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#ConfinamentosEmTempoDeDitadura

Esquerda.net publicou 25 testemunhos sobre “Confinamento(s) em tempo de ditadura”

Maio 23, 2020

Vinte e cinco dias e vinte e cinco testemunhos de resistentes antifascistas sobre o seu quotidiano na prisão e/ou na clandestinidade e as estratégias que encontraram para combater o isolamento. A publicação diária terminou esta sexta-feira, mas ainda serão publicados novos contributos.

Entre esconderijos e zonas libertadas

Maio 22, 2020

No pátio do Liceu Gil Vicente conseguíamos combinar reuniões clandestinas que iríamos ter com malta de outras escolas secundárias. Ou trocar informações urgentes sobre a vertigem do tempo que queríamos também acelerar. Por Jaime Pinho.

Ramiro Morgado à saída da prisão de Caxias, 27 de abril de 1974.

Em Caxias, barricámo-nos na cela e iniciámos uma greve de fome

Maio 21, 2020

A greve prolongou-se por sete ou oito dias. Recusámos receber comida e pusemos de parte tudo o que nos tinha sido enviado pelos familiares. Era uma coisa “a sério”. Todas as celas aderiram à iniciativa. Por Ramiro Morgado.

Justino Pinto de Andrade

Os meus "Confinamentos"

Maio 20, 2020

No Tarrafal foi possível conceber um conjunto de mecanismos para nos articularmos com os restantes presos, entre nós angolanos, mas, igualmente, com os presos cabo-verdianos. Por Justino Pinto de Andrade.

Covid-19 e clausura fascista, xô, xô! Vade-retro, satanás!

Maio 19, 2020

Em Caxias, eu estive 5 meses e meio quase sempre sozinha, tendo por distracção pouco mais do que os meus pensamentos e umas quantas formigas que, lá fora, corriam e contornavam as florzinhas amarelas – um mundo a dar vida à terra da barreira, erguida a um metro da minha janela. Por Helena Pato.

Foto da ficha de António Cândido Franco na PIDE. Tinha 16 anos.

Uma gota de sangue

Maio 18, 2020

Foram precisos mais de 40 anos para eu voltar a recordar esse momento e dessa vez com toda a nitidez. Até o sabor a sangue me veio à boca. Uma gota de sangue no meio da escuridão e do silêncio! Tinha 16 anos acabados de fazer no Verão. Por António Cândido Franco.

Ana Rosenheim a trabalhar na fábrica de lanifícios na Covilhã, 1973.

O espaço e o tempo da coreografia: O duo clandestinidade e confinamento

Maio 17, 2020

Este foi o confinamento de mais de 40 anos que a ditadura fascista impôs aqui e nas colónias. E é neste palco que se lançou generosamente a clandestinidade, ágil e agindo, um passo aqui, agora quieta, outro para lá. Por Ana Rosenheim.

Lutar num país confinado

Maio 16, 2020

Dias depois do 25 de Abril, num passeio pelos arredores da última casa clandestina onde vivi, deparei-me com os muros altos, brancos e frios da prisão de Caxias. Mal podia imaginar que tinha estado clandestino a pouco mais de um quilómetro de um dos mais sinistros cárceres da ditadura. Por Alberto Matos.  

Maria Machado com a filha ao seu lado e o filho ao colo.

Confinamento e confinamento

Maio 15, 2020

Este confinamento, tão angustiante e cheio de stresse para muitos, não tem nada a ver com o confinamento dos 14 anos que passei na clandestinidade. À época, sabíamos que o tínhamos de manter se queríamos ficar fora das garras da Pide e continuar na luta por um país livre. Por Maria Machado.

Adolfo Maria com Mário Pinto de Andrade e Gentil Viana. Os três formaram em Lisboa um Grupo de Reflexão (em meados dos anos 80) para a procura de vias para o  fim da guerra civil em Angola.

Viver confinado sem tal ser decretado

Maio 14, 2020

Em 1959, a PIDE desencadeou sucessivas vagas de prisões de nacionalistas angolanos que militavam em vários grupos clandestinos. Na recém inaugurada cadeia de S. Paulo, em Luanda, passaram nesse ano centenas de indivíduos num corrupio constante. Por Adolfo Maria.

Confinamento(s) em tempo de ditadura

Maio 13, 2020

prisao

Testemunhos de resistentes antifascistas sobre o seu quotidiano na prisão e/ou na clandestinidade e as estratégias que encontraram para combater o isolamento. Organização por Mariana Carneiro.

Um quotidiano inventado para resistir: como vivi um tempo feita prisioneira

Maio 13, 2020

[Enquanto estive em isolamento] a comunicação, com sinais sonoros batidos nas paredes, com as camaradas das celas vizinhas (…) fez-me sentir acompanhada e experimentar a solidariedade entre pessoas numa situação particularmente violenta. Por Maria da Conceição Moita.

 

Raimundo Narciso com a filha.

A clandestinidade era uma arte!

Maio 12, 2020

Dez anos consecutivos de clandestinidade sem prisão aconteceu muito raramente. Houve também quem não resistisse ao “confinamento”, alguns foram transferidos para o estrangeiro para tratamento psiquiátrico ou emigraram. Por Raimundo Narciso.

