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Mélenchon mais perto de unir a esquerda nas legislativas

Depois de alcançado o acordo com os ecologistas, as negociações desta segunda-feira com socialistas e comunistas podem resultar em novos anúncios de entendimento para candidaturas de esquerda nas eleições de junho.
"Com a União Popular, a reforma é aos 60 anos", diz a faixa no 1º de Maio em Marselha. Foto de Jeanne Menjoulet/Flickr

As eleições legislativas francesas realizam-se a duas voltas em meados de junho e foram apresentadas por Jean-Luc Mélenchon, o candidato mais votado à esquerda nas presidenciais de abril, como “a terceira volta” desta eleição. O objetivo é conseguir a maioria parlamentar que obrigue a uma coabitação entre Macron no Eliseu e Mélenchon em Matignon e assim opor uma agenda governativa de esquerda aos ataques aos direitos sociais que estão na agenda presidencial.

Nas últimas semanas têm decorrido negociações entre a França Insubmissa e os restantes partidos à esquerda sobre o programa - tendo por base o que Mélenchon apresentou nas presidenciais - e as candidaturas a apresentar nos vários círculos. Na noite de domingo foi concluído o acordo com os Verdes, que na anterior legislatura deixaram de contar com um grupo parlamentar. Além de candidatos posicionados para reconquistar esse objetivo (cerca de 100 em 577 círculos eleitorais), o partido ecologista  conseguiu inscrever a sua bandeira no nome da candidatura: Nova União Popular Ecológica e Social. O acordo será ainda referendado pelos aderentes e a direção do partido diz-se satisfeita por ter obtido uma cedência por parte da França Insubmissa em relação ao tema da desobediência aos tratados europeus, que considerava poder abrir a porta a uma saída francesa da UE.

Para esta segunda-feira espera-se mais fumo branco, após mais um dia de negociações com os socialistas e os comunistas. Para Manuel Bompard, diretor de campanha da França Insubmissa, “estamos de acordo sobre 90% ou 95% dos temas”, o que é um bom prenúncio para um acordo, tendo em conta que cada partido “conservará a sua liberdade” para abordar os temas de campanha mais de acordo com a sua posição. Um dos temas que mais divide os partidos desta aliança é o da energia nuclear. Mas o candidato comunista às presidenciais, Fabien Roussel, confirmou à Franceinfo que o tema não fará parte do programa. A questão da desobediência aos tratados também era uma linha vermelha para o PS, que sairá satisfeito com a retirada dessa exigência do programa comum.

O primeiro a chegar a acordo com a França Insubmissa foi o Géneration.s, o partido do candidato presidencial socialista em 2017, Benoit Hamon, que apoiou agora o ecologista Yannick Jadot nas presidenciais. Decorrem ainda as negociações com o Novo Partido Anticapitalista, que voltou a apresentar Phillipe Poutou nas eleições do mês passado. De fora do acordo ficará o Partido Radical de Esquerda (PRG), que decidiu apresentar sozinho as suas candidaturas em cerca de 100 círculos. "Sabemos as consequências que isto pode ter a nível eleitoral. É a minha vez de ser um pouco insubmisso", afirmou o seu líder Guillaume Lacroix.

“Todos os que participam terão o seu grupo na Assembleia; toda a gente terá a sua própria associação de financiamento; o programa será um programa partilhado de governo, são coisas estáveis e seguras. Todos os que participam na negociação obtêm na discussão bem mais do que a proporção do resultado na eleição presidencial”, garantiu Mélenchon durante a manifestação do 1º de Maio em Paris.

O objetivo é fechar o acordo o quanto antes para evitar o sucedido em 2017, com a desmobilização do eleitorado que desta vez quase o levou à segunda volta nas presidenciais. Há cinco anos, os 19,56% obtidos nas presidenciais resultaram em apenas 11% na primeira volta das legislativas.

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