José Manuel Pureza

José Manuel Pureza

Professor Universitário. Coordenador do Bloco de Esquerda

O que falhou - estrepitosamente - foram as políticas de empobrecimento encaradas como promessa de regeneração económica e social. Não tiveram outro resultado senão o empobrecimento sem mais.

Mandela sintetizou na valentia da sua rutura com o racismo institucionalizado e na firmeza da sua resistência o melhor de que a humanidade é capaz. Devemos-lhe isso.

Os guiões da troika e de Cavaco Silva completam-se. Um quer diminuir o Estado para abrir novas áreas de negócio para os privados. O outro quer um Estado diminuído para reabrir espaço para as assistências sociocaritativas locais.

Na Praça Tahrir como na Praça Taksim, a liberdade e a justiça são um só problema e só se resolvem juntas.

Acreditar que Seguro seja convidado para sensibilizar os estrategas de Bilderberg para os problemas do emprego e do crescimento é o mesmo que acreditar que um simpatizante da não-violência converterá uma claque de futebol ao fair play.

Há duas opções fundacionais que delimitam o campo da convergência necessária. A primeira é a de que à austeridade bruta não se opõe austeridade "razoável". A segunda é a de que os compromissos internacionais não são mais importantes do que os compromissos internos.

A austeridade imposta aos pobres e à classe média tem como contrapartida um país em quinto lugar na compra de automóveis de topo de gama e em que bancos em risco de falência atribuem prémios milionários aos seus gestores.

Defender a privatização dos CTT é fragilizar gravemente a coesão social e territorial do País.

A oposição ao governo da austeridade não é um truque nem um exercício de simulação. É a afirmação clara de um contraste e a defesa lúcida e corajosa de uma alternativa de conjunto ao modelo social que se está a implantar e às políticas que lhe dão suporte.

Portugal vive um tempo dominado por estratégias de fabricação de um senso comum que misturam sabiamente simplismo indolente com moralismo mesquinho.