O confinamento de mulheres e homens que ousaram sonhar Abril

Maio 11, 2020

Uma jovem guarda recém-chegada consolava-me: “Eu tenho uma bebé da idade da sua. Percebo bem que chore mas, vai ver, qualquer dia sai”. Uma noite, depois do “recolher”, luzes apagada, eu já deitada, a porta abriu-se, a luz acendeu-se e esta guarda entrou de mansinho, e disse “Venho mostrar-lhe fotografias da minha bebé”. Por Helena Neves.

Se o fascismo e a Pide não nos derrotaram, não será este vírus a fazê-lo

Maio 10, 2020

Na prisão, foi no estudo que ocupei grande parte do tempo, já que, estando em isolamento, não havia ninguém para conversar. Passados 47 anos sobre essa data, também foi novamente o estudo que me ajudou e ajuda a ocupar o tempo. Por Alfredo Frade.

Boletim "A Voz das Camaradas", dirigido às camaradas mulheres das casas clandestinas do Partido. No final deste testemunho transcrevemos um excerto do livro de Margarida Tengarrinha “Memórias de uma Falsificadora" sobre esta publicação.

Confinamentos ontem, em tempo de ditadura, ou hoje, a pretexto da covid-19

Maio 9, 2020

Pode fazer-se um paralelo entre o "modus vivendi" do tempo da clandestinidade (particularmente no caso das mulheres, confinadas à casa), com as regras hoje determinadas pelo Estado de Emergência, que considero excessivas e gravemente limitativas dos direitos e liberdades que nos são garantidos pela Constituição. Por Margarida Tengarrinha.

Ramiro Raimundo aparece na foto ao centro, mais para trás, com bigode.

Comunicávamos com as outras salas por código, batendo na parede

Maio 8, 2020

Fui preso com 22 anos e fui torturado durante 8 dias, e depois vários dias em separado. Nesse tempo permanecíamos sozinhos numa pequena cela. Sem comunicações, livros ou revistas. (…) Nunca desanimei. Digo que vale a pena continuar a luta e não abrandar. Por Ramiro Antunes Raimundo.

Então, as palavras

Maio 7, 2020

São elas que me socorrem também, quando a porta se fecha, já em Caxias. “Rosas Vermelhas”, Manuel Alegre: “em Maio de 1963, eu estava na cadeia, isto é, de certo modo, eu estava no meu posto” – e sinto um estranho orgulho nesse posto. Por Diana Andringa.

Museu do Aljube, reprodução de uma cela.

Confinamento acossado

Maio 6, 2020

O sentimento de perseguição e acossamento e a necessidade de lhe responder com firmeza estiveram sempre no meu espírito. Sentia-me em permanente combate. Era com este sentimento que procurava formas de ocupar a desocupação, que percebia ser uma tortura, uma arma insidiosa virada contra mim. Por Carlos Brito.

Ser clandestino em tempo de ditadura e por causa dela

Maio 5, 2020

Estar numa casa clandestina é ter medo de cada toque de campainha, de cada barulho na rua mais estranho, de cada cara fora do habitual. Outro confinamento é o do isolamento na prisão. Caxias. Entramos, aferrolham a porta. Aquele som da chave a rodar, sem volta atrás. Por Isabel do Carmo.

Do confinamento sanitário às prisões da ditadura

Maio 4, 2020

Foi essa janela, por onde entrava o barulho mais longínquo dos carros e o ruído mais próximo dos sapatos de quem passava, que estabelecia a única ligação com o mundo que continuava cá fora. Naquele local escuro, aquela pequena janela fez-nos sentir mais acompanhados, deu-nos força para o que estávamos a enfrentar. Por José Castro.

Aurora Rodrigues, presa a 1 de maio de 1973.

Fui presa a 3 de Maio de 1973, faz anos hoje

Maio 3, 2020

Apesar de tudo, mantive sempre o meu espaço interior de liberdade, com pequenas coisas e pequenos gestos de rebeldia e de insubmissão. Cantei, cantava na cela de tortura, como se os pides não estivessem lá. Cantava a Ronda do Soldadinho de José Mário Branco. Por Aurora Rodrigues.

Antes de 25 Abril 74 nunca estive confinado, estive só preso

Maio 2, 2020

Da minha cela via um pouco de mar e a estrada que ia para Caxias e Cascais. Havia uma ou duas crianças que às vezes surgiam numa das curvas da estrada e pensava como seria Portugal quando tivessem a minha idade de então – 21 anos. Por Domingos Lopes.

O confinamento na prisão de Caxias

Maio 1, 2020

A partir de agosto de 1965, a seguir ao julgamento, fiquei só eu do grupo de estudantes, a cumprir os 16 meses da minha pena, que deviam terminar em maio. A rotina manteve-se com as presas que iam chegando à sala, exceto as lições de alemão porque a mestra saiu. Por Sara Amâncio.

Está aí alguém?

Abril 30, 2020

A bola, feita de jornais, com que nos entretínhamos, podia ir parar a outro compartimento, levando umas palavras escritas. Não era fácil. Eles evitavam que os espaços contíguos estivessem ocupados e havia que aproveitar a distracção do guarda e, nas costas dele, firmar bem o salto e a pontaria. Por Mário de Carvalho.