José Manuel Pureza

José Manuel Pureza

Professor Universitário. Coordenador do Bloco de Esquerda

Nas universidades, a liberdade de escolha, na modalidade "ou pagas ou sais", está em alta.

O relatório do FMI com a sua análise à oitava e nona avaliações do programa de ajustamento estrutural da economia portuguesa é um manifesto pela austeridade perpétua.

A receita do FMI e da Comissão Europeia já mostrou o que vale. Esta receita eterniza a crise e torna-nos um país mais pobre, mais dependente, mais desqualificado. Que tal ouvir então atentamente a proposta da OIT?

Cavaco Silva expressou sempre com clareza a sua prioridade: impedir que a Constituição incomode os mentores do estado de exceção.

Uma família cigana imigrante ilegal é certamente mais fácil de combater do que um fundo de investimento que arrasa salários e pensões na Bolsa.

Em Portugal, chegámos àquele tempo em que a satisfação dos delírios dos credores é tão impossível que só mesmo a mentira mais retinta os pode servir. O Orçamento para 2014 é esse cínico exercício de mentira.

Tem razão Francisco, o Papa: esta é uma Europa de vergonha.

A abstenção só deixará de ser sedutora se a escolha política for sentida como verdadeiramente útil por cada pessoa, se cada pessoa sentir genuinamente que a sua participação terá uma influência real na configuração da agenda que conduz às decisões públicas.

O país da 'troika' é aqui, em cada terra que vai a votos no domingo.

Uma sociedade sem direitos humanos nem pensamento crítico - eis a sociedade que a praxe revela. Com a agravante de ser uma sociedade convencida da sua bondade integradora.