Todos os anos Portugal é assolado com incêndios devastadores. Cheias, inundações e outras catástrofes são também correntes no país. As denúncias de falta de meios da Proteção Civil, humanos e logísticos são recorrentes. Faltam homens e mulheres, faltam equipamentos de proteção individual, faltam veículos e meios de combate a incêndios. Acrescem as queixas de falhas do sistema de comunicações de emergência SIRESP e os problemas de organização e comando nos teatros de operações.
Em Portugal, a estrutura da proteção às populações assenta maioritariamente nas corporações de bombeiros das Associações Humanitárias de Bombeiros Voluntários, representando estas mais de 90% da estrutura de bombeiros em Portugal. Apenas alguns municípios possuem bombeiros municipais ou sapadores.
Os Bombeiros em Portugal, sapadores, municipais ou voluntários, representam 0,16% da população. Em França a proporção é de 0,36%. Sabemos também que noutros países o modelo de organização das operações de socorro e proteção é diferente. Em Espanha ou em Inglaterra, por exemplo, os bombeiros são maioritariamente profissionais ou mistos, constituindo a proteção de pessoas e bens uma responsabilidade básica do Estado.
Para a efetiva e eficaz segurança e proteção das populações bastará o investimento no reforço dos meios de proteção e socorro? Ou deveremos considerar outros modelos de organização e funcionamento dos bombeiros em Portugal? Deveremos continuar a apostar na melhoria das condições e meios dos bombeiros voluntários, maioritários em Portugal, ou adotar modelos vigentes noutros países garantido que todos os municípios possuem corporações de bombeiros municipais ou mistos?
Os incêndios e as catástrofes não esperam. O debate é urgente.
Artigo de Sandra Cunha, deputada do Bloco de Esquerda, que participará no debate “Bombeiros e proteção civil - que modelo queremos?”, com Armando Silva, dos Sapadores de Coimbra, no Fórum Socialismo, sábado, 11.45h, na sala 3.