José Manuel Pureza

José Manuel Pureza

Professor Universitário. Coordenador do Bloco de Esquerda

A luta contra a austeridade tanto ganhará força com uma convergência de proposta como a perderá com um equívoco.

Dublin não escolheu entre um bem e um mal, mas entre dois males. O que não escolheu, isso é claro, foi recuperar a soberania.

Na promiscuidade entre a política e os negócios como no futebol, o campeonato português é subalterno. O banco Goldman Sachs é um clube dessa champions league que é a nebulosa da governação global.

Aquilo que verdadeiramente bloqueia uma alternativa de governo à esquerda não é a disponibilidade, ou falta dela, para governar. São as escolhas para a governação de Portugal e da Europa.

Unir os povos do Sul da Europa para resgatar a nossa autodeterminação contra o constitucionalismo global ordoliberal que nos amarfanha é hoje um imperativo da democracia. Essa é a questão essencial das próximas eleições europeias.

Neste tempo em que a pobreza e a saída dela são estigmatizadas como responsabilidades pessoais, estar com os últimos como projeto de vida faz da política o seu campo de materialização privilegiado.

O pós-memorando de entendimento com a troika será o memorando com a troika sem ela.

O Governo só tem plano A, que aplicará custe o que custar. E esse plano é o de embaratecer o trabalho e transferir esse diferencial para o lado do capital.

O Governo comporta-se como aqueles fura-greves que se juntam ao patrão para o incentivar a ser impiedoso para com os grevistas, na esperança de que o patrão os premeie pela sua tão corajosa lealdade.

No Portugal da crise há milhões que estão a ser condenados a perder o pouco que têm e há uns poucos que estão a aumentar o muito que já tinham.