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Parlamento chumba solidariedade com dissidentes angolanos

Voto de condenação apresentado pelo Bloco sobre a repressão em Angola chumbado por votos do PCP, PSD e CDS e com a abstenção do PS. O parlamento aprovou três votos de condenação da realização de testes nucleares pela Coreia do Norte, apresentados pelo Bloco, PSD e CDS.
Ativistas angolanos em julgamento. Foto de Joost de Raeymaeker/Lusa

O voto do Bloco sobre a repressão em Angola, exigindo a finalização do julgamento contra os ativistas angolanos, foi apoiado por sete deputados do PS (Alexandre Quintanilha, Isabel Moreira, Inês de Medeiros, Isabel Santos, Pedro Delgado Alves, Tiago Barbosa Ribeiro e Wanda Guimarães), e pelo PAN.

O facto de os ativistas terem passado a prisão domiciliária “não retira o cariz repressivo de todo este processo, que se manterá enquanto não for devolvida a liberdade”, denuncia o Bloco de Esquerda.

Defende o partido que "é preciso travar e dar por finalizado este arrastado processo que visa intimidar, deter e punir aqueles que criticam a governação de José Eduardo dos Santos, que tem tido interferência direta ao longo de todo o processo, dando ordens no sentido de prolongar indefinidamente as audiências".

O PCP mais uma vez se demarcou da iniciativa do Bloco de Esquerda, apresentando uma declaração de voto, na qual afirma que outras forças políticas "não poderão contar" com o PCP "para operações de desestabilização de Angola".

Condenação de testes nucleares pela Coreia do Norte

Foram ainda votados cinco votos de condenação da realização de testes nucleares pela Coreia do Norte, dos quais foram aprovados os documentos apresentados pelo Bloco, PSD e CDS. Os documentos do PEV e PCP foram rejeitados.

O voto apresentado pelo Bloco denunciou o teste nuclear com uma bomba de hidrogénio anunciado pela Coreia do Norte, como “mais um teste que não pode passar sem condenação, que acentua as tensões regionais e sublinha o perigo de uma corrida ao armamento”, quando a história prova “que o mundo fica mais seguro sem armas nucleares”.

“O perigo da existência e da proliferação das armas nucleares é permanente. As armas nucleares são um risco para a segurança da humanidade e a sua proliferação deve ser combatida, tal como devemos lutar pelo desmantelar do arsenal nuclear existente”, defende o Bloco.

O texto critica ainda os governos que continuam a optar pelo armamento nuclear “em 2011, foram gastos cerca de 100 mil milhões de dólares em programas nucleares por todo o mundo, tendo apenas os Estados Unidos da América gasto 61,3 mil milhões de dólares. Entre 2010 e 2020, governos em todo o mundo gastarão mais de 950 mil milhões de dólares em armas nucleares. São estas escolhas que devem ser revertidas e que também não podem passar sem condenação”.

O texto do Bloco foi aprovado com a abstenção das bancadas parlamentares do CDS, o do PSD com a abstenção do PCP. O documento apresentado pelo CDS foi rejeitado pelo PCP e PEV. O voto do PEV defendia "a desnuclearização do planeta" e foi rejeitado pelo PSD e CDS, com a abstenção do PS, mas com o voto favorável do deputado socialista Paulo Trigo de Abreu, bem como do Bloco, PCP e PAN. O voto do PCP, "condenação e preocupação pela escalada de tensão na península da Coreia" foi chumbado pelo PSD, CDS e pelo deputado socialista Sérgio Sousa Pinto, com a abstenção dos restantes deputados socialistas e votos favoráveis das restantes bancadas.

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