José Manuel Pureza

José Manuel Pureza

Professor Universitário. Coordenador do Bloco de Esquerda

A direita que critica, como virgem ofendida, a demonização de adversários políticos individuais, pratica convictamente a demonização anónima de massas humanas.

Os autores e os executantes da mais errada das políticas estão a preparar a estratégia de salvação desesperada da face de uns e de outros.

Tal como na Líbia e no Afeganistão, o envolvimento ocidental na guerra civil na Síria não tem outro propósito senão o de alterar o equilíbrio de forças no terreno e dar aos rebeldes a força que eles, por si sós, não são capazes de conquistar.

Sem surpresa, a teoria do "risco constitucional" é o sucedâneo atual da tese das "forças de bloqueio", criada, com espírito idêntico, pelo atual Presidente da República quando chefiava o Governo.

A Direita sempre viu na igualdade efetiva que anima a escola pública um mal a erradicar.

Estas manipulações da verdade como se ela fosse um menu arbitrariamente gerível tornam os seus autores incapazes para a responsabilidade governativa em qualquer país decente.

A condenação de Manning a 136 anos de prisão e a perseguição internacional a Snowden mostram que o fantasma de Joseph McCarthy tem hoje muito mais força na Casa Branca do que o espírito de Martin Luther King.

O discurso do estado de exceção, filho do casamento entre a febre da salvação/união nacional com o falso moralismo do pagamento integral da dívida é o mais perigoso inimigo da democracia no nosso tempo em Portugal.

A salvação nacional a que o PS escolheu dar preferência é um balão de oxigénio para este Governo morto e para a perpetuação desta política mórbida.

Onde se estipula que o Presidente da República jura cumprir e fazer cumprir a Constituição, Cavaco estatuiu que o Presidente da República jura cumprir e fazer cumprir o Memorando de Entendimento com a troika.