José Manuel Pureza

José Manuel Pureza

Professor Universitário. Coordenador do Bloco de Esquerda

Muito para lá de um juízo sobre o fundamento rigoroso das políticas, o que este caso (o afamado "This time is diferent", dos economistas Reinhart e Rogoff) traz à ribalta é a natureza ideológica marcada de um discurso que se reclama da exatidão e do rigor científico.

Primeiro, acho que a vossa incompetência é confrangedora. Em segundo lugar, acho que sois responsáveis pelo maior ataque à democracia em Portugal desde 1974. Em terceiro lugar, acho que estais a destruir o meu país.

Há uma escolha decisiva que o País tem de fazer: renegociar a dívida ou naufragar nela. Só por cegueira ideológica se pode teimar em negá-lo.

A não regulação é sempre pior que uma regulação incompleta e imperfeita.

O CDS ensaia uma nova estratégia de disfarce. Agora querem que vejamos nele o partido da consciência crítica da austeridade. Há um pequeno senão: trata-se de um partido que apoia, uma a uma, todas as medidas de austeridade.

A resistência solidária à expulsão do euro é hoje a maior batalha que se exige dos europeístas. Em nome de uma Europa de esperança.

São as políticas de empobrecimento e humilhação - de que Juncker, Barroso, Merkel e o centrão europeu têm sido intérpretes primeiros - que nos estão a atirar de novo para as mãos dos demónios da guerra.

O ganho maior da manifestação multitudinária de 2 deste mês foi esse: a estratégia da guerra de gerações não passará.

A falsa alternativa entre os campeões da austeridade e os populismos descabelados é a herança mais perigosa que a ditadura do combate ao défice legará à Europa.

O suposto ano suplementar não servirá para corrigir a estratégia mas sim para a aplicar, sem alterações de nenhum tipo, conseguindo para isso um quadro de menor resistência social.