y Eric Thun: «The Fight for the Middle: Upgrading, Competition, and Industrial Development in China» em World Development vol. 38 No 11, 11/2010.

14 P. Staab: Falsche Versprechen: Wachstum im Digitalen Kapitalismus, Hamburger Edition, Hamburgo, 2016.

15 Xavier Fontdeglòria: «Uber cede en China por la guerra de precios y se fusiona allí con su rival Didi» em El País, 1/8/2016.

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