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Confinamento(s) em tempo de ditadura

prisao

Testemunhos de resistentes antifascistas sobre o seu quotidiano na prisão e/ou na clandestinidade e as estratégias que encontraram para combater o isolamento. Organização por Mariana Carneiro.

Esquerda.net publicou 25 testemunhos sobre “Confinamento(s) em tempo de ditadura”

23 de Maio, 2020 - 13:14h

Vinte e cinco dias e vinte e cinco testemunhos de resistentes antifascistas sobre o seu quotidiano na prisão e/ou na clandestinidade e as estratégias que encontraram para combater o isolamento. A publicação diária terminou esta sexta-feira, mas ainda serão publicados novos contributos.

Entre esconderijos e zonas libertadas

22 de Maio, 2020 - 14:35h

No pátio do Liceu Gil Vicente conseguíamos combinar reuniões clandestinas que iríamos ter com malta de outras escolas secundárias. Ou trocar informações urgentes sobre a vertigem do tempo que queríamos também acelerar. Por Jaime Pinho.

Ramiro Morgado à saída da prisão de Caxias, 27 de abril de 1974.

Em Caxias, barricámo-nos na cela e iniciámos uma greve de fome

21 de Maio, 2020 - 21:03h

A greve prolongou-se por sete ou oito dias. Recusámos receber comida e pusemos de parte tudo o que nos tinha sido enviado pelos familiares. Era uma coisa “a sério”. Todas as celas aderiram à iniciativa. Por Ramiro Morgado.

Justino Pinto de Andrade

Os meus "Confinamentos"

20 de Maio, 2020 - 10:34h

No Tarrafal foi possível conceber um conjunto de mecanismos para nos articularmos com os restantes presos, entre nós angolanos, mas, igualmente, com os presos cabo-verdianos. Por Justino Pinto de Andrade.

Covid-19 e clausura fascista, xô, xô! Vade-retro, satanás!

19 de Maio, 2020 - 09:38h

Em Caxias, eu estive 5 meses e meio quase sempre sozinha, tendo por distracção pouco mais do que os meus pensamentos e umas quantas formigas que, lá fora, corriam e contornavam as florzinhas amarelas – um mundo a dar vida à terra da barreira, erguida a um metro da minha janela. Por Helena Pato.

Foto da ficha de António Cândido Franco na PIDE. Tinha 16 anos.

Uma gota de sangue

18 de Maio, 2020 - 13:28h

Foram precisos mais de 40 anos para eu voltar a recordar esse momento e dessa vez com toda a nitidez. Até o sabor a sangue me veio à boca. Uma gota de sangue no meio da escuridão e do silêncio! Tinha 16 anos acabados de fazer no Verão. Por António Cândido Franco.

Ana Rosenheim a trabalhar na fábrica de lanifícios na Covilhã, 1973.

O espaço e o tempo da coreografia: O duo clandestinidade e confinamento

17 de Maio, 2020 - 09:40h

Este foi o confinamento de mais de 40 anos que a ditadura fascista impôs aqui e nas colónias. E é neste palco que se lançou generosamente a clandestinidade, ágil e agindo, um passo aqui, agora quieta, outro para lá. Por Ana Rosenheim.

Lutar num país confinado

16 de Maio, 2020 - 14:03h

Dias depois do 25 de Abril, num passeio pelos arredores da última casa clandestina onde vivi, deparei-me com os muros altos, brancos e frios da prisão de Caxias. Mal podia imaginar que tinha estado clandestino a pouco mais de um quilómetro de um dos mais sinistros cárceres da ditadura. Por Alberto Matos.  

Maria Machado com a filha ao seu lado e o filho ao colo.

Confinamento e confinamento

15 de Maio, 2020 - 11:32h

Este confinamento, tão angustiante e cheio de stresse para muitos, não tem nada a ver com o confinamento dos 14 anos que passei na clandestinidade. À época, sabíamos que o tínhamos de manter se queríamos ficar fora das garras da Pide e continuar na luta por um país livre. Por Maria Machado.

Adolfo Maria com Mário Pinto de Andrade e Gentil Viana. Os três formaram em Lisboa um Grupo de Reflexão (em meados dos anos 80) para a procura de vias para o  fim da guerra civil em Angola.

Viver confinado sem tal ser decretado

14 de Maio, 2020 - 12:08h

Em 1959, a PIDE desencadeou sucessivas vagas de prisões de nacionalistas angolanos que militavam em vários grupos clandestinos. Na recém inaugurada cadeia de S. Paulo, em Luanda, passaram nesse ano centenas de indivíduos num corrupio constante. Por Adolfo Maria.

Um quotidiano inventado para resistir: como vivi um tempo feita prisioneira

13 de Maio, 2020 - 11:39h

[Enquanto estive em isolamento] a comunicação, com sinais sonoros batidos nas paredes, com as camaradas das celas vizinhas (…) fez-me sentir acompanhada e experimentar a solidariedade entre pessoas numa situação particularmente violenta. Por Maria da Conceição Moita.

 

Raimundo Narciso com a filha.

A clandestinidade era uma arte!

12 de Maio, 2020 - 16:16h

Dez anos consecutivos de clandestinidade sem prisão aconteceu muito raramente. Houve também quem não resistisse ao “confinamento”, alguns foram transferidos para o estrangeiro para tratamento psiquiátrico ou emigraram. Por Raimundo Narciso.

O confinamento de mulheres e homens que ousaram sonhar Abril

11 de Maio, 2020 - 09:03h

Uma jovem guarda recém-chegada consolava-me: “Eu tenho uma bebé da idade da sua. Percebo bem que chore mas, vai ver, qualquer dia sai”. Uma noite, depois do “recolher”, luzes apagada, eu já deitada, a porta abriu-se, a luz acendeu-se e esta guarda entrou de mansinho, e disse “Venho mostrar-lhe fotografias da minha bebé”. Por Helena Neves.

Se o fascismo e a Pide não nos derrotaram, não será este vírus a fazê-lo

10 de Maio, 2020 - 10:04h

Na prisão, foi no estudo que ocupei grande parte do tempo, já que, estando em isolamento, não havia ninguém para conversar. Passados 47 anos sobre essa data, também foi novamente o estudo que me ajudou e ajuda a ocupar o tempo. Por Alfredo Frade.

Boletim "A Voz das Camaradas", dirigido às camaradas mulheres das casas clandestinas do Partido. No final deste testemunho transcrevemos um excerto do livro de Margarida Tengarrinha “Memórias de uma Falsificadora" sobre esta publicação.

Confinamentos ontem, em tempo de ditadura, ou hoje, a pretexto da covid-19

9 de Maio, 2020 - 11:03h

Pode fazer-se um paralelo entre o "modus vivendi" do tempo da clandestinidade (particularmente no caso das mulheres, confinadas à casa), com as regras hoje determinadas pelo Estado de Emergência, que considero excessivas e gravemente limitativas dos direitos e liberdades que nos são garantidos pela Constituição. Por Margarida Tengarrinha.

Sobre o/a autor(a)

Socióloga do Trabalho, especialista em Direito do trabalho
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