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2006 foi ano recorde em acidentes com transgénicos

O relatório "Registos de Contaminação Transgénica", divulgado pela Greenpeace em Fevereiro deste ano, afirma que 2006 foi o ano com maior número de acidentes com transgénicos.
O documento cita casos de contaminação, plantios ilegais e efeitos colaterais negativos causados pelos transgénicos em todo o mundo, no ano passado. De acordo com o relatório, nos últimos 10 anos, foram relatados 142 casos de contaminação de diversas espécies ocorridos no mundo. Desse total, 35% referem-se a variedades de milho transgénico. Somente em 2006, foram registrados 24 incidentes com transgénicos em todo o mundo.

Veja aqui o relatório em Inglês

Clique no mapa para ver os incidentes registados até ao final de 2006
 

As notificações foram feitas no site www.gmcontaminationregister.org, criado pela ONG britânica GeneWatch e pelo Greenpeace para monitorar o impacto dos transgénicos na produção de alimentos e no meio ambiente.

Actualmente, no mundo todo, 21 países plantam transgénicos. Mas segundo o relatório, 39 nações foram afectadas por algum incidente com os OGMs, sinalizando que a contaminação ultrapassa as fronteiras geográficas e legais que cerceiam o plantio e a comercialização desses produtos.

O Estados Unidos, maior plantador de transgénicos do mundo, foi o país que mais teve problemas desse tipo, acumulando 19 ocorrências. O Reino Unido ocupa o segundo lugar, apresentando dez casos, apesar de possuir um sistema rígido de controlo. Apenas em 2005, a Europa e 11 países - EUA, Austrália, Brasil, Alemanha, Nova Zelândia, Japão, Romênia, Índia, Irlanda, China e Sérvia - foram vítimas de contaminação.

Mais de 90% dos casos de contaminação descritos pelo relatório referem-se aos quatro maiores cultivos transgénicos comerciais: milho, soja, canela e algodão. Estudos mostram que ela pode ocorrer em todos os estágios do desenvolvimento dos OGMs, seja na sua fase de testes laboratoriais, cultivo no campo ou no produto alimentício final. O relatório do Greenpeace aponta a má identificação, fracos controlos e a ignorância dos laboratórios como responsávies por esses acidentes genéticos. As causas de contaminação transgénica foram de sementes, alimentos e ração animal. No caso dos alimentos, sete casos eram produções destinadas à ajuda humanitária na América Central e do Sul.

No relatório, as organizações GeneWatch e Greenpeace pedem que os governos utilizem métodos para detecção de casos de contaminação de transgénicos; imponham padrões internacionais de identificação de documentação de carregamentos de organismos geneticamente modificados (OGMs); e neguem às companhias o direito de comercializar produtos transgénicos, se elas estiverem envolvidas em difusões ilegais, entre outras.

Definições
Contaminação: descoberta de alimentos, rações animais ou de uma espécie selvagem relacionada que contenha material geneticamente modificado não-intencional de uma lavoura transgênica ou de outro organismo, confirmado por evidências e testes de laboratório de que a contaminação tenha ocorrido.

Difusões ilegais: são ocorrências de plantio não-autorizado ou outro tipo de liberação no meio ambiente ou na cadeia de alimentos, em casos em que não for reconhecido oficialmente o descumprimento das regras sobre a liberação de OGMs.

Adaptação de notícias de Irene Lobo (Agência Brasil) e Natália Suzuki (Carta Maior)
Fevereiro de 2007

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Resto dossier

Dossier Transgénicos

Numa altura em que o debate sobre o ambiente se torna cada vez mais central, o Esquerda.net dedica o dossiê desta semana aos Organismos Geneticamente Modificados.

Gualter Baptista: o objectivo é uma moratória do cultivo de transgénicos

Nesta entrevista à Esquerda.Rádio, o coordenador da campanha contra os transgénicos e activista do Gaia Gualter Baptista fala dos estudos recentes que dão conta de alterações renais e hepáticas em ratinhos de laboratório provocados por uma variante de milho transgénico, estudos esses que vinham a ser ocultados pela multinacional Monsanto.

Vídeo: estudos científicos comprovam riscos dos OGM

Especialistas afirmam: comer OGM é perigoso para a saúde. Mas todos os anos, novos OGM chegam aos nossos pratos. Esta reportagem do Canal + francês revela os estudos científicos que mostram os riscos tóxicos dos OGM.

