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Respostas à pandemia

Vivemos tempos excecionais, que exigem de todos nós um esforço sem paralelo. De forma a evitar o pior cenário relacionado com a pandemia COVID-19, é necessário agir de forma unida e solidária.

Este enorme desafio possui três dimensões que são essenciais e complementares: i) saúde; ii) economia; iii) social.

No campo da saúde, fica novamente demonstrada a importância de ter um serviço nacional de saúde, com foco na equidade, universal e geral. Numa altura de legítimos receios e emergência de saúde pública, tudo o que não precisamos seria ter de lidar com um sistema de saúde privada, com os olhos colocados apenas no lucro imediato e a retirar dividendos de pessoas assustadas. A falência operacional e moral do sistema de saúde norte-americano é um bom exemplo disso mesmo. As atitudes tomadas pelos governos espanhol e irlandês, ao nacionalizar os prestadores de saúde privados, a necessidade de uma estratégia nacional para combater a epidemia, não o simples somatório de ações e interesses descoordenadoas.

A presente crise reafirma a necessidade de se abandonar o paradigma individual, centrado na doença e essencialmente medicocêntrico, de forma a evoluir para um pensamento focado na saúde e na comunidade. É um dos caminhos necessários para a evolução do SNS.

A economia tem de estar ao serviço das pessoas. Se é importante ter os profissionais de saúde na linha da frente, as forças de retaguarda, constituídas pelos padeiros, carteiros, policias, cantoneiros, lojistas das lojas de retalho e operários são igualmente essenciais. A economia e a saúde pública não são independentes, pelo contrário, são vazos comunicantes que se influenciam mutuamente.

O país deve reduzir a atividade ao essencial, mas o fundamental deve ser mantido. Precisamos de capacidade produtiva para produzir bens essenciais para permitir o funcionamento dos serviços de saúde. São precisas luvas, máscaras, ventiladores, batas e outros equipamentos e fármacos, pelo que o estado de emergência declarado tem de facilitar a internalização da sua produção.

O apoio social é tão fundamental como as duas anteriores. Sem uma baixa por doença digna, desburocratizada e desmaterializada, o incentivo para quem está doente ou em confinamento é ir trabalhar. Sem o envolvimento de todos os sectores da sociedade, desde a banca às empresas energéticas, o peso de suportar esta crise irá recair sobre os mesmo de sempre. Esta iniquidade não pode ser permitida!

A pandemia não pode servir para justificar despedimentos ou despejar inquilinos. Numa sociedade justa e coesa, os efeitos desta crise não podem ser refletidos de forma assimétrica sobre a população. Precisamos de todos para ultrapassar este enorme desafio. São necessárias medidas de coesão que há apenas 30 dias seriam impensáveis, moratórias nas hipotecas, isentar contas de energia, nacionalizar sectores chave ou segurar postos de trabalho.

Correndo o risco de quando a pandemia for superada, termos pela frente um desafio ainda maior, a planificação deve começar agora, sem receios de decidir a bem da todos e pelo bem comum.

Sobre o/a autor(a)

Enfermeiro especialista em saúde infantil e mestre em saúde pública.
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