Transgénicos pela multinacional Monsanto

A Monsanto é uma empresa multinacional, especializada em biotecnologia vegetal. É actualmente uma das maiores empresas mundiais do comércio de transgénicos e teve, em 2005, negócios no valor de 5,4 mil milhões de dólares. O seu slogan é "Alimentos em abundância em um meio ambiente saudável".
Publicamos aqui o folheto "Transgénicos. Para ter opinião tem que ter informação.", do site da Monsanto Brasil.

2006 foi ano recorde em acidentes com transgénicos

O relatório "Registos de Contaminação Transgénica", divulgado pela Greenpeace em Fevereiro deste ano, afirma que 2006 foi o ano com maior número de acidentes com transgénicos.

Carta Aberta de Cientistas do mundo a todos os governos

Esta carta, datada de Setembro de 2000, foi enviada a governos e fóruns internacionais, como a Organização Mundial do Comércio, a Comissão para o Desenvolvimento Sustentável da ONU, a Convenção sobre a Diversidade Biológica da ONU. Nela, 828 cientistas de 84 países apelam à suspensão imediata de todas as difusões no meio-ambiente de culturas e produtos Geneticamente Modificados, tanto comercialmente quanto em testes em campo aberto.

A ameaça transgénica na Ásia

Sendo a Ásia o continente que mais produz arroz, alimento básico para cerca de três biliões de pessoas, a recente introdução de variedades transgénicas deste cereal motivou a preocupação de muitos activistas, que participaram, no final do mês de Março deste ano, na Semana de Acção pelo Arroz.

Às três, será de vez?

Diz-se que há uma primeira vez para tudo. No caso dos organismos geneticamente modificados (OGM) a inocência terminou a 16 de Outubro de 1999 com a publicação, na prestigiada revista científica Lancet, do artigo de Ewen e Pusztai intitulado «Effect of diets containing genetically modified potatoes expressing Galanthus nivalis lectin on rat small intestine».

Transgénicos em África: combater a fome, ou acumular lucros?

Nesta adaptação de dois artigos de Natália Suzuki (Carta Maior), torna-se claro como as empresas de biotecnologia fazem lobbies com governos locais para conseguir introduzir espécies transgénicas na agricultura africana, incutindo a ideia de que a solução para a fome do continente empobrecido é a produção de OGMs e as suas novas tecnologias. No entanto, além de consequências ambientais graves, os trangénicos levantam um grave problema político. É que no mundo todo há apenas três companhias que produzem sementes transgénicas e "quem controla a semente, controla a comida e controla o futuro".

12 perguntas e respostas sobre transgénicos

Transgénicos são plantas criadas em laboratório com técnicas da engenharia genética que permitem "cortar e colar" genes de um organismo para outro, mudando a forma do organismo e manipulando sua estrutura natural a fim de obter características específicas.
Não há limite para esta técnica; por exemplo, é possível criar combinações nunca imaginadas como animais com plantas e bactérias.

Publicamos aqui 12 perguntas e respostas sobre transgénicos, retiradas do site da Greenpeace Brasil.

Links

Existe muita informação sobre transgénicos na Internet. Em Portugal destaca-se o site da Plataforma Transgénicos Fora do Prato, onde pode encontrar toda a legislação portuguesa sobre OGMs, bem como as experiências com transgénicos já realizadas em Portugal e o debate público em torno do assunto. Para informações sobre iniciativas europeias  pode consultar este site, onde é anunciada a Terceira Conferência Europeia sobre zonas livres de transgénicos, biodiversidade e desenvolvimento rural, que se realiza a 21 e 22 de Abril deste ano.
Leia mais para ver outros sites 

Relatório sobre arroz aponta alternativas aos transgénicos

Tecnologias novas, ambientalmente sustentáveis e de consumo amigável tornam a imprecisa engenharia genética obsoleta e desnecessária, afirma o relatório "Futuro do Arroz" lançado pelo Greenpeace. Ao destacar um futuro ambientalmente sustentável para o alimento básico mais importante do mundo, o relatório desmascara o mito de que as empresas de engenharia genética como a Monsanto podem assegurar o futuro do arroz. No lançamento do relatório, o Greenpeace ganhou a adesão de fazendeiros indianos que protestavam contra campos de testes de engenharia genética na Índia e exigiu o fim de tais campos para proteger o futuro e a segurança das provisões de alimentos em todo o mundo.

Vídeo: O desastre da soja trasgénica no Paraguai

O Paraguai sofreu uma seca prolongada. As variedades de soja transgénica cultivada no país sofrem perdas de 90%, enquanto as variedades convencionais não transgénicas produziram muito bem. A soja transgénica não aguenta a seca, denuncia este filme produzido pelo governo do Estado do Paraná, no Brasil.